Estamos nas últimas horas que antecedem nossa decisão coletiva sobre o futuro deste país, das Américas, do Brics e talvez da democracia como sistema político viável e apoiado na consciência cidadã da população brasileira.
As manipulações de conteúdos midiáticos com o uso de IA, para construção da ignorância pública a respeito dos atores envolvidos com a onda de colonização predatória que avança no mundo, está ameaçando de forma especial a soberania dos países que concentram riquezas estratégicas.
E o Brasil, com o seu estoque de terras raras (23% do total global) e outros minerais de enorme valor real (94% do nióbio, 26% da grafita, 12% do níquel, mais as reservas do pré-sal e as novas descobertas de petróleo), está no centro dos interesses do Império norte americano em decadência.
Mas não se trata apenas disso.
Aqui se concentra o pool genético mais biodiverso do planeta, com potencial ainda por ser identificado pelas ciências da agricultura, medicina, biologia, genética e bioengenharia molecular. Levando em conta apenas os organismos já mapeados, sabemos que o Brasil detém mais de 124 mil espécies da fauna, mais de 44.000 espécies da flora e mais de 8 mil espécies de fungos conhecidos, todas elas articuladas em redes ecossistêmicas biodiversas que escondem um vasto universo de possibilidades genéticas, algo capaz de dar sustentação aos novos modelos de desenvolvimento que se sabem necessários para continuidade da vida humana neste planeta.
E mesmo considerando apenas o modelo do agro tradicional, segundo a FAO é exatamente no Brasil que está a maior parcela global de terras agricultáveis ainda potencialmente incorporável ao sistema produtivo global.
E quanto à água doce, essencial à vida?
Aqui estão os maiores aquíferos e um sistema de circulação hídrica que corresponde a 12% da oferta mundial de água doce, que alcança aproximadamente 57% do total disponível na América do Sul. Mais do que 35% do total disponível no continente americano.
Infelizmente, temos uma elite entreguista, vendida, que graças à manipulação e distorção de informações, vem obtendo condição de tutela sobre milhões de brasileiros. Isto poderá nos levar a perder o controle sobre aquelas riquezas. Se acontecer tal coisa, não será novidade. Isso já se passou em outros momentos de nossa história, quando perdemos o bonde do desenvolvimento e retrocedemos décadas em poucos anos. Mas agora a situação tende a ser pior porque as ameaças de sindemias, de guerras, de crises associadas ao clima são de dimensões nunca vistas, e jamais estivemos sob risco de controle da nação por parte de um grupo tão desqualificado como este que ascende ao controle do estado. Com a máfia no poder instrumentos essenciais a nosso futuro tendem a ser roubados e entregues aos EUA.
Do período recente, o que nos trouxe a este momento passou pelo traidor Temer e golpistas associados, que articularam o impeachment da Dilma. Passou pela Lava Jato com as tramoias que deram projeção e notoriedade a Moro, Dallagnol e outras traíras menores que, colocando Lula na prisão elegeram Bolsonaro pai. A seguir, vimos o início do pior. As mortes por falta de ar, os escândalos das propinas no caso das vacinas contra a covid, a destruição do estado, a desmoralização das instituições, o mapa da fome, o descrédito internacional do Brasil, os favorecimentos que levaram à criação do Banco Master, a generalização da corrupção e a ascensão das milicias ocupando postos chaves todas as instâncias de poder.
A minimização da tentativa de golpe do 8 de janeiro, e a consolidação de uma prática mafiosa, que envolve desde advogados políticos e empresários dispostos a intermediar compras de facilitações e sentenças judiciais, usando dinheiro sujo, favores sexuais e ameaças. E por fim, o que se explicita hoje em manchetes relacionadas ao comportamento de membros da mais alta corte da república.
É um novo padrão de moralidade. Com a institucionalização da Lei do Gerson, todos que gostam daquele estilo estão agindo como se fossem autorizados a dar golpes de todo tipo. Uma nova ética, que permite buscar modos de levar vantagem em tudo, doa a quem doer. Coisa que parecia inaceitável como o roubo das moedas do laguinho das carpas, evoluiu para noitadas com garotas de programa, presentes de ternos, relógios e mimos de vários tipos.
E tudo isso só piora. Ninguém lembra dos estranhos 39 Kg de cocaína no avião presidencial, das joias roubadas, dos imóveis comprados a dinheiro vivo de procedência duvidosa, das malas de dinheiro e dos subornos pagos com o corpo de mulheres. Aliás, o que parece tão óbvio como a sugestão de chantagens relacionadas a putarias documentadas, envolvendo altas autoridades que se comportam como se estivessem de rabo preso, sequer é objeto de comentários no Jornal Nacional. Por quê? Porque envolve majoritariamente membros do grupo dos apoiadores, associados e mancomunados com o filho do coiso.
