Brasil Popular

A coluna do Movimento Brasil Popular é publicada quinzenalmente às quartas-feiras. Escrita por militantes do movimento de todo o Brasil, ela aborda temas relacionados à política brasileira, luta ideológica e os desafios da esquerda na organização popular.

A batalha pelo futuro

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato ”Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais” na Avenida Paulista, em São Paulo - SP.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato ”Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais” na Avenida Paulista, em São Paulo – SP. 11.10.2026 | Crédito: Ricardo Stuckert

A virada política nas ruas e nas redes também repercutiu na coordenação da campanha Lula, que passou a incorporar com maior força o clamor popular

No dia 5 de outubro, um dia após o resultado amargo do primeiro turno das eleições presidenciais, cerca de 2 mil estudantes da Universidade Federal Fluminense tomaram as ruas de Niterói em defesa da democracia e dos direitos do povo.

No dia seguinte, 6 de outubro, milhares de jovens, empunhando cartazes com palavras de ordem como “Ditadura Nunca Mais”, “Fim da Escala 6×1” e “Em Defesa do SUS”, concentraram-se na Candelária, no centro do Rio de Janeiro, e caminharam até a Cinelândia, na mobilização intitulada “Juventude na Rua pela Democracia”. Na sequência, centenas de milhares de pessoas, sobretudo jovens, ocuparam as ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, São Luís, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, nacionalizando as mobilizações de massa em apoio à candidatura Lula.

Esse levante da juventude expressou o temor diante da possibilidade real de perda da soberania nacional, das liberdades democráticas e dos direitos sociais, tais como a ampliação do acesso à universidade, o Bolsa Família e o Sistema Único de Saúde (SUS). Mais do que uma reação eleitoral, a mobilização marcou a entrada em cena de uma nova geração de jovens na luta política brasileira. Historicamente, a participação da juventude tem sido um termômetro político de profundas transformações sociais.

Essas mobilizações ganharam ainda mais fôlego com a presença de diversas gerações da esquerda brasileira, com idades, cores e gêneros diferentes. Famílias inteiras se organizaram para ir às ruas, dos idosos às crianças, defender a democracia. Também cabe destacar o papel imprescindível de dezenas de milhares de voluntários, que se auto-organizaram para ir aos bairros, em especial das periferias, virar votos e transformar abstenção e indecisão em apoio à reeleição de Lula. 

11.10.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato ”Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais” na Avenida Paulista, em São Paulo – SP. Foto: Ricardo Stuckert | Crédito: Ricardo Stuckert

Nas redes sociais, a atuação do deputado federal André Janones e do “Exército do Lula”, reunindo artistas, personalidades públicas e milhões de brasileiros, alterou a dinâmica da disputa política. Essa mobilização digital ampliou a capacidade de comunicação da campanha e tem sido fundamental para enfrentar a desinformação, a manipulação algorítmica e as denúncias de censura envolvendo a Meta e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Todo esse trabalho tem surtido efeito. A maior parte das pesquisas eleitorais indica empate técnico, com tendência ao crescimento de Lula e à queda de Flávio Bolsonaro. Pela primeira vez, nos últimos dados divulgados pelo Datafolha, a rejeição do bolsonarista ultrapassou a rejeição ao candidato do campo democrático. 

A virada política nas ruas e nas redes também repercutiu na coordenação da campanha Lula, que passou a incorporar com maior força o clamor popular por medidas programáticas capazes de apresentar uma alternativa de futuro para a sociedade brasileira. As mobilizações de massa no segundo turno presidencial arrancaram conquistas históricas, como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1; o perdão das dívidas dos microempreendedores individuais, com a criação de um novo teto de faturamento para o MEI; e o anúncio de uma PEC para instituir a Tarifa Zero nos transportes públicos aos finais de semana em todo o território nacional. 

Ao longo do segundo turno, constituiu-se um amplo movimento na sociedade brasileira contra Flávio Bolsonaro e a possibilidade de retorno do bolsonarismo ao Governo Federal. Pela dimensão e pelo significado político de sua mobilização, esse movimento é comparável à campanha das Diretas Já e ao Fora Collor. A esquerda brasileira, pela primeira vez desde junho de 2013, tem a hegemonia das ruas e das redes sociais.

Estamos, possivelmente, diante do início de um novo ciclo das lutas sociais no Brasil. Será esse movimento suficiente para derrotar a candidatura de Flávio Bolsonaro? Ainda não sabemos. O resultado eleitoral permanece incerto e poderá ser decidido voto a voto. Até domingo, todo esforço será decisivo. É tarefa de todos os revolucionários, democratas e nacionalistas estimularem as mobilizações de massas e ações de vira-voto nas redes e nos territórios! 

Mas uma coisa já está colocada: a mobilização de massas reabriu o debate sobre o futuro e sobre a capacidade de a esquerda brasileira apresentar um projeto de país capaz de mobilizar amplas parcelas da classe trabalhadora, jovens, mulheres, negros e negras e população LGBT. A capacidade de mobilização da esquerda brasileira e de enfrentamento ao fascismo, com certeza, é muito maior hoje do que quando entramos na disputa eleitoral. 

11.10.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato ”Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais” na Avenida Paulista, em São Paulo – SP. Foto: Ricardo Stuckert | Crédito: Ricardo Stuckert

Independentemente do resultado eleitoral, esse movimento terá um papel decisivo nos próximos anos. Em caso de vitória de Lula, poderá impulsionar a construção de uma nova ”governabilidade popular”, enfrentando os limites de um Congresso Nacional ultraconservador. Em caso de derrota, será uma força fundamental na resistência a um eventual governo Flávio Bolsonaro, defendendo a soberania nacional, a democracia e os direitos conquistados pelo povo brasileiro. No entanto, esse amplo movimento de massas já teve o mérito de desinterditar o debate sobre o futuro na esquerda brasileira.

Em uma live realizada na última quinta-feira com Janones, o presidente Lula afirmou: “A participação do povo nesta campanha, a saída na rua dos estudantes, das mulheres, dos trabalhadores, vai nos obrigar a fazer um novo jeito de governar este país. Este país nunca mais será o mesmo”. Esperamos que o presidente Lula esteja certo e que, além de vencermos as eleições presidenciais deste domingo, possamos mudar radicalmente a forma de governar o país, com a participação direta do povo brasileiro nos rumos da nação.

*Paulo Henrique Lima e Ana Carolina Vasconcelos são membros da Coordenação Nacional do Movimento Brasil Popular.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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