Por Kaique Fernandes
A juventude tem lado e essa disputa ficou evidente quando milhares de jovens decidiram ocupar as ruas para participar de uma das disputas eleitorais mais importantes da nossa geração. Estudantes, filhos e filhas da classe trabalhadora, juventude da periferia, milhares de jovens demonstraram que não estavam dispostos a assistir passivamente esta eleição.
Quem acompanhou de perto este processo sabe que a movimentação nas universidades teve um significado que ultrapassou os próprios muros das instituições. Depois do primeiro turno diante de uma disputa que exigia uma mudança de ritmo na campanha, o movimento estudantil foi um dos primeiros a compreender que era preciso transformar a preocupação em mobilização.
As universidades começaram a se movimentar, as assembleias ganharam força e os estudantes organizaram atos massivos que deram início a um processo de mobilização que rapidamente ganhou as ruas.
Em Minas Gerais vimos essa disposição ganhar corpo em diferentes universidades e cidades. A Praça da Estação, em Belo Horizonte, foi palco de grandes mobilizações populares. Nas universidades do interior, o movimento estudantil cumpriu um papel importante de articulação, convocação e organização. Centros acadêmicos, diretórios estudantis, coletivos e organizações políticas construíram iniciativas que ajudaram a movimentar a campanha e criar um novo ambiente de mobilização.
É importante compreender o significado político dos primeiros atos. Eles não foram apenas manifestações de apoio eleitoral, mas uma demonstração de força e capacidade de organização.
Em um momento em que era necessário destravar a campanha nas ruas, o movimento estudantil cumpriu um papel fundamental na convocação e construção dessas mobilizações. Foi decisiva a força da juventude que vive a realidade do trabalho, que tanto sonha com o fim da escala 6×1, que depois de uma jornada de trabalho chegavam aos atos e se somavam à mobilização, juventude essa que se somou ao máximo para que nas redes houvesse a virada.
Ficou demonstrado que existe uma juventude trabalhadora disposta a participar dessa disputa e ocupar seu lugar na construção de um Brasil digno para todos.
A virada não aconteceu por acaso, mas foi resultado de uma construção coletiva que articulou diferentes formas de mobilização. As ruas, as redes, os meios de comunicação e as paredes se encontraram em uma mesma dinâmica. Além dos atos, tivemos experiências importantes de organização das Brigadas de Campanha nas regionais de Belo Horizonte e em diferentes cidades de Minas Gerais. Essas brigadas cumpriram um papel complementar às manifestações, levando a campanha para os territórios, organizando conversas, panfletagens e ações de vira-voto.
A juventude também esteve presente na tarefa de dialogar diretamente com a população, disputar opiniões e apresentar as razões para votar em Lula. Foi essa uma das iniciativas importantes de organização que demonstrou que a participação da juventude não se limitava aos grandes atos, mas também acontecia no trabalho cotidiano da disputa das ideias.
Jovem, estudante e trabalhador
Esse processo também nos permite refletir sobre o lugar da juventude na luta de classes. Existe uma juventude que trabalha, que estuda, que enfrenta o desemprego, a precarização, o transporte caro e as dificuldades de permanecer na universidade. Uma juventude que muitas vezes precisa conciliar trabalho e estudo e que conhece na própria vida as contradições de um país profundamente desigual.
Não existe uma juventude separada dos problemas do povo brasileiro. As escolas, periferias, a universidade pública é parte dessa realidade e reúne os filhos e filhas da classe trabalhadora. Por isso, quando a juventude se mobilizou no segundo turno, também estavam em disputa os direitos sociais, a educação pública, a democracia e as condições de vida da maioria da população. Dos estudantes aos bairros a juventude também demonstrava que essa disputa fazia parte da sua própria realidade.
Talvez uma das maiores lições seja justamente a necessidade de não subestimar a capacidade de organização da juventude. Durante muito tempo tentaram nos convencer de que a extrema direita havia conquistado definitivamente essa geração. Que as redes sociais eram suficientes para explicar o comportamento político dos jovens. Que a juventude estava toda do outro lado e que a esquerda havia perdido a capacidade de dialogar com ela.
Mas as ruas mostraram outra realidade. A juventude não está toda dominada pela direita e tampouco pode ser tratada como um bloco homogêneo. Ela é diversa, possui contradições e está em disputa. Existem milhares de jovens que querem participar da política, que têm disposição para lutar e que reconhecem na organização coletiva uma possibilidade de transformar a realidade. A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva também foi construída por essa juventude.
A Juventude, o movimento estudantil tem uma tarefa importante daqui pra frente. Precisa seguir sendo instrumento de organização dos estudantes e de articulação com a juventude trabalhadora e as lutas populares. Precisa compreender que a universidade não está isolada da sociedade e que a formação de uma geração comprometida com a transformação do Brasil também passa pela experiência concreta de organização e luta.
O segundo turno de 2026 deixa uma marca que não pode ser esquecida: quando a juventude se organiza, ela tem capacidade de movimentar a sociedade e decidir o futuro do País. As universidades demonstraram isso, as ruas demonstraram isso e as brigadas de campanha também mostraram a força da organização nos territórios.
A juventude esteve nas ruas, construiu mobilização e participou da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Demonstrou que tem lado, que tem disposição de luta e que não abre mão de participar da construção do seu próprio futuro.
Precisamos compreender a força política que foi construída neste processo. Porque a juventude que ajudou a fazer a virada é a mesma que seguirá disputando a universidade, os direitos sociais e os rumos do Brasil.
Kaique Fernandes é da coordenação estadual do Levante Popular da Juventude
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Leia outros artigos na coluna do Levante Popular da Juventude no Brasil de Fato.
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Este é um artigo de opinião, a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.


