Boletim Ponto

O Ponto é editado por Lauro Allan Almeida e Miguel Enrique Stédile, do Front – Instituto de Estudos Contemporâneos, e é publicado todas as sextas-feiras.

Estaremos nas ruas

Mais de um milhão de pessoas lotam a Avenida Paulista, em apoio ao presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert)
Multidão de pessoas na avenida Paulista em apoio à reeleição do presidente Lula | Crédito: Ricardo Stuckert

Seja como for, saiba que você participou de uma das eleições mais desiguais da história do Brasil

Olá!

O que escrever que todo mundo já não saiba?

O que está em jogo neste segundo turno é muito mais do que o resultado das eleições ou dos próximos quatro anos. O que realmente está sendo decidido é em que tipo de país viveremos nas próximas décadas e o lugar que o Brasil vai ocupar no mapa da geopolítica global. 

Um hipotético governo Flávio Bolsonaro não teria nada de moderação, e os contra-freios institucionais dificilmente garantiriam os direitos democráticos. Pelo contrário, seguindo a lógica de que o pior Congresso brasileiro é sempre o próximo, vamos ter duas casas com maiorias de extrema direita e um STF convulsionado e com ministros ávidos por fazer acordos que salvem o próprio pescoço. Também é óbvio que será mais um governo submisso à Donald Trump e que, portanto, minerais críticos, petróleo e tudo o que os Estados Unidos demandarem, incluindo os nossos dados desejados pelas big techs, serão entregues.

Todos nós já conhecemos também o programa econômico dos Bolsonaros, sem reajustes salariais, com congelamento das aposentadorias e cortes de direitos trabalhistas e sociais. Sem contar os retrocessos na política ambiental, cultural e civilizatória, incluindo ataques aos direitos das crianças e adolescentes, indígenas, mulheres, população negra e LGBTQIA+ tão odiados pelos Bolsonaros e seus aliados. Podemos ter dúvida sobre quando Vorcaro e Jair serão libertados, mas não sobre o quanto é temeroso entregar a Presidência da República a alguém que acumula dezenas de suspeitas e investigações.

Por outro lado, se Lula ganhar, a vida também não promete ser fácil. Teremos que enfrentar com unhas e dentes um Congresso ávido por retirar direitos e emparedar o governo. Mas seguiremos tendo o direito de lutar e sonhar com dias melhores.

Portanto, se você está lendo isso antes de domingo (25), as próximas horas serão decisivas. Cada ação e cada voto contam, e o diálogo nunca foi uma arma tão importante, seja ele com ex-bolsonaristas, conservadores, eleitores de direita, indecisos, pessoas que não foram votar, etc. 

Seja como for, saiba que você participou de uma das eleições mais desiguais da história do Brasil. O comportamento da Meta e de outras big techs fez o debate de 1989 parecer coisa de criança. Assim como o comportamento militante do TSE, a coerção dos patrões e muitas outras irregularidades já conhecidas ou que ainda virão à tona. 

Se você estiver lendo isso no futuro, esperamos que esteja sorrindo. Porque foi também uma eleição em que milhões de cidadãos comuns sentiram-se como soldados de um exército que defende o direito ao futuro. Uma eleição em que a juventude, junto com milhões de trabalhadores, ocupou as ruas e protagonizou manifestações que são e serão fundamentais para garantir conquistas ou evitar retrocessos.

As análises e reflexões voltam na próxima semana.

Agora, vamos à luta!

*Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Geisa Marques

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