Pedro Alcântara

Professor, cientista político e vice-presidente estadual do PT em Pernambuco.

Mais uma vez o PT lidera o Brasil contra o fascismo

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Lula
‘O que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles’, defendeu o presidente Lula | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

A tarefa que nos convoca é a de impedir que o maior país da América Latina caia de joelhos.

A eleição de 2026 será disputada dentro e fora do Brasil. O mundo vive o ápice da radicalização política desencadeada pela crise de 2008. De lá para cá consolidou-se o avanço de uma trindade super poderosa: o sistema financeiro, as big techs e os grandes monopólios de setores como petróleo e gás. A renda ficou ainda mais concentrada, surgiram os primeiros trilionarios, as classes trabalhadoras perderam direitos e empobreceram, aumentaram as desigualdades entre regiões e o fluxos migratórios, explodiram guerras na Europa, no Oriente médio, na Ásia e África.

Nesse mundo em chamas e sob ofensiva das elites econômicas que buscam responder à crise com um novo um ciclo de expansão de riquezas, os governos ocidentais deterioraram ainda mais sua capacidade de salvaguardar condições dignas de vida para grande parte da população. Os governos eleitos nas ditas “democracias liberais” são cada vez mais sufocados pelo poder avassalador da nova trindade do poder. O mercado capitalista em sua versão neoliberal engoliu a democracia e as populações já não creem mais ser possível ter no sistema político um garantidor de sua cidadania.

Nesse cenário de crise e descrença emerge um novo fenômeno político: o neofascismo da extrema direita. Frente a populações pauperizadas, governos fragilizados e a uma esquerda incapaz de apresentar enfrentamentos consistentes e horizontes pelos quais lutemos com paixão, surgem no mundo inteiro lideranças conservadoras que prometem “corrigir o sistema político”, refém, segundo eles, não do sistema financeiro e dos grandes conglomerados econômicos, mas dos “políticos corruptos”, das “minorias degeneradas”, da “falta de liberdade de opinião”.

Saem de cena os verdadeiros responsáveis pela crise e entram inimigos inventados, com algo em comum: para enfrentar todos eles é preciso penalizar as classes populares e glorificar os ricos, a acumulação de riquezas e o mercado capitalista, legitimando reformas antipopulares, aumentando o poder de polícia do estado e autorizando o avanço sobre segmentos sociais fragilizados. Trata-se da fórmula clássica do fascismo, que busca uma aliança entre setores médios e populares radicalizados, valendo-se de espantalhos morais, para sustentar à força o novo padrão de acumulação das elites.

Na América Latina eles atuam de acordo com nossas especificidades, marcadamente elegendo os negros e as mulheres como símbolos da “degradação moral da sociedade”. Aqui também buscam legitimar a superexploração do trabalho, como fiadores das novas formas de precarização e rebaixamento dos salários.

Outra especificidade nossa é o neofascismo defendendo o aprofundamento da dependência, com a desindustrialização do Brasil e nosso alinhamento automático aos interesses imperiais dos EUA. Uma combinação exótica de nacionalismo com entreguismo. Para tanto, recorrem sempre ao fantasma do autoritarismo militar, ainda que dessa vez mais no plano da retórica.

A marca fundamental da década de 2020 do século 21 é o fato de ser a extrema direita a condutora do imperialismo no mundo. A volta de Trump ao poder representou a radicalização da defesa imperial dos EUA sobre suas zonas de influência, entre elas a América Latina, contra os avanços da China.

Esse projeto conta com a associação da extrema direita em nosso continente com a ação das big techs nos processos eleitorais e, no limite, com o uso das forças armadas estadunidenses em intervenções diretas, quando a extrema direita local não obtém êxito, como no caso do sequestro de Maduro, na Venezuela.

É nesse cenário dantesco que ocorre a eleição presidencial no Brasil, agora cercado por governos de direita em todo o continente. Ilhado, chantageado economicamente com tarifas e ameaçado quase explicitamente, o Estado brasileiro busca antes de tudo resistir à imensa ofensiva de fora, articulada por atores internos que buscam ser legitimados nas urnas.

A história reservou ao presidente Lula e ao PT mais uma vez o papel de líderes da sociedade democrática contra o avanço do projeto fascista. Sem o enraizamento social e sem a força simbólica, política e histórica do PT e de Lula, talvez estivéssemos hoje vivendo o pesadelo da Argentina.

Se temos agora condições de derrotar a extrema direita nas urnas, muito se deve à jornada petista que criou um público cativo nas camadas médias urbanas do país, e desde que chegou ao governo alcançou vastas camadas populares no interior do Brasil.

Da esquerda mais radical aos liberais, é preciso reconhecer que os mais de 30% que o lulo-petismo construiu na sociedade são a ponta de lança para salvar o país do abismo fascista. Nem todo país tem um campo progressista com essa força. E não se cria isso do dia para a noite.

Isso não quer dizer que não existam contradições gritantes no projeto petista. Eu inclusive, mesmo sendo dirigente do PT, tenho apontado falhas graves e limites importantes no lulo-petismo, que impedem o país de avançar para consolidação da soberania plena e de reformas estruturantes que deem resposta à aflição popular e a desafios urgentes.

Precisamos retomar a bandeira socialista e construir horizontes muito mais largos. Mas em 2026, dado o tempo tenebroso e o destino trágico dos nossos vizinhos, há que se entender que o momento é de afirmar a liderança de Lula, fortalecer sua candidatura e derrotar a extrema direita no Brasil.

Uma vitória dos aliados de Trump põe o Brasil definitivamente de joelhos, abre todos os portões do inferno contra o nosso povo e prejudica a balança do jogo das forças internacionais contra a ofensiva total do imperialismo estadunidense.

É preciso tensionar pela esquerda, pressionar por propostas mais populares, mas se engana quem acha que pode superar o lulismo em 2026, ou quem tenta fazer dessa tarefa a missão central na atual quadra histórica.

A tarefa que nos convoca é a de impedir que o maior país da América Latina caia de joelhos. É a tarefa de seguirmos tendo alguma margem para decidir sobre questões fundamentais da nossa soberania, navegando no agitado oceano do início do século 21.

Aviso aos navegantes: Lula e o PT continuam guiando o barco. Rememos todos para chegarmos em lugar seguro no final de outubro.

Editado por: Vinícius Sobreira

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