As fortes chuvas registradas na Faixa de Gaza inundaram cerca de 70 mil tendas de famílias de palestinos deslocados nas primeiras 12 horas da tempestade de inverno neste sábado (7).
O temporal atingiu acampamentos espalhados por todo o território, incluindo Deir el-Balah, Khan Younis e a Cidade de Gaza, onde o nível da água subiu entre 30 e 40 centímetros, submergindo roupas, colchões e alimentos.
De acordo com a Defesa Civil de Gaza, as equipes responderam a mais de 1,5 mil chamados de socorro durante a madrugada, atuando sem equipamentos ou insumos básicos para conter o alagamento nos acampamentos.
Além do alagamento de barracos, rajadas de vento provocaram o colapso de dezenas de muros e tetos de edifícios fragilizados por bombardeios anteriores, deixando feridos e forçando famílias a buscarem abrigo ao ar livre. No acampamento de al-Mawasi, na faixa litorânea, mais de 125 mil famílias correm risco iminente com o avanço do mar sobre os barracos de plástico e pano.
A situação de emergência atingiu também o Complexo Médico al-Shifa, na Cidade de Gaza, onde o setor de emergência ficou fora de serviço por quatro horas após o transbordamento de água misturada ao esgoto.
Médicos ouvidos pela rede Al Jazeera alertaram para o risco de morte de bebês prematuros devido ao frio e para o avanço de infecções respiratórias e gastrointestinais nas áreas de abrigo.
Em comunicado divulgado pela agência AFP, o governo local e a comissão de emergência informaram que o território necessita com urgência de 200 mil casas pré-fabricadas e máquinas pesadas para a remoção de escombros, apontando o bloqueio de materiais de infraestrutura por Israel como o principal fator de agravamento da crise.
Dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que cerca de 950 mil pessoas deslocadas vivem em áreas de alto risco de inundação na Faixa de Gaza.
Das 294 mil famílias que necessitam de assistência prioritária para o inverno, os suprimentos disponíveis no território cobrem apenas 18% da demanda, enquanto milhares de tendas adicionais permanecem retidas na fronteira.


