Por José Heleno Ferreira
Repercutiu fortemente na imprensa o fato ocorrido na noite de sexta-feira (4), quando um ator global foi vítima de um ataque homofóbico nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. O artista em questão foi alvo de uma abordagem hostil por parte de um influenciador digital, ironizando suas roupas e aparências. A situação estava sendo gravada e transmitida ao vivo nas redes sociais. Após denúncia, o caso está sendo apurado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.
Diante da repercussão, o influenciador digital negou a prática de homofobia e disse que estava apenas produzindo entretenimento.
Algumas questões que precisam ser pontuadas sobre o fato.
Como é possível afirmar que o ato de ridicularizar uma pessoa – independentemente de sua etnia, orientação sexual, gênero – e transmitir esta situação nas redes sociais é um entretenimento?
A situação diz muito sobre os desafios contemporâneos relacionados ao uso das mídias sociais, como se o espaço digital fosse uma terra sem leis. E diz também dos problemas relacionados à ausência (ou insuficiência) de uma educação das sensibilidades, de uma educação para a empatia e compromisso com a coletividade.
No caso específico, por se tratar de uma pessoa homoafetiva, há o agravante de que o Brasil ostenta, há alguns anos, o triste título de país que mais mata pessoas LGBTQIAPN+ no planeta. E, infelizmente, dados divulgados recentemente pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que os registros de homofobia e transfobia aumentaram 35,6% no Brasil entre 2024 e 2025.
Uma outra questão que precisa ser pontuada: a vítima de homofobia, neste caso, foi um homem branco, um ator global, que possui visibilidade e que, considerando a grande maioria da população brasileira, possui uma série de privilégios.
Não se trata de relativizar o fato em si ou de não reconhecer a dor do outro (no caso, do ator, vítima de homofobia). Trata-se de pensar no que enfrentam gays e lésbicas, pessoas bissexuais, homens e mulheres trans pobres e periféricos neste país.
Qual a relação deste fato com a Educação em Direitos Humanos?
Educar em Direitos Humanos é educar para o sensível, para o compromisso com os direitos fundamentais de toda pessoa humana. É também educar para a cidadania e para a participação responsável na sociedade. Uma nação que não respeita a diversidade sexual e de gênero, que não garante a todas as pessoas a liberdade de serem quem de fato são, evidencia o quanto se faz urgente educar para os direitos humanos.
A Educação em Direitos Humanos é um processo contínuo. Trata-se de construir uma cultura de promoção e defesa dos direitos de todas as pessoas. Há que se educar para o respeito e para a solidariedade, para o reconhecimento da diversidade e dos direitos fundamentais de todas as pessoas humanas. E este processo não se restringe ao espaço e aos currículos escolares.
Educar para os direitos humanos é um compromisso que precisa ser assumido por todas as pessoas que se indignam diante da injustiça, que não aceitam a violência e a desigualdade social como fatalismos. E que acreditam na importância de que todas as pessoas sejam respeitadas independentemente de etnia, religiosidade, faixa etária, gênero e orientação sexual.
Dito isso, é preciso também afirmar: homofobia não é entretenimento. É crime
José Heleno Ferreira é doutor em Educação (PUC MG), coordenador da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – Seção Minas Gerais. Email: [email protected]
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Leia outros artigos sobre direitos humanos na coluna Educação em Direitos Humanos em Pauta no Brasil de Fato.
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Este é um artigo de opinião, a visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.


