Finapop

O Finapop nasceu em 2020 como uma iniciativa que acredita que é possível fazer diferente: oferecer crédito e investimento com propósito, adaptado à realidade da agricultura familiar. Somos uma plataforma que conecta pessoas a cooperativas e associações de assentados da reforma agrária, promovendo a produção agroecológica, valorizando o coletivo, a justiça social e a sustentabilidade integral.

Quem financia o futuro de quem produz alimentos?

No audio source provided.
Feira da Agricultura Familiar montada em frente ao Palácio do Planalto, na ocasião do lançamento do Plano Safra
Feira da Agricultura Familiar montada em frente ao Palácio do Planalto, na ocasião do lançamento do Plano Safra | Crédito: Divulgação/MST

Afinal, financiar não é uma decisão neutra: é também escolher quais formas de produzir no campo terão condições de crescer de forma sustentável.

Entre os debates sobre inovação, tecnologia e futuro que marcaram o Rio Innovation Week 2026, o Finapop (Financiamento Popular da Agricultura Familiar) participou de uma conversa sobre um tema essencial para qualquer transformação no campo: como financiar quem produz os alimentos que chegam à nossa mesa? 

Nosso diretor executivo, Luis Costa, participou da mesa “Quem Financia o Futuro? Bancos, Fundos e Inovação para Quem Produz Alimentos”, ao lado de Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES e ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e Tião Viana, membro do Conselho Gestor, ex-senador e ex-governador do Acre. 

A pergunta que deu nome à mesa ajuda a deslocar o debate. Mais do que discutir quanto dinheiro está disponível ou quais instituições podem financiar a produção, é preciso perguntar quem consegue acessar esses recursos, em quais condições e para viabilizar quais projetos. Afinal, financiar não é uma decisão neutra: é também escolher quais formas de produzir no campo terão condições de crescer de forma sustentável.

No caso da agricultura familiar e da produção de alimentos, essa discussão ganha uma dimensão ainda maior. Financiar quem produz significa criar condições para que cooperativas e organizações possam investir, ampliar sua capacidade produtiva, agregar valor aos produtos, enfrentar riscos e construir alternativas mais sustentáveis para seus territórios. 

A experiência do Finapop parte justamente da realidade do campo e das necessidades concretas das cooperativas da reforma agrária e da agricultura familiar. A inovação está também na forma de estruturar o crédito: ao aproximar investidores comprometidos com a transformação social de quem produz alimentos, a iniciativa busca construir instrumentos financeiros adequados aos ciclos da produção e às condições dos territórios. Assim, amplia-se o acesso a recursos para financiar a produção diversificada, fortalecer a transição agroecológica e gerar desenvolvimento local.

Essa perspectiva mostra que o financiamento vai muito além de uma operação financeira. O destino do dinheiro também define quais possibilidades serão abertas. Quando os mecanismos de crédito são construídos de acordo com as características e necessidades de quem produz, eles podem fortalecer modelos sustentáveis de produção, organizações coletivas e economias locais. 

Mas existe outro desafio: produzir alimentos também significa lidar com riscos que nem sempre podem ser previstos ou controlados.

As mudanças climáticas já afetam diretamente a produção, a renda e a infraestrutura de muitas cooperativas. E é justamente nesse ponto que o debate sobre inovação ganha outro significado. 

Quando se fala em inovação, a primeira associação costuma ser com tecnologia: novas ferramentas, inteligência artificial, máquinas ou processos. Mas, para quem produz alimentos, inovar também significa encontrar novas maneiras de financiar, organizar e proteger a produção, especialmente diante de riscos que os instrumentos financeiros tradicionais nem sempre conseguem absorver. 

As contribuições trazidas à mesa também evidenciaram que financiar esse futuro não é tarefa de uma única instituição. Depende da articulação entre políticas públicas, bancos públicos, fundos, investidores e organizações da agricultura familiar. A combinação dessas iniciativas é fundamental para ampliar o acesso aos recursos e construir respostas compatíveis com as necessidades e os riscos enfrentados por quem produz. 

Criar mecanismos financeiros mais adequados às realidades dos territórios é, portanto, parte fundamental dessa agenda de inovação. Isso exige aproximar investidores, instituições financeiras e organizações produtoras, criando mecanismos que permitam que o capital chegue a iniciativas com potencial de gerar impacto econômico, social e ambiental. 

O futuro da alimentação não depende apenas de quem planta, colhe, beneficia e distribui. Depende das condições que a sociedade cria para que essas pessoas e suas organizações cooperadas continuem produzindo, enfrentem as mudanças climáticas e transformem seus territórios. 

Por isso, perguntar quem financia o futuro é também perguntar: que futuro queremos financiar? 

*Luis Costa é diretor-executivo do Finapop; Maura Silva é integrante da equipe de comunicação.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter