Olá, Lula enfrenta o poder da extrema direita e das big techs com o que tem de melhor: a militância nas ruas e nas redes, e a política social.
.Sinais, fortes sinais. As pesquisas eleitorais dessa semana trouxeram boas notícias para a campanha de Lula. Na prática, o presidente aparece tecnicamente empatado com Flávio em todos os institutos. Mas, ainda melhor, aumentou a rejeição de Bolsonarinho entre os mais jovens e melhorou o desempenho de Lula entre os que não foram votar no primeiro turno. Os votos dos candidatos nanicos da direita se dividiram entre os dois, e a aprovação e rejeição ao governo oscilaram um ponto. Os resultados são uma combinação da mobilização que tomou as ruas nos últimos dias, muitas vezes por iniciativas independentes da coordenação de campanha, e da mobilização nas redes, também com muitas experiências descentralizadas. Um quadro muito diferente da apatia da campanha petista no primeiro turno. Junto a isso, as medidas do governo, especialmente a vitória do fim da escala 6×1 no Congresso, não só ajudaram as mobilizações, como deixaram o PL e Flávio num beco sem saída. Também conta pontos o pacote para favorecer os trabalhadores com MEI; cerca de 10% dos eleitores estão concentrados em regiões onde Lula perdeu votos. Um outro indicativo de que os ventos estão mudando é que o MDB, termômetro do fisiologismo, rachou e parte dos seus diretórios decidiu apoiar Lula e não seguir a linha oficial de apoio a Flávio. Obviamente, não tem nada ganho e o tempo pode ser curto para uma virada definitiva, mas também é sinal de que não há nada resolvido. Além disso, hoje, o maior obstáculo para a campanha de Lula está justamente no Tribunal Superior Eleitoral, onde Kássio Nunes faz o que pode para complicar a vida da campanha lulista, especialmente contra as iniciativas de André Janones. Chegamos ao ponto de ver o TSE criar a fake news de que o “Exército do Lula” no WhatsApp dissemina fake news, contrariando os técnicos do próprio Tribunal. E André Mendonça, que andava desaparecido depois da lambança que provocou no primeiro turno, também não deixou de fazer das suas, como suspender um julgamento em que suas decisões favoráveis a Flávio seriam derrubadas. Jogando combinado com o TSE estão as big techs, desregulamentadas, livres e soltas quando se trata de postagens de Flávio, mas ágeis para desengajar os conteúdos ligados ao petista. E, se o PT está fazendo as pazes com os MEIs, está longe de alcançar o agronegócio, um setor leal e fiel ao bolsonarismo, apesar do oceano de recursos que recebeu do governo, e com capacidade de influenciar o eleitor dos municípios onde está presente. Por outro lado, a campanha pode ganhar um novo impulso com a aprovação da PEC da Segurança e, principalmente, com a continuidade das mobilizações de rua que, se não forem capazes de virar o jogo, pelo menos sinalizam que um governo Bolsonaro vai ter que enfrentar a oposição nas ruas.
.O grande mentiroso. A campanha do PL vive um dilema na reta final da eleição. Acreditando que a diferença de 2,2 milhões de votos contra Lula era suficiente, Flávio iniciou a campanha do segundo turno em clima de “já ganhou”. Bolsonarinho sentiu-se à vontade para discutir cargos e ministérios, enquanto seus aliados articulavam a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado. No entanto, a estratégia minguou na mesma proporção em que a campanha petista cresceu. Desesperado e percebendo que as medidas aprovadas por Lula eram populares, Flávio obrigou-se a fazer o L. Posou de bom moço e negou seu próprio programa neoliberal em nome da continuidade dos programas sociais criados por Lula. Porém, o vale-tudo eleitoral acabou gerando desconfiança no eleitor e no mercado. A malandragem de Flávio não agradou a Faria Lima, que sonha com um programa de austeridade e desconfia que o candidato do PL possa estar interessado apenas no poder. Mas a verdade é que o mercado não tem do que reclamar. Afinal, Flávio pretende reabilitar uma parte da equipe econômica de Paulo Guedes caso seja eleito. Bolsonaro Júnior também fez um pró-forma a favor do fim da escala 6×1, mas não apareceu no Senado para discutir e votar a matéria e continua articulando uma futura reversão da medida. Além disso, continua prometendo mundos e fundos para o mercado, o que inclui a elevação da idade mínima para se aposentar, a desvinculação entre o piso da previdência e o salário mínimo e uma revisão do Bolsa Família. Outra falha estratégica da campanha do PL foi acreditar que seu domínio nas redes era imbatível. Mas, mesmo com uma ajudinha das big techs e de Kássio Nunes, influencers da extrema direita reclamam que a atuação digital bolsonarista está perdendo espaço para a campanha de Lula. E, quando a massa lulista saiu para as ruas e mostrou que havia vida além das telinhas, o bolsonarismo se viu nu. O retrato da desmobilização foi a presença de Flávio em um comício esvaziado no Rio Grande do Sul no mesmo dia em que o país todo assistia à votação do fim da escala 6×1 no Senado, lugar onde o senador do PL deveria estar.
.Ponto Final: nossas recomendações.
.Trumponaro: como um governo de Flávio pode imitar a presidência de Trump no Brasil? James Green calcula as prováveis medidas de um governo Flávio repetindo as políticas de Trump nos EUA. Na Pública.
.Como a IA ajuda bilionários a terem uma vida sem impedimentos. O Núcleo desmascara o mundo dominado pelos bilionários das big techs, que têm o direito ilimitado de fazer o que quiserem, enquanto você deve obedecê-los.
.O Brasil digitalizou a exclusão. Como a digitalização acentuou o analfabetismo funcional e a desigualdade social no Brasil. Na Jacobin.
.O novo Brasil que a política (ainda) ignora. Marcio Pochmann explica por que a luta por soberania tecnológica é politicamente decisiva para o país. No Outras Palavras.
.A política com P maiúsculo nos últimos anos de vida de Elza Soares. O Farofafá relembra quando Elza Soares decidiu abraçar os combates políticos na sua carreira.
*Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.
**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.


