Estamos chegando no momento de definição dos rumos que vão orientar como se concluirá nossa passagem por este planeta. E apesar das armas nucleares, do aquecimento global, das pandemias que se desenham, serão os votos de pessoas desinteressadas nas eleições deste dia 4 de outubro que decidirão o nosso futuro. Não apenas dos brasileiros. Dos sul-americanos e da geopolítica global envolvendo o multilateralismo, a Organização das Nações Unidas (ONU) e os valores que sustentarão a vida em sociedades globalizadas.
Resultará a consolidação das mentiras e do negacionismo, como prática de pessoas e governos dispostos a realizar -e a ocultar – negociações que comprometem a vida e futuro de seus povos, ou poderemos esperar mais um período de espasmos, com manutenção de possibilidades distintas, mais otimistas?
No Brasil que emergirá destas eleições podemos esperar avanços ou o encerramento de averiguações que podem levar ao desmascaramento, julgamento e punição dos corruptos e corruptores que estão destruindo a democracia e entregando o país?
Podemos sonhar com o retorno valorizado de normas de conduta orientadas pela certeza de que cabe a cada uma e a todas as pessoas, fazer o possível para melhorar os espaços de vida da casa comum?
Até aqui se verifica que estamos ameaçados de que avancem, no Brasil, aqueles impactos da ganância e da estupidez dos patrocinadores e defensores da Lava Jato, do teto de gastos, das emendas impositivas, das privatizações, do bolsonarismo, do entreguismo, do antipetismo, da desmoralização das instituições e da disseminação do terror. Algo assemelhado já ocorreu na Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia,… e o Brasil está sendo empurrado no mesmo rumo, por aqueles que podem ser comprados pelos interesses do governo Norte americano, para desmoralizar nossas instituições e corroer a democracia, como prática entre nós e como conceito no mundo de Trump…
Por isso, o que fizermos esta semana será decisivo.
Estaremos escolhendo e ajudando a que outros escolham caminhos para o apagamento ou para a implantação dos projetos e dos compromissos de governo que caracterizam e diferenciam a turma nacionalista do Lula da turma mafiosa e entreguista que está por trás do Flávio Bolsonaro.
E o fato é este: precisamos conversar com aquelas pessoas que ainda não entenderam o que está em jogo. Na linha reta: se trata da valorização da decência ou da corrupção criminosa deslavada, como a regra moral e como o padrão de conduta que serão generalizados entre nós, e validadas pelas instâncias do próximo governo. Vai depender dos votos da maioria.
As pessoas com que precisamos conversar vão decidir, possivelmente sem ter clareza a respeito disso, se elas fazem parte dos brasileiros/as que recusam, ou daqueles/as que aceitam que o Brasil se transforme num Rio de Janeiro controlado pelo medo, com as milícias ocupando o cento do poder. Numa Venezuela, com as riquezas do país, que faltam para atender as necessidades do povo, sendo roubadas pelos Estados Unidos, ou mesmo em um Haiti triste, desesperançado e sem perspetivas de controle sobre o próprio destino.
O Flávio já fez promessas que definem a posição dele (e dos seus aliados). Não há dúvidas a respeito do que podemos esperar deles.
O Flávio pediu ao Marco Rubio, que mantivesse taxações de nossos produtos, “até as eleições”. Que fossem monitorados e penalizados os Ministros legalistas do Supremo Tribunal Federal (STF) mobilizados pela manutenção da prisão dos golpistas. Pediu sanções desmoralizantes ao ponto de levar à fragilização de nosso sistema democrático. E foi além.
Ele até garantiu espaços para a defesa de interesses norteamericano em sua equipe de governo, de forma tão nojenta que, em ele sendo eleito, o Brasil resolverá os problemas dos Estados Unidos. A Venezuela, roubada, a Argentina afundada, o Paraguai desnacionalizado e os outros países capturados pelo Escudo das Américas, já estão fazendo isso. Faltam apenas o Brasil, o Uruguai e Cuba, para colocar Américas o e Caribe no pátio dos EUA.
As pessoas que ainda não entenderam isso precisam ficar sabendo, até o próximo domingo, que mesmo para quem não gosta do Lula, é ele quem encarna a esperança de nos tornamos um país soberano com alguma possibilidade de resistência à onda de colonização e rapina que avança sobre a América do Sul.
E de fato, o Lula é uma boa opção porque se comporta como alguém que entende a importância de governar conciliando os interesses da pátria com os da humanidade. Estas pessoas que vão votar e ainda não tiveram oportunidade de acompanhar o golpe armado pelo Partido da Imprensa Golpista internacionalizada, precisam saber o que aquele pernambucano já reafirmou com fatos e atos, em favor da paz, do multilateralismo, da liberdade religiosa, da igualdade de direitos e deveres, da consciência internacional.