E com isso, ou apesar disso, que deveria unir o povo contra os canalhas, o país se dividiu.
De um lado, aqueles/as que prezam a democracia e querem viver num país soberano, que trabalhe pelo bem-estar da população.
De outro, aqueles/as que não enxergam ou não dão importância para a entrega das riquezas nacionais a corporações estrangeiras. Estes/as, por desconhecimento ou tolice, apoiam oportunistas que buscam. através da miséria de muitos, lucros decorrentes de suas participações em migalhas caídas da mesa onde se banquetearão os gestores do capitalismo de rapina.
A pouca vergonha se naturalizou a tal ponto que hoje mais de 50 milhões de brasileiros consideram aceitável votar em um candidato a presidente da república que não consegue explicar de onde veio o dinheiro que ele gasta. Que não esconde suas ligações com criminosos, que diz que não fez, que não viu, que não disse. Ou diz que falou mas não sabia, que fez, mas foi antes, que nada disso importa porque coisas como o controle de balas e armas na mão das milicias são detalhes que não fazem diferença.
Alguém que debocha da capacidade de racionalização de pessoas que engolem sua ideia de combater o aquecimento global com saneamento básico, a contabilidade de sua espantosa lojinha de chocolates que vendia milhares de reais por dia, todos os dias, e sempre em dinheiro vivo.
Afinal, um cara defende quem atira de fuzil, em crianças, que dá de mão grande em ilha de jogador da seleção, que age como moleque em debate presidencial, que diz que é honesto mas não quer expor a realidade de suas agendas, que diz que vai mudar a constituição federal, prender crianças de 14 anos, que é sócio de pessoa que tinha sala secreta, blindada, oculta atras de biombo com malas vazias e maquina de contar dinheiro em aeroporto e que já deixou o pais… pessoas deste desse naipe, estão pautadas porque tipo de parâmetros?
E um candidato deste quilate, se eleito com votos de um povo inocente que não sabe o que faz, se sujeitará a que padrões e a que limites? O que ele fará a partir do dia 26?
Penso que se ele for eleito, vai consolidar seu projeto. Se for derrotado, vai fugir do país e dar início à alguma fase de nova tentativa de golpe.
Ainda assim, e evitando otimismo ou pessimismo, o fato é que estamos diante da possibilidade de que um candidato que mente sobre tudo que diz respeito a seu passado, que mente em suas promessas sobre o futuro, se coloca como opção de milhões, contra a oportunidade de reelegermos um dos maiores estadistas vivos. Com o que sabemos hoje, é fato que em 2027 poderemos ter na presidência da república alguém que garantirá estímulos aos que praticam, compartilham e compactuam com crimes que o beneficiam. Dá para imaginar o que significa uma pessoa dessas, com um projeto de dinastia familiar, um histórico de desprezo à constituição e às normas democráticas, comandando as milicias, o exército, a marinha e a aeronáutica, contando com o apoio deste congresso de extrema direita e indicando a maioria dos ministros do STF.
Embora avance um movimento de conscientização nacional que poderá salvar a democracia, hoje as previsões de voto dizem que Lula e Filho do Coiso estão empatados. Neste sentido é possível que as multidões que estão nas ruas e nas mídias digitais pedindo proteção à democracia se vejam frustradas.
Com isso podemos esperar a generalização daquela tristeza impotente dos que vivenciaram aqueles ciclos anteriores, de drenagem das riquezas nacionais. Este seria o pior cenário, com uma ditadura maquiada de democracia, estimulada por um legislativo conivente e corrupto, sob proteção de um judiciário escolhido a dedo e alheio às necessidades do povo e da pátria.
Felizmente o resultado das eleições ainda está sendo construído. Temos várias horas para conversar com pessoas, postar e replicar informações que possam ajudar a proteger a democracia e a garantia de utilização das riquezas e do potencial deste país, em favor dos brasileiros.
Não faltam argumentos sobre o que nos oferece o Brasil de Lula e o que teremos pela frente com eventual empoderamento do Filho do Coiso,
Seja como for, e embora eu confie na grande festa da noite do dia 25, o certo é que nosso futuro em breve se revelará. Em qualquer situação nossa luta em favor da vida haverá de continuar, porque com qualquer resultado restará muito a ser feito e ainda estaremos aqui.
Uma música?
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.


