Observatório das Metrópoles - Núcleo Maringá

O Observatório das Metrópoles – Núcleo Maringá foi institucionalizado em 2005, vinculado à Universidade Estadual de Maringá (UEM) e integrado à rede nacional do INCT Observatório das Metrópoles, composta por 21 núcleos. Desde sua criação, reúne pesquisadores e estudantes de diferentes áreas do conhecimento em estudos sobre as transformações urbano-metropolitanas da Região Metropolitana de Maringá e de outras regiões do Paraná. Atualmente, o Núcleo realiza atividades de pesquisa, extensão e assessoria relacionadas ao planejamento urbano e às políticas públicas, visando contribuir para um desenvolvimento urbano justo, inclusivo, democrático e ambientalmente sustentável.

Municípios do Paraná devem adotar planos urgentes de adaptação às mudanças climáticas

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Temporais e tornados atingem o Paraná no segundo semestre de 2026.
Temporais e tornados atingem o Paraná no segundo semestre de 2026. | Crédito: Lucas Batista/Prefeitura Municipal de Maringá

A América do Sul está altamente exposta aos impactos das mudanças climáticas, pelo aumento dos períodos de seca e pela intensificação de chuvas intensas. 

As mudanças climáticas têm recebido atenção no noticiário paranaense diante dos danos causados por eventos meteorológicos extremos. Esses episódios evidenciam a necessidade de incorporar ao planejamento urbano medidas de adaptação, voltadas à redução da exposição e da vulnerabilidade da população, e de mitigação, destinadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, a América do Sul está altamente exposta aos impactos das mudanças climáticas, tanto pelo aumento das temperaturas médias e dos períodos de seca quanto pela intensificação de chuvas. 

A adaptação climática depende de ações articuladas entre municípios, estado e União, com participação social nas decisões, mas também da integração entre os diferentes setores do planejamento urbano (habitação, mobilidade, saneamento, drenagem, entre outros) e da priorização das populações historicamente vulnerabilizadas por meio de políticas equitativas. No Paraná, a avaliação desses riscos deve considerar as condições locais de exposição e vulnerabilidade da população.

Considerando os eventos climáticos das últimas semanas, as medidas de adaptação climática são emergentes no estado. Em setembro de 2026, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou tornados em Francisco Alves (PR) e Espigão Alto do Iguaçu (PR), entre os dias 9 e 10, e em Goioerê (PR), no dia 11.

Alagamentos e inundações provocados por fortes chuvas foram noticiados na região Norte do estado, em cidades como Maringá (PR), nas proximidades das avenidas Colombo, Horácio Racanello, João Paulino e Laguna, esta última nos arredores do Parque do Ingá, e Sarandi (PR), no bairro Jardim Novo Independência. A região Sudeste registrou ocorrências em cidades como Rio Negro (PR), onde mais de 120 pessoas ficaram desalojadas, e, na capital, Curitiba, ocorreram casos de quedas de árvores e alagamentos no início de setembro.

Para os próximos meses, com os efeitos do El Niño, o Simepar prevê aumento na ocorrência de tempestades e eventos meteorológicos severos durante a primavera (entre 22/09/2026 e 21/12/2026). Os volumes de chuva mais acentuados são esperados em novembro nas regiões Sudoeste, Centro-Sul e Oeste – nesta região, permanecendo até dezembro. 

Diante desse cenário, os municípios paranaenses precisam avançar na elaboração e implementação de Planos de Adaptação Climática, com medidas preventivas voltadas à redução dos riscos e das vulnerabilidades sociais e estruturais do estado diante de eventos climáticos extremos.

*Antonio Rafael Marchezan Ferreira é professor do Programa de Pós-Graduação em Direito e do Programa de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Também é coordenador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá (PR).

**Gabriel Barros Cunha é estudante de Ciências Econômicas, bolsista e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá (PR).

***Mateus Raniero Zampar é arquiteto e urbanista, bolsista e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá (PR).

****Wilian D’Agostini Ayres é doutorando em Ciências Sociais e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá (PR).

*****Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Murilo Bernardon

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