Ouvimos muito que o terceiro governo Lula não entregou o que prometeu, que exagerou prometendo picanha a preço baixo. Para sermos justos, a inflação acumulada da picanha desde o primeiro dia do governo foi de 7,81%, bem abaixo da inflação geral de 17,9%, e ainda menor do que o crescimento da renda nominal deste mesmo período, que foi de 35,1%. Ou seja, sim, dá para comprar mais picanha do que na época do Bolsonaro. Mas isso não importa, a picanha é irrelevante na cesta de produtos do brasileiro. O que eu quero provar aqui é que o governo Lula tem muito o que mostrar. A vida do brasileiro melhorou, e a economia como um todo também. Por isso, reuni aqui 43 indicadores econômicos ou sociais que atingiram seus recordes ao longo destes quase quatro anos. Recorde, aqui, é o melhor ponto de toda a série disponível, superando tudo o que veio antes. Todos eles foram retirados de fontes oficiais (salvo um dado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e podem ser verificados. Não afirmo que o governo causou cada número, mas todos ocorreram sob o terceiro mandato, e é difícil acreditar que não tenham relação com as políticas públicas deste período.
Trabalho e renda. O rendimento médio real do trabalho chegou a R$ 3.804 no trimestre encerrado em março de 2026, 6% acima do melhor valor anterior. A massa de rendimentos, que soma o que todos os trabalhadores ganham, atingiu R$ 385,6 bilhões, 21% acima do pico anterior a 2023. A taxa de desocupação caiu a 5,1% no fim de 2025, a menor da série iniciada em 2012, e a subutilização da força de trabalho (que inclui quem trabalha menos do que gostaria) foi a 12,9%, também a menor. O país tem 103,5 milhões de pessoas ocupadas, 5,6 milhões a mais que o melhor momento anterior, e o nível de ocupação chegou a 58,9% da população em idade de trabalhar. São 39,45 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado, e o estoque de empregos formais do Caged chegou a 48,24 milhões em agosto de 2026. É mais gente trabalhando, com proteção e ganhando mais.
Desigualdade, pobreza e fome. A renda domiciliar per capita foi a R$ 2.264 em 2025, 19% acima de 2019, e a dos 10% mais pobres, a R$ 268, 32% acima do melhor valor anterior. O índice de Gini, que mede a desigualdade, caiu a 0,504 em 2024, o menor da série. A pobreza chegou a 23,1% da população e a extrema pobreza a 3,5% em 2024, ambas as menores desde 2012. A insegurança alimentar grave atingiu 3,1% dos moradores, o menor entre as medições desde 2004.
Educação e vida. A taxa de analfabetismo de quem tem 15 anos ou mais foi a 4,9%, o ensino superior completo alcançou 18% dos maiores de 14 anos e 95% dos domicílios usam internet (séries da PNAD Contínua, desde 2016). O Ideb de 2025 foi o maior desde 2005 nas três etapas: 6,3 nos anos iniciais, 5,3 nos finais e 4,5 no ensino médio. O IDH subiu a 0,786 e a esperança de vida ao nascer a 76,6 anos (projeção do IBGE para 2024), a maior da série desde 2000. A taxa de mortes violentas intencionais caiu a 19,1 por 100 mil habitantes em 2025, a menor da série iniciada em 2012 e 16% abaixo de 2022, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Atividade econômica. O PIB em volume está 9,9% acima do pico anterior a 2023, e o consumo das famílias, 9,3%. As exportações em volume, o valor adicionado da agropecuária, o varejo e os serviços também bateram recordes, com altas de 19,5%, 21,2%, 5,4% e 6,1% sobre as marcas anteriores. A atividade avançou, portanto, tanto pelo consumo interno quanto pelas vendas ao exterior.
Campo e energia. A safra de grãos de 2025/26 é estimada pela Conab em 361,7 milhões de toneladas, 30% acima do recorde anterior, e os abates de bovinos, suínos e frangos bateram máximas, 28%, 9% e 10% acima dos picos anteriores. A produção de petróleo chegou a 4,6 milhões de barris por dia em agosto de 2026, 42% acima do melhor mês anterior a 2023, e a de gás natural a 220,5 milhões de metros cúbicos por dia, 48% acima. A eólica e a solar chegaram a 36% da geração elétrica do sistema em setembro de 2025, e o consumo de energia na rede chegou a 567 TWh em 2025, 11% acima do recorde antigo. As vendas de diesel, termômetro do transporte de cargas, subiram a 69,5 bilhões de litros. Mais comida, mais energia limpa e mais combustível produzido no país.
Contas externas, arrecadação e turismo. As exportações somaram US$ 348,3 bilhões em 2025, e o superávit comercial de US$ 98,9 bilhões em 2023 foi 61% maior que o recorde anterior. A arrecadação federal, em valores reais, chegou a R$ 2,93 trilhões em 2025, 13,5% acima do pico antigo, o que amplia os recursos para saúde, educação e programas sociais, sem contar que aumentou a justiça tributária. O Brasil recebeu 9,29 milhões de turistas estrangeiros, 40% a mais que o recorde anterior (2018), e 130,7 milhões de passageiros pagaram passagem aérea em 2025.
A economia não vai mal, pelo contrário: o trabalhador ganha mais, há mais empregos formais, a pobreza e a fome estão nos menores níveis das séries, o país produz mais e arrecada mais. São 43 marcas históricas atingidas em menos de quatro anos. E não podemos deixar que esse jogo se inverta.
*Eric Gil Dantas, economista do Ibeps (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais), é doutor em Ciência Política pela UFPR.
** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.


