Por Amanda de Castro e Kaique Fernandes
Mais de 200 jovens, vindos de diferentes cantos de Minas Gerais, se encontraram em Belo Horizonte para participar do Encontro Estadual da Juventude Mineira. Durante três dias, a capital mineira foi território de formação, organização, debate político e luta, reunindo uma juventude que chega de diferentes realidades, mas que compartilha a certeza de que é preciso se organizar para transformar o presente e construir um novo futuro.
O encontro não foi apenas um momento de reunião da militância do Levante Popular da Juventude, mas um espaço para fortalecer vínculos de uma juventude aguerrida, trocar experiências de cada território e refletir sobre os desafios que estão colocados para a juventude e para o povo.
O primeiro dia foi marcado por plenárias e oficinas, que possibilitaram aprofundar debates, apresentar nossa análise da conjuntura estadual e nacional e fortalecer a formação política. Foi também um momento de olhar para dentro da nossa própria organização, reconhecer os avanços, discutir os desafios e pensar coletivamente os próximos passos da construção do Levante Popular da Juventude em Minas Gerais.
No segundo dia, o encontro chegou às ruas e recebeu um importante ato político, que contou com a presença de Áurea Carolina, Bella Gonçalves, Bruno Pedralva e Rogério Correio. O momento foi marcado pelo diálogo sobre os desafios políticos do presente e sobre o papel da juventude na disputa dos rumos de Minas Gerais e do Brasil.
Já na parte da tarde, a formação política deu lugar ao trabalho concreto de organização e mobilização. Os mais de 200 jovens se dividiram em três brigadas de campanha eleitoral, ocupando diferentes territórios de Belo Horizonte: Mariano de Abreu, Primeiro de Maio e Centro.
Nas ruas, nas conversas e no contato direto com a população, a juventude construiu campanha, dialogou com diferentes pessoas e reafirmou que fazer política também é estar presente nos territórios, ouvir o povo e construir junto.
Mulheres vivas e soberania
Depois de dois dias de formação, debate e trabalho de base, o encontro chegou ao seu terceiro momento: o grito dos excluídos.
No dia 7 de setembro, a juventude do Levante se somou ao 32º Grito dos Excluídos, uma mobilização que tradicionalmente contrapõe à celebração oficial da Independência as vozes daqueles que seguem lutando por direitos, dignidade e justiça social.
Em 2026, o Grito teve como lema “Na defesa da terra, da paz e da moradia: mulheres vivas e soberania”, reunindo movimentos populares e organizações em torno de pautas que atravessam diretamente a vida do povo. Em Belo Horizonte, a mobilização percorreu as ruas do centro da cidade, reunindo uma diversidade de movimentos e bandeiras em defesa de um país soberano, o fim da escala 6×1 e de uma vida digna para o povo.
Foi nesse cenário que a juventude mineira chegou às ruas vinda de todos os cantos de Minas: a juventude mineira se encontra, se organiza e luta.
Mais de 200 jovens demonstraram, ao longo desses dias, que organizar a juventude é construir força coletiva. É transformar indignação em organização, debate em ação e esperança em luta.
O Encontro Estadual da Juventude Mineira deixa um recado claro: há uma juventude disposta a construir um projeto popular para Minas e para o Brasil. Uma juventude que não aceita assistir de longe às decisões sobre seu próprio futuro e que escolhe se organizar, ocupar os territórios e disputar a sociedade que quer construir.
Amanda de Castro e Kaique Fernandes são da coordenação estadual do Levante Popular da Juventude
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Este é um artigo de opinião, a visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato.


