Educação em Direitos Humanos em Pauta

A coluna “Educação em Direitos Humanos em Pauta” é mantida pela Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – Coordenação Minas Gerais (ReBEDH MG) – para contribuir com a problematização da realidade socioeconômica e cultural do país e nos educarmos, continuamente, para a construção de uma cultura de respeito e promoção dos direitos humanos.

A espetacularização do ódio

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Vídeo que circula nas redes sociais mostra criança segurando objeto que parece ser uma arma de fogo | Crédito: Reprodução/Instagram

Culto à violência é utilizado pela extrema direita para manipular

Por José Heleno Ferreira

Dia 4 de outubro, brasileiros e brasileiras votaram para presidente, para os governos de seus respectivos estados e também para o legislativo: Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Logo após os resultados da apuração, uma deputada federal reeleita em Santa Catarina desfilou pelas ruas da capital com um chicote nas mãos. À medida que caminhava, chicoteava o chão e era aplaudida pelo público que a acompanhava.

No Rio Grande do Norte, numa aglomeração de pessoas vestidas de verde e amarelo comemorando os resultados da votação para presidente no primeiro turno, via-se uma criança segurando uma arma de fogo enquanto dançava e era ovacionada pelos presentes.

Estas são apenas duas entre as diversas cenas dantescas que marcaram o primeiro domingo deste mês de outubro.

Como compreender os resultados eleitorais tão adversos para a maioria da população?

Os resultados que as urnas mostraram – seja para a presidência da República, para os governos estaduais, seja para o parlamento em seus vários níveis – são desoladores para aqueles e aquelas que defendem a igualdade, a justiça e os direitos humanos. 

Como compreender o fato de que grande parcela da classe trabalhadora votou, por exemplo, em quem se opõe ao fim da escala 6×1? Que mulheres (e homens) tenham optado por reeleger parlamentares que buscaram impedir a aprovação de políticas públicas de combate ao feminicídio? Que pessoas pobres apoiaram candidaturas que têm suas trajetórias políticas marcadas por ações que contribuem para a manutenção e ou agravamento da desigualdade social?

Seguramente, não é razoável afirmar que a maioria do povo brasileiro apoia abertamente o fascismo, as milícias e a corrupção. Esse discurso, além de raso, além de não se ancorar em evidências que o confirmem, não contribui para que possamos compreender a realidade, menos ainda contribui para que possamos superá-la.

Como, então, compreender o fato de que grande parte das pessoas tenha apoiado candidaturas que vão contra seus próprios interesses

O culto à violência

As classes populares enfrentam, cotidianamente, uma série de dificuldades relacionadas à sobrevivência. Falta de moradia, transporte, segurança, alimentação e muitos outros problemas seculares que conduzem à desesperança e ao medo. Desesperança exatamente porque os problemas continuam ao longo das gerações. Medo porque há sempre a possibilidade da situação piorar. E a extrema direita tem conseguido captar e manipular esses sentimentos.

E o culto à violência é uma das formas utilizadas pela extrema direita para esta manipulação. Assim, uma mulher com o punho erguido, agitando um chicote, uma criança dançando com uma arma de fogo nas mãos são imagens emblemáticas que enaltecem o uso da força bruta e anunciam que somente através dela os problemas sociais poderão ser enfrentados.

Um discurso nefasto que manipula o sentimento de desesperança e medo de uma considerável parcela da população. E que, ao fazê-lo, garante o apoio àqueles e àquelas que são, em grande parte, responsáveis pelas situações que causam desesperança e medo.

Uma equação complexa. E que exige de nós, de todas as pessoas que defendem a dignidade humana, o combate cotidiano aos discursos e práticas de violência. E, para além disso, o compromisso com as organizações populares, com os processos coletivos que construam e sustentem utopias.

Afinal, são elas, as utopias, que nos impelem a caminhar!

José Heleno Ferreira é doutor em Educação (PUC MG) e coordenador da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – Minas Gerais. Email: [email protected]

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Leia outros artigos sobre direitos humanos na coluna Educação em Direitos Humanos em Pauta no Brasil de Fato.

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Este é um artigo de opinião, a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Editado por: Elis Almeida

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