No oposto, a guerra de todos contra todos, é estratégia da turma do Flávio e daqueles que ganham com a miséria alheia, que dependem da naturalização da violência para se apropriar de restos dispensados por aqueles do nível do Trump, que eles bajulam e amam porque são capazes de e (se dedicam) a manter o inferno na terra.
Afinal, como poderiam votar no Flavio, de sã consciência, aquelas pessoas que se sensibilizam com anúncios da UNICEF, pedindo ajuda para combater a fome de crianças que hoje morrem como moscas, na miséria deste mundo desigual. Flávio não esconde que está a serviço daquele 1% da população detém riqueza equivalente ao disponível para os 50% da base, multidão de onde morrem a cada ano, de fome, por desidratação, em consequência da injustiça, 5 a 6 milhões de crianças. Isso só não é pior porque o infanticídio se reduziu naqueles períodos em que Lula retirou o Brasil do Mapa da Fome.
Enfim, aqueles eleitores ainda indecisos precisam ser alertados quanto ao básico: as grandes mídias escondem a verdade sobre aqueles que estão do lado da guerra, das bets e do obscurantismo, estimulando a falência das famílias, da decência, da política e das instituições. Pessoas que como o Flavio Bolsonaro, ganham de presente relógios de trezentos mil reais e outros favores e mimos, pela intermediação junto a pessoas que decidem o que é possível fazer deste pais, não podem ser empoderadas pelo voto descuidado de adultos. Votar neles não é tolice inocente, é estupidez suicida. E convenhamos, um presentinho como aquele Rolex, ainda que ele represente, em reais, mais de 15 anos do salário-mínimo que Flávio pretende achatar, é propina menor para gente que enriquece do nada, que compra MUITOS imóveis em dinheiro vivo, que paga favores usando como moeda o corpo de mulheres jovens, e que mente sem parar. Esse tipo de pessoa do mal sabe o que faz e porque o faz. Contam com a impunidade oferecida a quem faz parte de uma máfia livre até mesmo da ética dos mafiosos, protegida por juízes parciais e pixulecos eleitorais de todo calibre.
E sabendo que aqueles eleitores ainda indecisos, são como nós, se torna importante que os ajudemos a refletir sobre os fundamentos do que nos une.
O território nos une. A cidade, o Estado, o país, e as instituições criadas para garantir o cuidado de todos e todas, em relação à territorialidade comum. O ecossistema sociopolítico ambiental, com suas paisagens, suas riquezas e suas potencialidades. Nossa cultura e tudo aquilo que define o que precisamos preservar e melhorar para os que virão depois de nós.
Também nos unem as histórias, as memórias, os laços de coerência que se estendem das pessoas a suas famílias e às comunidades, ao longo do tempo. O que somos, para além de nós, sobre o território que compreende todos os corpos ameaçados pelos que odeiam a política protetiva e aceleram, com suas ambições, a degradação dos valores e dos bens coletivos. Eles produzem a miséria das pessoas famintas, dos rios poluídos, das florestas queimadas, e todo tipo de câncer real e metafórico, que se espalha a serviço dos interesses que nos desunem. Contra isso, nos unimos.
As referências também nos unem. Os exemplos dos comportamentos que adotamos como padrões positivos, nos unem. Eles dão base para as lembranças que acalentamos, em todas as famílias, na memória daqueles/as parentes especiais, que sobrevivem a si mesmos/as. Isso também ocorre no caso daquelas referências maiores, de pessoas reconhecidamente excepcionais pelo tanto que que contribuíram para iluminar o caminho do bem comum. Pessoas como Leonel Brizola, Pepe Mujica, Ana Primavesi, Dorothy Stang, Chico Mendes, Martin Luther King e Mandela. Pessoas como Lula. Pessoas dedicadas a construir a paz, que preferem o caminho da política e do sacrifício, mesmo que em negociações desiguais, do que a submissão ou a guerra.
E vale dizer que ainda existem aquelas outras pessoas superiores. Gente tão singular que acaba ascendendo aos patamares mais elevados. Pessoas santificadas por seus comportamentos em vida. Estas são seres de luz, que se fazem presentes com destaque, em todas as religiões. Na fé professada pela maioria dos brasileiros, milhões adotam como referência a imagem de São João Batista, pregando no deserto, de São Jorge enfrentando dragões, de São Francisco protegendo os inocentes de todas as espécies, de Santo Expedito protegendo motoristas e viajantes, de Santo Antônio unindo e ajudando casais, de Santa Clara iluminando caminhos, e de Maria, a mãe de todos e todas. Com outros nomes, estas e outras referências estão presentes na espiritualidade de todos os povos, reforçando o comportamento de milhões pela trilha do bem, rumo ao futuro.
Pois é nesta perspectiva, que os eleitores devem interpretar a tentativa de desmoralizar Maria, pelo time do Flávio Bolsonaro. Eles na prática ofendem, desprezam e desautorizam o respeito a todos os santos e santas que escutam as orações e confortam as angústias de crianças, jovens, adultos e idosos de todos os credos.
