Leonardo Melgarejo

Engenheiro Agronômo, MsC em Economia Rural, Dr. em Engenharia de Produção. Extensionista rural aposentado, fotógrafo.

Eleições no Brasil e o risco de retorno de barbaridades superadas

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Javier Milei segura o uniforme da seleção argentina ao lado do ultradireitista Flávio Bolsonaro.
Javier Milei segura o uniforme da seleção argentina ao lado do ultradireitista Flávio Bolsonaro. | Crédito: Nelson Almeida/AFP

É a volta dos velhos tempos, anunciando o retorno de barbaridades superadas

Os resultados de 4 de outubro evidenciaram que se desenha o risco de que o Brasil passe a responder aos desejos da força bruta, dispensando a comparação de projetos de futuro. 

É a volta dos velhos tempos, anunciando o retorno de barbaridades superadas. 

O que era impensável até a farsa da Lava a Jato, vem sendo empurrado adiante por uma demanda desembestada e agora se tornou uma possibilidade real. 

Quem leu sobre a ascensão das ditaduras antigas e modernas, já vinha alertando sobre isso há tempos: o fascismo vem ressurgindo, com muita grana suja para comprar corações fracos, e se permitirmos tentará se instalar em nossas casas. 

E agora, caiu a ficha. Todos sabemos que no dia 25 será fundamental a adesão dos desinformados, para evitarmos o pior para todos. E são milhões os que não votaram porque ainda não acordaram para isso. Precisamos buscar aquela gente porque está obvio que não será possível retirar mais do que poucos votos dos eleitores do Flávio. Eles estão dominados a tal ponto que não serão influenciados por argumentos lógicos ou mesmo por evidências de realidade. Infelizmente impera naquelas cabeças um desejo tão forte, de queimar todas as perspectivas de solidariedade, que nos resta apenas o caminho de convocar os até aqui omissos, para contenção do que nos espera, no caso do Flávio se eleger.  

E esse é o fato: a luta está acontecendo agora, fogo contra fogo, e acontece principalmente no campo daquelas mídias digitais que hoje estão sob domínio do ódio. Ali eles estão levando vantagem. Estão conseguindo esconder as realizações do Lula, quem é o Lula, e principalmente, quem é o Flávio.

Mas eles não virão para s ruas. Eles já abandonaram este campo, que é nosso, e aí podemos influenciar pessoas que ainda precisam escolher em quem votar. 

Quem votou no Augusto Cury (3,448 milhões), no Renan Santos (2,675 milhões) e até mesmo na Caiado (2,605 milhões) sabe que os Bolsonaro não levam ninguém para compadre, e que só reconhecem capachos ou adversários. Por isso, muitos destes vão preferir o Lula no executivo do que ter o Jair Bolsonaro de volta, controlando todos os poderes da república. Além disso, 33.469.244 de pessoas não compareceram e 5.975.047 de pessoas erraram algo na digitação e tiveram seus votos anulados (agora é mais fácil, só precisa digitar o 13). Portanto podemos vencer este segundo turno se conversarmos de alguma maneira com estas pessoas, escutando o que elas têm a dizer e formando parcerias táticas em defesa de interesses comuns.

E, com certeza, vamos precisar do povo nas ruas. E aí estão os exemplos das ações dos estudantes e da juventude nacionalista mostrando que ali se coloca energia na alma das pessoas. 

Se trata de algo fundamental, porque como vimos na votação de primeiro turno, os bolsonaristas acreditam ter garantido tamanha acumulação de medo e ódio na mente dos desinformados, que seus eleitores estão dispensados de sair às ruas. Isso inviabilizou comparações favoráveis a Lula, e isolou as disputas no campo das redes. Ali, os softwares, as grandes mídias e a hiper veiculação de mentiras em rede substituíram o que seria um número escasso de bolsonaristas em campanha. Com isso os envergonhados e os malucos puderam voltar, se sentindo fortalecidos, para os seus cantos. E assim, tanto o esvaziamento de suas manifestações como os olhares de ódio contido, disfarçados de indiferença, nas filas de votação, e até mesmo as manifestações de solidariedade para quem estava identificado a favor de Lula, nos animaram com sentimentos enganosos, otimistas, de que Lula venceria ou sairia na frente neste primeiro turno. 

