Instituto No Setor

O Instituto No Setor é uma plataforma de transformação do centro de Brasília por meio da ocupação e da ressignificação do espaço público. Desde o início das atividades, sempre atuamos em coparticipação com a dinâmica do Setor Comercial Sul realizando projetos que são demandas ora do território para o instituto, ora do instituto para o território, tendo como elemento central a humanização das relações.

A Parada do Orgulho é um dia; a luta acontece o ano inteiro

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Projeto Cores Visíveis em Belém
Projeto Cores Visíveis em Belém (PA) | Crédito: Tamara Mesquita

Formação, cultura e participação política fortalecem a autonomia da população LGBTQIAPN+ e ampliam o direito de ocupar plenamente a cidade

Neste domingo (26), milhares de pessoas ocuparão o Eixo Monumental para mais uma edição da Parada LGBTQIAPN+. Será um dia de celebração, de encontro e de reivindicação de direitos. Um momento em que diferentes histórias se unem para afirmar, coletivamente, que toda pessoa tem o direito de existir com dignidade, segurança e liberdade.

A força da Parada está justamente nisso. Ela transforma experiências individuais em uma voz coletiva. Mas ninguém chega à Parada sozinho.

Cada faixa levantada, cada bandeira estendida e cada pessoa que ocupa as ruas carrega uma trajetória construída ao longo do ano. Uma trajetória feita de resistência cotidiana, de redes de apoio, de acesso à oportunidades e de espaços onde é possível aprender, criar, trabalhar e participar das decisões que moldam a cidade.

Foi essa percepção que orientou duas iniciativas desenvolvidas pelo Instituto No Setor nos últimos meses.

O Cores Visíveis percorreu Belém, Curitiba, Brasília, Florianópolis e ocupará Recife, neste sábado, reunindo lideranças LGBTQIAPN+ para discutir direitos, comunicação, participação social e incidência política. Em cada encontro, ficou evidente que fortalecer lideranças não significa formar representantes para falar em nome de uma comunidade. Significa ampliar a capacidade de pessoas e coletivos influenciarem políticas públicas, defenderem seus territórios e construírem soluções para desafios vividos diariamente.

Ao mesmo tempo, em Brasília, o Lab TransCriativo reuniu mulheres trans e travestis em uma formação voltada à produção cultural. Durante semanas, as participantes compartilharam conhecimentos, conheceram os bastidores da organização de eventos e ampliaram suas possibilidades de inserção profissional em um setor que ainda impõe barreiras ao acesso dessa população.

Os dois projetos são diferentes. Um fala de participação política. O outro, de cultura e trabalho. Mas ambos partem da mesma compreensão: direitos também se constroem quando pessoas têm condições concretas de participar e ocupar a cidade.

Essa talvez seja uma das discussões mais importantes do nosso tempo.

Durante muitos anos, as pautas LGBTQIAPN+ foram tratadas quase exclusivamente como reivindicações por reconhecimento. O reconhecimento continua sendo fundamental. Mas ele precisa caminhar junto com condições reais de permanência.

Permanecer na cidade significa poder estudar, trabalhar, produzir cultura, acessar serviços públicos, ocupar espaços de convivência, participar das decisões políticas e viver sem que a identidade de gênero ou a orientação sexual determinem quem tem direito à circulação, ao pertencimento ou ao futuro.

É essa ideia que orienta a atuação do Instituto No Setor. Quando falamos em direito à cidade, falamos justamente da construção de territórios onde todas as pessoas possam exercer plenamente sua cidadania. A cultura, a formação e a participação social deixam de ser atividades complementares e passam a ser ferramentas para transformar desigualdades em oportunidades.

Por isso, a Parada não representa um ponto de partida nem um ponto de chegada. Ela torna visível uma construção que acontece todos os dias.

Ela nasce quando uma liderança descobre novos caminhos para defender direitos. Quando uma mulher trans encontra novas possibilidades de trabalho. Quando coletivos se fortalecem. Quando redes se formam. Quando pessoas que historicamente foram excluídas passam a ocupar espaços onde antes não eram vistas, ouvidas ou contratadas.

No domingo (26), as ruas de Brasília voltarão a ser tomadas por cores, música, afetos e reivindicações. Cada pessoa presente levará consigo uma história única. Juntas, essas histórias lembrarão que a cidadania LGBTQIAPN+ não se limita ao direito de celebrar. Ela inclui o direito de participar, criar, trabalhar, decidir e viver plenamente a cidade.

É essa construção cotidiana que a Parada celebra. E é ela que seguimos comprometidos em fortalecer durante todos os dias do ano.

*Rafael Reis é diretor-presidente do Instituto Cultural e Social No Setor.

**Este é um artigo de opinião. A visão das autoras não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato – DF.


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Editado por: Clivia Mesquita

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