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Presidente de Israel escolhe rival de Netanyahu para formar governo, mas ele rejeita aliança com partidos árabes

Com apoio de 67 deputados, incluindo 19 de partidos palestinos, Eisenkot terá 28 dias para negociar uma coalizão

Manifestantes exibem cartaz com o número 67 durante ato em Jerusalém, na quinta-feira (5), em defesa da formação de um novo governo em Israel. O número representa os deputados que indicaram Gadi Eisenkot, principal rival de Benjamin Netanyahu, para tentar formar uma coalizão.
Israeli people hold a rally with a sign reading “67” and call for the establishment of a new administration at a park in the center of Jerusalem, Israel, on November 5, 2026. On the same day, President Isaac Herzog announced that 67 lawmakers, who make up a majority of the seats in the national legislature, recommended Gadi Eisenkot, the former Israeli Chief of the General Staff, as the preferred candidate to form a cabinet following the general election held on October 27. ( The Yomiuri Shimbun ) (Photo by Toshiyuki Fukushima / The Yomiuri Shimbun via AFP) | Crédito: Toshiyuki Fukushima/Yomiuri/AFP

O presidente de Israel, Isaac Herzog, anunciou neste sábado (7) que encarregará o ex-general Gadi Eisenkot, principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de formar o próximo governo do país. Eisenkot recebeu o apoio de 67 dos 120 deputados eleitos, incluindo os 19 representantes dos partidos palestinos, mas já declarou que não pretende incluí-los em sua coalizão. A indicação será formalizada neste domingo (8).

As consultas realizadas pelo presidente terminaram na quinta-feira (5) com 67 indicações a Eisenkot e 46 a Netanyahu. Outros sete deputados, do partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá, não recomendaram nenhum candidato, apesar de integrarem o bloco que sustentava o atual primeiro-ministro. O afastamento está relacionado às divergências sobre a isenção do serviço militar obrigatório para estudantes religiosos.

A escolha de Herzog não determina imediatamente quem governará Israel. Embora tenha recebido o apoio da maioria dos parlamentares, Eisenkot ainda não possui uma coalizão definida. Seus principais aliados rejeitam acordos com partidos de maioria árabe, enquanto Netanyahu tenta preservar o apoio das forças de direita e religiosas.

Antes de anunciar a decisão, Herzog reconheceu que, apesar da vantagem de Eisenkot nas indicações parlamentares, a formação de um governo permanece incerta diante dos vetos entre os partidos. O presidente realizou novas conversas com lideranças políticas, incluindo Netanyahu e Eisenkot, antes de comunicar sua escolha neste sábado.

Partidos palestinos apoiam rival, que rejeita sua participação no governo

A Lista Conjunta, que reúne Hadash, Ta’al e Balad, e o Ra’am, de orientação islâmica conservadora, foram responsáveis por ampliar de 48 para 67 o número de deputados que recomendaram Eisenkot. As duas formações conquistaram juntas 19 cadeiras nas eleições de 27 de outubro, um recorde para os partidos de representação palestina em Israel.

Apesar do apoio, Eisenkot declarou incluirá essas legendas no governo caso não aceitem determinadas condições. Entre elas estão o reconhecimento de Israel como Estado judeu e democrático, a obrigatoriedade do serviço militar ou nacional e o reconhecimento do Hamas como organização terrorista, além do compromisso com o desmantelamento de suas estruturas militares e de governo.

A Lista Conjunta, que elegeu 11 deputados, decidiu recomendar Eisenkot mesmo diante dessas restrições. Seu presidente, Yousef Jabareen, afirmou que a decisão responde ao desejo dos eleitores de substituir Netanyahu e enfrentar a discriminação contra os cidadãos palestinos de Israel.

“Não estamos escolhendo entre o bom e o melhor, mas entre o que consideramos ruim e ainda pior”, declarou Jabareen durante as consultas com Herzog.

O deputado Ahmad Tibi, também da Lista Conjunta, afirmou à Associated Press que o grupo está disposto a contribuir para a formação de um governo contrário a Netanyahu sem necessariamente integrar a coalizão. Uma das possibilidades seria oferecer apoio parlamentar externo ou se abster de votações decisivas.

O Ra’am, que conquistou oito cadeiras, demonstra maior abertura à participação no governo. Mansour Abbas já integrou uma coalizão contrária a Netanyahu em 2021 e voltou a defender a cooperação política. Durante as consultas presidenciais, questionou as exigências feitas aos parlamentares árabes e afirmou que seu partido rejeita a violência contra civis.

A orientação sionista dos principais partidos de oposição, entretanto, continua sendo um obstáculo. Naftali Bennett e Avigdor Lieberman resistem a uma coalizão dependente dos partidos palestinos, enquanto Yair Golan, dos Democratas, defende maior abertura ao diálogo.

Em entrevista recente ao Brasil de Fato, Yoáv Goldring, do Partido Comunista de Israel, avaliou que essa posição limita as possibilidades de mudança na política israelense para os palestinos. Segundo ele, mesmo setores da oposição que admitem discutir a criação de um Estado palestino mantêm posições favoráveis à expansão dos assentamentos nos territórios ocupados.

Netanyahu perde aliado

O resultado das consultas também evidenciou o enfraquecimento de Netanyahu. Seu bloco conquistou 53 cadeiras nas eleições, mas apenas 46 deputados recomendaram sua permanência. O Judaísmo Unido da Torá, tradicional aliado do Likud, decidiu não indicar o primeiro-ministro por divergências sobre o recrutamento militar.

A decisão abriu espaço para negociações entre a oposição e os partidos ultraortodoxos. Avigdor Lieberman, que historicamente se opõe às isenções concedidas a estudantes religiosos, sinalizou disposição para discutir um acordo com essas legendas para retirar Netanyahu do poder.

Sem os árabes, os quatro principais partidos oposicionistas somam 48 cadeiras. Caso obtivessem o apoio do Judaísmo Unido da Torá, com sete deputados, e do Shas, com seis, chegariam aos 61 assentos necessários para formar uma maioria parlamentar. O Shas, outro partido ultraortodoxo e tradicional aliado de Netanyahu, porém, recomendou a permanência do primeiro-ministro e não anunciou qualquer mudança de posição.

Outra possibilidade seria um governo minoritário sustentado por votos ou abstenções dos parlamentares palestinos. Essa alternativa também enfrenta resistência entre os aliados de Eisenkot, que prometeram durante a campanha não depender dessas legendas.

O impasse ocorre mesmo com a anunciada disposição dos partidos oposicionistas em substituir Netanyahu. Em reunião realizada na terça-feira (3), Eisenkot, Bennett, Lieberman e Golan concordaram em iniciar negociações e coordenar sua atuação parlamentar, mas não anunciaram um acordo de coalizão.

Eisenkot receberá formalmente o mandato neste domingo (8) e terá 28 dias para formar governo, com possibilidade de prorrogação por mais 14. O novo Knesset tomará posse na terça-feira (10), quando os partidos oposicionistas também pretendem disputar o controle da presidência do Parlamento.

Netanyahu permanecerá no cargo até a posse de um novo governo. Caso as negociações fracassem e não seja possível construir outra maioria, Israel poderá enfrentar uma nova eleição.

Editado por: Rodrigo Chagas

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