E estão, veio o choque dos 56.104.508 de votos no Flávio. Com aquele leque de deputados, senadores e governadores que estão com ele. E passamos a entender que está ocorrendo aqui (como aconteceu na Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Bolívia, Colômbia, Honduras, Costa Rica, Equador…)  a cristalização de um mecanismo que opera em favor da destruição de valores relacionados à solidariedade e à autonomia dos povos. Uma nova onda de colonialismo que se ergue da tumba, com apoio de parcela significativa daqueles grupos que mais necessitariam de quem os defendesse evitando o abafamento das soberanias nacionais.

E isso assusta, porque deve assustar. E aí está um argumento que devemos usar para retirar do ar este cheiro de tragédias que já experimentamos e que só podem ousar voltar porque suas raízes não foram extirpadas. 

Ao contrário, foram alimentadas diante dos nossos narizes. Desde antes da eleição do Bolsonaro pai, grupos econômicos interessados em saquear o Brasil vêm construindo a ignorância popular a respeito do que significa o avanço da extrema direita, e do papel que eles reservam para nós, como quintal a ser rapinado. É como se os saqueadores só aguardassem a abertura dos portões, por parte do grupo do Flávio, que está escondido na barriga do cavalo de madeira, para colocar fogo em Tróia. 

Mas existem mais de 45 milhões de votos em disputa. Estes precisam ser alertados para o que vão perder, se não apoiarem o projeto de nação soberana defendido pelo Lula. O Flávio não tem projeto de desenvolvimento, só de entrega. Ele nem entende bem o motivo que o colocou naquela posição de líder das forças de desconstrução da solidariedade. Ele é arraia miúda, de um passado envolvendo rachadinhas, esquentado grana com barrinhas de chocolate e trocando presentes com o Vorcaro, e de repente se vê com a possibilidade de oferecer o Brasil como forma de resolver os problemas dos Estados unidos, ainda que com isso se coloque “na condição de pet de Trump”. Deve estar sonhando com riquezas legalmente inalcançáveis, em paralelo à capacidade de anular ou de dar de mão nas realizações dos diferentes, sem risco de punição. 

Os votantes em disputa talvez ainda não enxerguem, ou não entendam, que podem ser levados a engolir a seco os retrocessos que virão com o Bolsonaro filho. 

Aliás, a negação destes fatos também se associa a um comportamento natural, estimulado pela desvalorização dos resultados alcançados nestes quatro anos de governo Lula. Bons resultados, mas que apenas retomam – e de maneira tímida – o esboço de um Brasil que avançava para ser grande, até o momento em que foi esfaqueado nas costas, pelos agentes da Lava Jato e tudo que veio após Temer. 

Flávio chegou aonde está, mentindo, e protegido em suas mentiras. A imensa maioria de seus eleitores não sabe quem ele de fato é, nem o que ele pretende. Será tarde quando se defrontarem com o congelamento do salário e a erosão das aposentadorias, a privatização de empresas públicas, o fim de farmácia popular, mudanças na constituição e solução – pela drenagem de riquezas do Brasil – de problemas do governo Trump. Daí a importância da campanha de esclarecimento popular, ao longo dos próximos dias.

Em dois anos, sem o Flavio na presidência, muitos criminosos serão desmascarados, a democracia se manterá ativa e poderemos melhorar o Brasil através das eleições municipais de 2028. 

Superada esta fase, começaremos a trabalhar desde a base, para escrever nossa história. 

E como sabemos, a história é um carro alegre, cheio de um povo contente, que atropela indiferente a todo aquele que a negue.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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