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A saída para a crise do STF está nas ruas

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Manifestantes pedem investigação sobre o dinheiro que Flávio Bolsonaro pediu para Vorcaro | Crédito: Luciléia Miranda

O ministro Mendonça atua com parcialidade

Nos últimos dias, a conjuntura brasileira se acirrou profundamente com a disputa instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo estopim foram as recentes ofensivas entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Como pano de fundo imediato da disputa está a investigação do escândalo do Banco Master – e a relação dos ministros com Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco e o principal investigado como responsável pela fraude financeira.

Entre acusações, pedidos de investigação, quebras de sigilo, afastamentos e polêmicas em plenário, o que essa crise já representa é, objetivamente, uma movimentação intencional de disputa política e desestabilização de uma instituição brasileira. A menos de um mês do primeiro turno das eleições, o STF vira um ringue para incidir na disputa colocada no processo eleitoral. 

E, mais uma vez, o princípio de separação entre os três poderes é posto em questão quando a movimentação do ministro André Mendonça é automaticamente e orquestradamente incorporada na narrativa da extrema-direita em sua ofensiva contra o governo Lula.  Não é a primeira vez que o Judiciário brasileiro é palco de uma disputa que visa incidir nos rumos políticos do país – o golpe contra a Presidenta Dilma é um nítido exemplo disso.

O ministro Mendonça – que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro -, por sua vez, não parece se furtar de atuar abertamente e com parcialidade como um porta-voz dos interesses da extrema-direita no Judiciário. Exemplo disso foi ter ordenado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a pedido do Partido Novo. Andrei foi responsável por conduzir as investigações que levaram à prisão de Daniel Vorcaro e às principais descobertas do escândalo do Banco Master. 

Ocupar as ruas dia 13

Não é novidade que a sociedade brasileira necessita de uma reforma do sistema político e do Judiciário, com a implementação de medidas eficazes de transparência e de combate à corrupção. 

Contudo, diante de um cenário em que as investigações sobre o Banco Master tem exposto cada vez mais a forte relação entre Daniel Vorcaro e representantes da extrema-direita, como é o caso do próprio candidato Flávio Bolsonaro e de Nikolas Ferreira (Partido Liberal), o povo brasileiro se vê diante de mais uma cortina de fumaça do bolsonarismo. 

 Presidente da PF prendeu Vorcaro e fraudadores do INSS

Em um contexto em que analistas políticos vêm prevendo e demonstrando a interferência imperialista nas disputas eleitorais dos países da América Latina, a crise orquestrada no STF tem raízes muito mais profundas em um debate que é, sobretudo, sobre a soberania brasileira. 

O cenário deixa evidente: a crise no STF nunca foi apenas uma crise isolada, mas sim a expressão da disputa política entre projetos que representam, de um lado, os interesses do povo; do outro, os interesses da extrema-direita e do imperialismo norte-americano em dirigir um país repleto de riquezas naturais e recursos estratégicos. 

Por isso, as forças progressistas brasileiras se organizam para ocupar as ruas de diversas cidades brasileiras neste domingo, dia 13, em atos pela nossa democracia e pela soberania popular, e também em denúncia à tentativa de golpe em curso no STF. 

Se mais uma vez as decisões e os interesses do povo brasileiro são colocados em risco, é nas ruas, carregando todas as bandeiras das lutas pela transformação do nosso país, que se dará a resolução da crise no STF – que não começa em si, e não se encerra em si mesma.  

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Editado por: Elis Almeida

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