Leninha

Leninha é deputada estadual pelo PT, 1ª vice-presidenta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e presidente estadual do Partido dos Trabalhadores

Abram alas para Patrus Ananias! 

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Leninha e Patrus Ananias | Crédito: acervo Leninha

Para Patrus, governar é olhar as pessoas por inteiro

Conheci Patrus Ananias durante minhas primeiras atividades partidárias em Belo Horizonte, há mais de trinta anos. Ele era prefeito da capital mineira e foi naquele momento que passou a ocupar um lugar em minhas referências na política e na vida.

Sempre que penso em Patrus, não me vem primeiro o ex-prefeito, o ex-ministro ou o deputado. O que ressoa mais forte em mim são os gestos. 

Quem já esteve ao lado dele em uma reunião conhece a cena: enquanto alguém fala, Patrus pega um pequeno pedaço de papel, tira uma caneta do bolso e anota nomes. Quando responde, faz questão de chamar cada pessoa pelo nome, pela sua devida importância. 

Pode parecer um detalhe. Mas nunca foi.

Num tempo em que tanta gente fala para si mesma, Patrus continua escolhendo escutar. Aprendi com ele que a boa política não se mede pela beleza de um discurso, mas pelas práticas cotidianas: o cuidado, a escuta, a capacidade de discordar sem desumanizar.

Me lembro de uma homenagem que ele recebia na Academia Montesclarense de Letras. No meio da fala, alguém o interrompeu para gritar insultos ao PT e a ele,  em um gesto violento. Pela única vez que me lembro de vê-lo realmente irritado, respondeu com serenidade: aquele era o momento de ouvi-lo; quando chegasse a vez da outra pessoa, ela teria o direito de falar. O que ele exigia não era privilégio. Era respeito.

Também me recordo de outro episódio, em um restaurante, durante os anos mais duros do antipetismo. Hostilizado, caminhou até a mesa da pessoa e perguntou, calmamente, o que ela tinha contra aquele cidadão que apenas queria passar um domingo em paz com sua esposa.

Essa talvez seja uma das maiores lições que aprendi com Patrus: firmeza não é sinônimo de agressividade. É possível defender convicções sem abrir mão da humanidade.

Sua trajetória confirma isso. Foi vereador, prefeito de Belo Horizonte, ministro dos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff e deputado federal. Em cada função deixou marcas profundas na vida do povo brasileiro. 

Como prefeito da capital mineira, criou o primeiro Restaurante Popular de Belo Horizonte, uma iniciativa pioneira que transformou o acesso à alimentação de qualidade para milhares de pessoas e inspirou políticas semelhantes em diversas cidades do país. Mais tarde, à frente do Ministério do Desenvolvimento Social, ajudou a construir o Fome Zero, o Bolsa Família e a organização do Sistema Único de Assistência Social, sempre movido pela mesma compreensão de que governar é cuidar de gente. Nesse ponto, a gente se encontra mais do que nunca!

Compromisso coletivo

Há, porém, um episódio menos conhecido que sempre me emociona. Certa vez, em 2010, ele abriu mão de se candidatar para deputado para ser vice-governador de Hélio Costa. Ele priorizou uma construção coletiva, mas infelizmente foi derrotado.  Patrus, então, retornou ao seu cargo de servidor da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Simplesmente se apresentou para trabalhar, seguindo com sua vida.  Sem privilégios, sem ressentimentos, com a serenidade de quem entende que a política é serviço.

Esse espírito voltou a aparecer agora. Ele preparava sua candidatura à Câmara dos Deputados quando foi convocado pelo presidente Lula, após o diálogo com companheiros históricos, para colocar seu nome à disposição de Minas Gerais. Mais uma vez, escolheu o projeto coletivo.

Minas Gerais vive um momento decisivo. Depois de oito anos de um governo em que Zema e Simões priorizaram interesses dos mais poderosos, reduziram investimentos sociais e trataram o Estado como empresa, precisamos voltar a colocar as pessoas no centro das decisões. Também precisamos recuperar um debate público que, muitas vezes, foi substituído por frases de efeito e disputas superficiais nas redes sociais.

Esperança para Minas

Tenho esperança porque conheço Patrus de perto. Conheço sua honestidade, sua ética, seu respeito pelo dinheiro público e sua capacidade de transformar sensibilidade em políticas públicas.

Mas, acima de tudo, conheço sua forma de olhar para as pessoas. É disso que as Minas e os Gerais precisam: alguém que enxergue cada mineiro e cada mineira antes de enxergar votos; alguém que compreenda que governar é, antes de tudo, olhar as pessoas por inteiro.

Para mim, a política permanece sendo um lugar de esperança. Não porque desconheço as dificuldades do nosso tempo, mas porque tive o privilégio de caminhar ao lado de pessoas como Patrus, que mostram, por meio de gestos grandiosos e outros tão singelos, como é possível fazer diferente.

Estou certa de que Patrus Ananias é uma excelente escolha para nosso estado e me dá gosto de vê-lo como pré-candidato, ao lado de Lula, no poder executivo, como governador do meu estado,  em 2027!

Leninha é bióloga, mestre em Desenvolvimento Social (Unimontes) e está em seu segundo mandato como deputada estadual. É uma mulher negra, periférica e trabalhadora e constrói sua trajetória de vida e luta a partir das bases populares, com raízes profundas no Norte de Minas. É a primeira vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e atual presidenta do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais (PT MG).

Leia outros artigos de Leninha em sua coluna no jornal Brasil de Fato.

Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Editado por: Elis Almeida

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