Sabendo disso, poderiam votar no Flavio Bolsonaro (e nos seus associados que pretendem ocupar espaço no congresso, assembleias e governos de Estado), aquelas Marias que receberam este nome em homenagem àquela que, na argumentação de Zé Barbosa Júnior, pastor que orienta o Flávio, seria uma pessoa síntese do mal?
É importante repetir aqui matéria da Revista Fórum: J.B. Carvalho, bispo da Comunidade das Nações, do time dos Bolsonaros, escreveu um livro sustentando que a devoção brasileira à Maria, Nossa Senhora Aparecida, seria responsável pelas crises, recessão, inflação, secas no Nordeste, enchentes no Sudeste e aumento da criminalidade, entre nós. Deus estaria nos impondo estes dramas em represália à indicação de Maria, como Padroeira do Brasil pelo catolicismo. Ele classifica o catolicismo, religião abraçada por mais da metade dos brasileiros, “como um sistema religioso associado à “Babilônia”, à idolatria e ao catolicismo, que denomina “religião do anticristo”.
Pois seguindo este pensamento, Flávio disse que vai tirar a proteção de Maria e entregar o Brasil para Jesus. Aliás é interessante lembrar que para a religião dominante no Estado de Israel, bandeira que sempre aparece nas agendas do Flávio, Jesus não é santo. Muito menos filho de Deus. E ainda por cima, é o filho daquela Maria mãe de todos males.
E como podem votar no Flávio Bolsonaro, ou em seus cumplices de projeto anti-Brasil, os cristãos que vivem neste país? Não acredito que o fariam, sabendo de quem se trata, do que tem feito ao longo da vida, do que pretendem, e quem são, de fato, aqueles que o acompanham e as forças que estão por trás deles.
Basta pensar também no que significam as bets, que Flavio apoia e Lula proibiu. Elas retiraram 141 bilhões de reais das famílias brasileiras. Pagaram 10 bilhões em impostos e o resto perdeu-se pelo mundo ajudando na lavagem de dinheiro sujo, financiando golpes, milicias e corrupções.
Aquele dinheiro não faz falta para as famílias do Brasil?
Pois se perguntem: se este bolsonarinho podre vier a ser eleito, o Congresso vai derrubar ou vai manter a proibição das bets?
Apenas Lula está dizendo que elas são inaceitáveis pelos crimes que financiam e pelas tragédias que provocam. Para o SUS elas custam R$ 38 bilhões por ano envolvendo tentativas de suicídio, perdas de qualidade de vida, destruição de laços familiares… alimentam crises de depressão, alcoolismo, criminalidade e encarceramento de familiares. É por estas razões que 79% das mulheres deste país são a favor da proibição das bets.
Elas votarão no Flavio se souberem que com ele no governo o Brasil continuará sendo o paraíso das jogatinas?
Estas mulheres talvez não saibam que o vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL) escolhido por Flávio Bolsonaro, e que pretende ser eleito com ele, é suspeito de estupro e pedofilia. Deve ser normal tal companhia para o filho daquele idoso que sentiu um clima pintando no contato com meninas de 14 anos.
Estas eleitoras talvez ignorem, também, que apenas no caso de seu envolvimento com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro já mentiu para o Brasil, mais de 40 vezes. Também mentiu para a esposa, mentiu sobre o amigo que foi morto na Bahia, mentiu para o pai, mentiu para os filhos e está sempre mentindo para o mundo, em rede de satélites.
E ainda assim, muitas pessoas vão votar nele?
Qual será o motivo?
Algumas, por fidelidade a outras, que estão com medo de irem para a cadeia. Outras, por medo da Polícia Federal, ou de perderem mimos, ternos, carinhos, e grana no bolso ou na conta de parentes.
Outras, por desinformação.
E é com estas últimas que precisamos conversar, até domingo, para que nosso futuro se revele pelo melhor.
Eu que não sou conivente com a corrupção, com a lavagem de dinheiro, com a sem-vergonhice e o negacionismo, não voto Flavio Bolsonaro nem em qualquer pessoa que o apoie ou que pretenda ocupar, de maneira alinhada ao Flávio, qualquer função de representação e responsabilidade, neste estado e neste país.
E como acredito que, conversando com outras pessoas, podemos garantir a eleição de Lula no primeiro turno, e com isso impulsionar Juliana Brizola e Edegar Preto para vitória no segundo turno, estou fazendo isso.
Juntos, a partir de segunda feira estaremos dando início à próxima fase desta luta da consciência e da democracia, contra o Império e seus capachos locais, pela reconstrução do Brasil.
Uma música que nos alerte e nos anime? Que tal aquela que diz que o Haiti não é aqui, mas pode vir a ser?
De Caetano Veloso, Haiti.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.


