Trabalhadores e trabalhadoras, movimento social organizado e todas as pessoas comprometidas com a defesa e a promoção dos Direitos Humanos respiraram aliviados na noite do dia 25 de outubro com a derrota eleitoral do projeto político da extrema direita. A festa tomou conta das ruas em centenas de cidades brasileiras e continua nas redes e nos encontros comunitários.
Uma festa marcada pela alegria da vitória e pelo alívio diante de uma ameaça que pairou no ar durante todo o mês de outubro: o Brasil seria entregue novamente a um grupo político responsável por levar o país à fila do osso? Estaríamos, novamente, expostos à descontinuidade das políticas públicas conquistadas nos últimos anos? Conquistas históricas, representadas pela Constituição Federal de 1988, seriam mesmo destruídas?
O povo nas ruas
Após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições, no dia 4 de outubro, estas e muitas outras ameaças colocaram grande parte da população em alerta diante de um perigo iminente. E a reação foi proporcional ao perigo que se anunciava. Estudantes saíram às ruas, de forma espontânea, realizando manifestações gigantescas!
A geração 70+ se mobilizou, ocupou as redes, se fez presente nas manifestações de rua e foi votar no dia 25 de outubro contra a barbárie, em defesa da democracia. As passeatas e tantos outros atos políticos se multiplicaram nas capitais, nas grandes e pequenas cidades brasileiras, dizendo não ao fascismo, sim à soberania nacional, defendendo os direitos humanos.
Foi bonita a festa!!! Há muito não se via neste país manifestações populares tão robustas! As cores, as músicas, as danças revelavam a criatividade e a diversidade que marcam o povo brasileiro. E o resultado anunciado na noite do dia 25 de outubro fez explodir um grito eufórico e levou milhões de pessoas às ruas para comemorar a vitória contra o fascismo.
Mas nem tudo são flores
O mês de outubro, no Brasil, foi marcado, também, por cenas grotescas.
Uma criança com uma arma nas mãos durante a comemoração dos resultados do primeiro turno, uma deputada federal eleita estalando um chicote nas ruas para celebrar quase meio milhão de votos. Durante uma manifestação, a réplica de um míssil com o pedido para que os Estados Unidos bombardeassem o Brasil com armas nucleares.
Nos últimos dias da campanha eleitoral, vimos, ainda, um homem branco conduzindo um homem negro por uma corrente; um grupo de estudantes universitários divulgando uma lista de meninas que mereciam ser estupradas e, no dia da eleição, uma mulher fazendo a saudação nazista após votar. Além disso, diversos atos de violência explícita e de intolerância religiosa.
E, por mais assustador que possa parecer, o projeto político (a candidatura) que representava todas estas pessoas e que, de alguma forma, avalizava todos esses atos, teve quase 60 milhões de votos.
Se muito vale o já feito, mais vale o que será
A vitória do povo brasileiro, no dia 25 de outubro, precisa ser festejada, sem dúvida! Mas não é possível fechar os olhos para os sinais apontados pelos resultados eleitorais – para a Câmara Federal, para o Senado, para os governos estaduais – e principalmente para as cenas de violência explícita e simbólica que a campanha eleitoral nos deixou.
O contexto sociopolítico em que vivemos nos mostra o desafio de construção de um futuro no qual todas as pessoas sejam reconhecidas em sua dignidade, em que a diversidade – étnica, de gênero, sexual, etária, religiosa – seja respeitada e valorizada, em que a igualdade social seja o parâmetro para avaliar (e validar) a economia do país.
São muitos os desafios. E eles nos apontam para uma direção: é preciso educar para os direitos humanos! É preciso educar para o nunca mais e também para o amanhã. Por justiça, memória e verdade!
José Heleno Ferreira é doutor em Educação (PUC MG) e integra a coordenação da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – Seção Minas Gerais. Email: [email protected]
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Leia outros artigos sobre direitos humanos na coluna Educação em Direitos Humanos em Pauta no Brasil de Fato.
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Este é um artigo de opinião, a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.


