As mudanças climáticas têm recebido atenção no noticiário paranaense diante dos danos causados por eventos meteorológicos extremos. Esses episódios evidenciam a necessidade de incorporar ao planejamento urbano medidas de adaptação, voltadas à redução da exposição e da vulnerabilidade da população, e de mitigação, destinadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, a América do Sul está altamente exposta aos impactos das mudanças climáticas, tanto pelo aumento das temperaturas médias e dos períodos de seca quanto pela intensificação de chuvas.
A adaptação climática depende de ações articuladas entre municípios, estado e União, com participação social nas decisões, mas também da integração entre os diferentes setores do planejamento urbano (habitação, mobilidade, saneamento, drenagem, entre outros) e da priorização das populações historicamente vulnerabilizadas por meio de políticas equitativas. No Paraná, a avaliação desses riscos deve considerar as condições locais de exposição e vulnerabilidade da população.
Considerando os eventos climáticos das últimas semanas, as medidas de adaptação climática são emergentes no estado. Em setembro de 2026, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou tornados em Francisco Alves (PR) e Espigão Alto do Iguaçu (PR), entre os dias 9 e 10, e em Goioerê (PR), no dia 11.
Alagamentos e inundações provocados por fortes chuvas foram noticiados na região Norte do estado, em cidades como Maringá (PR), nas proximidades das avenidas Colombo, Horácio Racanello, João Paulino e Laguna, esta última nos arredores do Parque do Ingá, e Sarandi (PR), no bairro Jardim Novo Independência. A região Sudeste registrou ocorrências em cidades como Rio Negro (PR), onde mais de 120 pessoas ficaram desalojadas, e, na capital, Curitiba, ocorreram casos de quedas de árvores e alagamentos no início de setembro.
Para os próximos meses, com os efeitos do El Niño, o Simepar prevê aumento na ocorrência de tempestades e eventos meteorológicos severos durante a primavera (entre 22/09/2026 e 21/12/2026). Os volumes de chuva mais acentuados são esperados em novembro nas regiões Sudoeste, Centro-Sul e Oeste – nesta região, permanecendo até dezembro.
Diante desse cenário, os municípios paranaenses precisam avançar na elaboração e implementação de Planos de Adaptação Climática, com medidas preventivas voltadas à redução dos riscos e das vulnerabilidades sociais e estruturais do estado diante de eventos climáticos extremos.
*Antonio Rafael Marchezan Ferreira é professor do Programa de Pós-Graduação em Direito e do Programa de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Também é coordenador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá (PR).
**Gabriel Barros Cunha é estudante de Ciências Econômicas, bolsista e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá (PR).
***Mateus Raniero Zampar é arquiteto e urbanista, bolsista e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá (PR).
****Wilian D’Agostini Ayres é doutorando em Ciências Sociais e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá (PR).
*****Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.



