O filme “Feito Pipa”, do diretor cearense Allan Deberton, é o escolhido para representar o Brasil no Oscar. O longa, que chegou aos cinemas de todo país na quinta-feira (5), traz em seu elenco Lázaro Ramos, Teca Pereira e o jovem ator revelação Yuri Gomes, de apenas 11 anos.
O Bem Viver TV desta semana recebeu o elenco estrelado do filme, que se passa no interior do Ceará, em uma cidade que foi impactada pela construção de uma barragem. Gugu, interpretado por Yuri, é órfão de mãe e criado pela avó Dilma, personagem de Teca. Ele precisa se relacionar com seu pai, personagem de Lázaro, que age de maneira ríspida e não respeita o jeito do menino ser e se expressar.
Yuri resiste a uma série de provações e dá a mão ao espectador para mostrar seu mundo, contra todas as estatísticas. “A opção desse herói é muito legal porque dá protagonismo a um personagem que, em outros filmes e situações, seria coadjuvante sem muita história. Ele tem história, ele está pleno, ele está dizendo: ‘Eu sou assim.’ Em nenhum momento ele se nega a ser quem ele é. Ele não passa pelo momento do herói da dúvida de aceitar o poder ou não. Ele sabe: ‘Eu sou poderoso, eu sou assim. Você que está errado de não me aceitar do jeito que eu sou’. Então dá uma tinta diferente”, afirma o ator Lázaro Ramos.
Sobre a relação difícil entre pai e filho, o ator considera que gera empatia porque toca em um ponto muito humano a qualquer pessoa. Para ele, essa construção desafia a dicotomia entre bem e mal, até porque não é exatamente sobre isso. “Não é um vilão que está num lugar comum, mas um vilão que a gente diz assim, eu podia ser esse vilão, porque às vezes eu quero controlar o jeito do outro existir”, pondera.
Por retratar uma cidade impactada pela construção de uma barragem, o tema da saúde mental da população se torna a peça central do filme. O diretor Allan Deberton conta que há elementos autobiográficos na história. “É um filme que tenta ilustrar um pouco desses acontecimentos que aconteceram em várias cidades. Meu pai mesmo nasceu em uma cidade que depois se tornou um grande açude e importante no Ceará, que é o açude do Castanhão. E a gente acha importante colocar sobre o subtexto da narrativa um lugar político dessas pequenas transformações geográficas em prol da modernidade e da atualização das cidades”, relata.
Lázaro Ramos revela que ele também veio de uma cidade inundada por conta da construção de barragem, mas procura enfatizar que o filme vai muito além dessa temática. “Fala sobre carinho, infância, política de cuidado, respeito aos mais velhos, Alzheimer e sobre todas as formas de amar”, resume.
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