A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva é a vitória do povo brasileiro e inspiração para o mundo. O processo eleitoral, em especial no segundo turno, representou no campo da comunicação um marco fundamental na história recente do Brasil.
O resultado das urnas não significou o fim da disputa política, mas sim a abertura de um novo e complexo capítulo, especialmente para a construção da comunicação enquanto um direito no Brasil.
O fortalecimento da comunicação popular emergiu não apenas como uma escolha tática, mas como uma exigência estratégica central de mobilização para disputar mentes e corações, garantir a resistência contra o projeto fascista em curso no mundo e impulsionar as transformações sociais necessárias que com o governo Lula estarão por vir.
A hegemonia da “mídia tradicional” e o “avanço da extrema-direita nos meios digitais” desenharam um cenário desafiador que apresentava as conquistas populares de forma distorcida e pautada no campo da desinformação.
A comunicação popular surge exatamente como a ferramenta de contraponto a essa lógica, dando espaço àqueles que historicamente foram silenciados. Ela não visa apenas informar, mas educar, politizar e organizar as classes trabalhadoras a partir de suas próprias realidades, linguagens e necessidades cotidianas.
Nas redes sociais, onde a batalha de ideias ocorre em tempo real e em ritmo frenético, a presença de coletivos de comunicação precisa ser cada vez mais assertiva, dinâmica e inventiva. Não basta apenas rebater as “fakenews”; é necessário pautar o debate público com conteúdo autêntico, humano e mobilizador. A democratização da comunicação no Brasil precisa sair do papel sendo o estímulo para as comunicadoras e comunicadores populares ir além, furar as bolhas informativas e alcançar quem está fora do espectro político tradicional.
Entretanto, o espaço virtual, por mais estratégico que seja, não pode substituir a presença física e a organização de base, o ato comum, o comunicar do dia a dia. A força da comunicação popular pode possibilitar a tomada de consciência porque se traduz na ocupação das ruas, no seu registro, história e memória.
Democratização da comunicação
É na mobilização concreta construída via protestos e ocupações que o povo reconhece sua própria força coletiva. O diálogo direto nas comunidades, nos bairros e nos locais de trabalho continua sendo o pilar mais sólido para a construção de um projeto popular para o Brasil. E porque não, para todo o planeta?
Além disso, a articulação entre as redes sociais e as ruas precisa extrapolar as fronteiras nacionais. O avanço do conservadorismo e do neoliberalismo é um fenômeno global que exige, em resposta, um internacionalismo renovado. Incentivar as lutas e o intercâmbio de experiências com movimentos populares de todo o mundo fortalece a resistência contra o fascismo e amplia a solidariedade entre os povos que enfrentam desafios semelhantes em diferentes continentes.
Para que a comunicação popular se consolide com alcance real, é crucial defender políticas públicas de democratização da comunicação e apoio à imprensa comunitária, alternativa e independente. O incentivo estatal e o financiamento de iniciativas locais de mídia garantem diversidade e fortalece coletivos periféricos, indígenas, de negras e negros, da luta pela reforma agrária e LGBTQIAPN+.
É necessário assegurar que a reconstrução dessa pluralidade comunicativa seja verdadeiramente representativa. Chegou a hora da comunicação ser pauta política!
Os próximos quatro anos de governo Lula oferecem uma janela histórica de oportunidade para o avanço dos direitos sociais, mas essa agenda só avançará sob forte pressão e sustentação popular.
A comunicação popular certamente será o elo que conecta a gestão governamental às demandas reais do povo, impedindo que o projeto político se isole nas burocracias de Brasília, especialmente nas condições presentes com um Congresso cada vez mais antipovo.
A vitória eleitoral abre espaço para o Brasil e para o mundo construir essa estrada da comunicação popular como uma relação dialética entre as redes e as ruas. É a chave para disputar o imaginário coletivo, proteger a democracia, a soberania e construir a sociedade cuja hegemonia seja da classe trabalhadora.
Leonardo Koury Martins é assistente social, doutorando em Serviço Social na UFJF. Conselheiro do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), integra a coordenação do Fórum Nacional de trabalhadoras e trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (FNTSUAS) e o conselho deliberativo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
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Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.


