Olá, Flávio Bolsonaro colhe os louros, mas quem dita a ofensiva contra Lula é a Faria Lima.
.Ataque coordenado. Terminadas as convenções, é que a campanha começa mesmo. Em poucos dias, Lula sofreu golpes em diferentes flancos. A orquestração dos ataques fica evidente quando os três maiores jornais do país estampam a mesma manchete no mesmo dia sobre Lulinha, o primeiro alvo. A tentativa de associar o entorno da presidência ao escândalo do INSS foi seguida por denúncias de valores recebidos pelo ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, o que causou a primeira baixa com seu afastamento da coordenação de campanha. Tudo isso turbinado por postagens da campanha de Flávio nas redes sociais. O outro flanco foi a divulgação dos documentos sobre Jaques Wagner no inquérito do Banco Master. Tanto a abertura de inquérito contra Lulinha como as revelações sobre o ex-líder do governo têm em comum investigações da PF e a autorização de André Mendonça. Mas não significa necessariamente um jogo combinado, pelas tensões registradas entre a PF e o ministro do STF. Além dos ataques diretos, Lula também enfrenta a pressão da Faria Lima, disfarçada nos editoriais como “preocupações do mercado”, que visa, nas palavras de Igor Felipe, “diante das dificuldades para derrotar Lula nas urnas, sequestrar seu próximo governo e tutelar a política econômica”. E se o governo quiser reforço na munição, não conte com a ajuda do Congresso para destravar pautas importantes, como o fim da 6×1. Se é para o Legislativo voltar a trabalhar, só se for para ajudar o agronegócio. Também não conte com Gabriel Galípolo, que não atrapalhou nem ajudou ao reduzir pela quarta vez seguida a taxa Selic, mas cortando apenas 0,25%, o que mantém o Brasil na dianteira dos maiores juros do mundo. Apesar disso, o maior problema de Lula não vem de dentro das fronteiras nacionais. A ação de Trump para influenciar as eleições brasileiras segue escalando, com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington e a continuidade dos ataques pela via argentina. E nesta guerra, Lula não pode contar nem com seu Ministro da Defesa.
.PL em dose dupla. A nova ofensiva da direita, mas principalmente dos jornalões, contra o governo surtiu efeito. Depois de semanas estabilizadas, as pesquisas apontam uma queda nas intenções de votos em Lula e uma recuperação de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL também parece ter encontrado seu mote de campanha: combate à corrupção e segurança pública (surpresa!). Com isso, os escândalos do INSS, Lulinha, Jaques Wagner e temas afins devem continuar em destaque. Mas nem por isso os problemas do candidato bolsonarista ficaram para trás. Depois de procurar desesperadamente uma mulher para compor sua chapa, Flávio teve que se contentar com um homem de seu próprio partido que, ainda na véspera, havia sido lançado como candidato ao Senado. O que determinou a jogada improvisada foi uma mudança no comportamento do centrão, hoje mais interessado em garantir seus mandatos legislativos e gordas emendas do que apoiar um candidato a presidente. O que passa também pelos interesses regionais. De um lado, a possibilidade da senadora Tereza Cristina (PP-MS) se tornar vice de Flávio foi inviabilizada por um acordo de não agressão entre o PT e o PP no Piauí, que deve beneficiar a reeleição de Ciro Nogueira ao Senado, e ela mesma talvez prefira ser presidente do Senado que vice-presidente da República. Por outro lado, a indicação de Alfredo Gaspar ajudou a tirar do caminho um concorrente à vaga no Senado por Alagoas, favorecendo a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) contra seu arquirrival Renan Calheiros (MDB-AL). Mas, mesmo que as pesquisas deem esperanças a Flávio, a longo prazo sua vida tende a ser difícil. É verdade que ele conseguiu galvanizar os eleitores da direita e conquistar uma parcela dos independentes. Porém, seu crescimento ocorreu principalmente entre os homens, e o público feminino ainda simpatiza majoritariamente com Lula. Situação que pode piorar quando o currículo de seu vice vier à tona, especialmente a acusação de estupro contra uma adolescente de 13 anos. Nesse caso, um plano B poderia ser a indicação de Michelle Bolsonaro como vice de Flávio em uma chapa puríssimo sangue. Por fim, assim que a campanha começar, a debandada dos partidos do centrão deve pesar, revertendo-se em pouca “máquina” eleitoral em estados decisivos como Rio de Janeiro e Minas Gerais.
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*Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

