Por Ronaldo Teodoro
Há um encontro de expectativas entre as pessoas que votam em Lula e as pessoas que compreendem a importância do SUS para a sua saúde e a saúde dos seus familiares. Diversas pesquisas de opinião sobre o comportamento eleitoral identificam que os segmentos populares votam dominantemente no atual presidente.
Desde as eleições de 2022, e durante todo o governo Lula, a confiança das mulheres se mantém consistente no presidente. Na eleição deste ano de 2026, as pesquisas mostram que a intenção de voto das mulheres, e das pessoas pretas e pardas em Lula mantém taxas expressivas. No caso das mulheres, chega a 54% de voto em Lula contra cerca de 25% de Flávio. Para quem ganha até 2 salários mínimos a intenção de voto em Lula chega a 30 pontos percentuais de vantagem.
Esse perfil eleitoral confirma que a consciência política e os valores democráticos estão muito mais presentes nos segmentos populares do que em outras camadas da população. E isso tem uma importância central para compreender o futuro do SUS.
Diversas pesquisas feitas nas universidades brasileiras identificam que 75% da população brasileira não possui planos privados de saúde. Por sua vez, os outros 25% têm algum acesso a planos de saúde, que vão desde qualidade D e E a planos supercaros, A e B.
Quem acompanha os artigos desta coluna sabe que mesmo quem tem planos de saúde utilizam o SUS – seja quando compram medicamentos seguros em farmácias, ou quando compram alimentos em supermercados. Mesmo cirurgias complexas de transplante de órgãos, como coração, ocorrem em sua grande maioria no SUS.
Ante essas informações, é correto concluir que quanto mais uma pessoa valoriza o SUS, e compreende a sua importância, maior a probabilidade de efetivar seu voto em Lula nas eleições de 2026.
A sabedoria desse amplo segmento de pessoas possui sua razão de ser. E para comprovar, vejamos algumas políticas fundamentais do SUS que foram criadas nos períodos em que Lula era presidente:
– O SAMU, criado no primeiro mandato de Lula, em 2003, cobre atualmente 88,7% da população brasileira, sendo responsável por cerca de 23,3 milhões de procedimentos por mês. Em 2025, o governo federal ampliou o repasse de novas ambulâncias para centenas de municípios;
– O Programa Farmácia Popular possui uma taxa de cobertura que alcança 65% da população brasileira. São mais de 100 milhões de pessoas, entre idosos, crianças, mulheres, jovens e adultos, independente de renda.
– Na Estratégia de Saúde da Família, a cobertura alcançou cerca 70% da população brasileira, estando presente tanto em municípios rurais, quanto nos grandes centros urbanos.
– Na atenção às gestantes e bebês, houve uma reestruturação intensa da Rede Cegonha: maior financiamento, construção de 36 novas maternidades e 30 novos Centros de Parto Normal. Este programa de cuidado a gestantes, lactantes e bebês se tornou um dos maiores e mais abrangentes modelo de atenção integral do mundo. Se considerarmos os critérios de escala, abrangência e impacto internacional.
Outras ações, como o Programa Mais Médicos, e o Programa Mais Especialistas poderiam ser listados dentre as realizações dos governos Lula ao longo do tempo.
Todos os brasileiros que usam o SUS sabem o valor desses programas na vida das suas famílias. Sabem também que todos esses serviços precisam melhorar sua qualidade, reduzindo o tempo de espera, aumentar o número de profissionais de saúde e melhorar as instalações públicas.
Ante esse cenário, que mostra o vínculo entre a construção do SUS e os mandatos presidenciais de Lula, uma questão deve ser colocada: quem confia que o candidato da família Bolsonaro terá compromisso com o SUS? A resposta está na história do SUS.
De um lado, o filho do ex-presidente Bolsonaro fala em entregar o SUS aos empresários, e tem como histórico recente o abandono completo das pessoas ao trauma da covid-19, que matou 714 mil brasileiros. De outro lado, o presidente Lula aponta para o futuro do SUS, aponta para a esperança de uma vida melhor para as famílias brasileiras.
Não é exagero afirmar que o futuro do SUS passa pelas eleições de 2026.
Ronaldo Teodoro é cientista político e professor no Instituto de Medicina Social (UERJ).
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Leia outros artigos sobre saúde na coluna O SUS no seu Cotidiano no jornal Brasil de Fato
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Este é um artigo de opinião, a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.


