O 25 de outubro de 2026 vai passar à história como o dia em que a verdade venceu as mentiras. Que o povo ganhou das armadilhas do capetalismo: Meta interferindo nas eleições do Brasil, os opositores restringindo as frotas de ônibus; cancelando voos com destino ao nordeste e barcos para o transporte de pessoas dos povos originários da Amazônia. E tantíssimos casos mais que vocês já sabem.
Vínhamos de três semanas lutando e conversando com pessoas indecisas para nos unirmos ante a fúria de ver o Brasil entregue de bandeja para o imperialismo. Para um senhor que se comporta como imperador.
Bolsonaro e seus amigos entregariam nossas terras raras a Trump como já entregam nossas meninas. Lembrando que Flávio Bolsonaro foi o único a votar contra o projeto de combate ao turismo sexual. Leia aqui três vezes que Flávio Bolsonaro votou contra projetos de proteção à mulher.
Eles são da mesma turma do “suicidado” estadunidense. Uma foto ou vídeo divulgado na época em que abriram alguns arquivos, não me sai da cabeça, Epstein pegando uma menina de uns 5 ou 7 anos, carregando-a no ombro, como se fosse um saco de areia. Ela esperneava e gritava. Posso sentir seus gritinhos e choro cada vez que a imagem volta na minha memória. Com quantas meninas devem de ter feito isso, lá e aqui?
Esse horror me deu a força, muitos dias, para ir às ruas conversar com as pessoas nos pontos de ônibus, nos bares, aguardando o sinal abrir. Precisávamos virar votos e assim, viraríamos esse possível futuro de morte.
Eu sei infelizmente que o tráfico de mulheres e crianças não vai acabar com a reeleição de Lula, mas não terão via livre para aprofundar nesses horrores. Lembram da quantidade de incêndios que houve na época em que Bolsonaro foi presidente? Como o desmatamento avançou? Agora o Brasil alcança as menores taxas da série histórica na Amazônia e no Cerrado, registrando uma queda de 41,8% e 23,8%, respectivamente, em relação ao período anterior. Leia aqui.
Por que associo os estupros e as violências sexuais a meninas e mulheres com a nossa Terra, a Pachamama? Vocês lembram da infeliz frase ‘Brasil é uma virgem que todo tarado de fora quer’, diz Bolsonaro ao falar sobre Amazônia. Por isso, feministas indígenas, indignadas, como Lorena Cabnal, em 2003 e 2004 começaram a se juntar e falar dos corpos-território. Vejam mais aqui.
Não foi só Lula que ganhou, ganhamos todxs, inclusive, quem não o votou. Recomendo muito a escuta do podcast Angu de grilo.
Eu continuo com uma felicidade que … haja corpo para tamanha alegria!
Lembram que Bolsonaro adiou a compra das vacinas? Pois então, o Universo inteiro está feliz, a ponto do desenho do gráfico da vitória, ser uma vacina.

O resultado de uma luta coletiva é nosso, é coletivo é popular é do povo e de todas as pessoas que fomos parte do exército de Lula. Porque nós sabemos que sem Janones, não teríamos chegado a essa quantidade de votos.

Ficamos mais fortes e unidxs, dando aquele chute no fascismo.
No dia seguinte à vitória, fiquei conversando com amigas que são, e ou estão, em outros países. Eu contava sobre como foi o processo e o imprescindível protagonismo que teve André Janones. Sem dúvida, um novo marco mundial. Já não é mais ou redes ou ruas, agora é redes e ruas. Antes, éramos 3 ou 4 pessoas nas passeatas, agora somos multidões! Quanta potência vivemos nestes últimos dias.
Janones conseguiu dar um rumo às pessoas, repartindo tarefas e dizendo com muita precisão o que fazer, engajando assim muita gente diferente. Não que antes não achassem importante e necessário, talvez não soubessem como e o que fazer, e ele veio abrir esse caminho. Com a brincadeira do exército, tirou muita gente da passividade e da depressão, deixando um antes e um depois. Um marco histórico. Pessoas que só mandavam memes, que achavam chato falar em política, começaram a abandonar seus lugares de inércia e de conforto, indo pras ruas, conversando com seus e suas familiares, vizinhança e amigxs.
Gente que até o 1º turno não sabia que a própria mãe votaria em Bolsonaro, agora estavam engajadas e engajando outras pessoas.
As ruas do Brasil nunca tinham visto tanta gente junta. Eu sempre ouvia comentários sobre Argentina e como meu país de origem é politizado, mencionando as manifestações que acontecem quase diariamente na capital. Mas vamos ver. Argentina tem uns 40 milhões de habitantes, sendo que em Buenos Aires, mora a metade da população. Então, não é tão difícil encher a Plaza del Congreso ou a Plaza de Mayo. Nesses dias o Brasil ganhou as ruas de São Paulo, de Rio de Janeiro, de Recife, de Salvador, de Porto Alegre. Foi incrível!
Eu comecei a ir para as ruas em Buenos Aires, em 1983, ano que acabamos com a ditadura empresarial-militar. No dia 10 de dezembro, assumiria Alfonsín a presidência, e dois dias antes da eleição, houve um grande ato no Obelisco, lugar central de Buenos Aires. Umas 200.000 pessoas tomaram a Nueve de Julio. A avenida mais larga do mundo. Semana passada, em Porto Alegre, houve manifestações de 50 mil, 100 mil e 150 a 200 mil pessoas, na caminhada da vitória com Lula. Lembrando que a população de Porto Alegre é pouco mais de 1.300.000 pessoas. Mais do 10% da população foi caminhar com Lula. É de arrepiar!
Nós fizemos tremer o mundo, mostrando o EUgoísmo e desvendando as mentiras e as maldades bolsonarentas.
Foi único, histórico. Apoteótico.
Ninguém pôde deter a nossa primavera.
Foi pela reeleição do nosso Pres(id)ente Lula, mas também pela força da raiva que nos deu ouvir o bolsonarento chamar o Presidente, um trabalhador, de nove dedos. Esse apelido mostra o lado no qual o ultradireitista está posicionado. Ele é o patrão rindo do trabalhador. Ele, e seus amigos, debochando dos acidentes trabalhistas.
Nós temos orgulho do nosso lado.
Nosso lado é várias vezes tetra, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 4,4 milhões de votos de vantagem do filho do Presidiário. Agora Flávio fugidinha.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.


