No debate da Globo, Lula foi ofendido pelo seu adversário. Num episódio explícito de capacitismo e preconceito de classe, um homem rico, candidato a presidente da República, zombou de alguém que perdeu um dos dedos das mãos trabalhando numa fábrica em condições precárias.
Lula tinha 17 anos quando sofreu um grave acidente de trabalho numa máquina industrial, perdendo um dedo. Era um jovem pobre, trabalhando para ajudar a mãe e os irmãos nas despesas da casa, se submetendo a um trabalho exaustivo e sem proteção.
Lula de pronto se pronunciou no debate, com a altivez que lhe é peculiar, e exigiu um pedido de desculpas, de um “granfino que nunca trabalhou na vida”. Mais uma vez a elite brasileira ataca Lula por sua origem, por sua relação visceral com a vida do povo brasileiro. Eles nunca aceitarão que o maior líder do Brasil democrático seja um operário saído do nordeste.
A trajetória de vida de Lula se confunde com a do povo brasileiro. Ele é o primeiro presidente saído das entranhas da pobreza, surgido do seio dos brasileiros “invisíveis”, que encontraram nele uma cara e uma voz. Foi entre os brasileiros que caminhavam errantes com fome pelo Nordeste do século 20, obrigados a emigrar para o sul, foi deste povo que saiu o presidente mais aclamado e respeitado do país. Essa é uma tapa da história na cara da elite brasileira que ela jamais irá superar.
A existência de Lula é, ela mesma, a lembrança diária de que o povo brasileiro tem capacidade de liderar um outro projeto de país: soberano, altivo, em busca de justiça social e democracia.
Foram as mãos de Lula, calejadas, marcadas pela exploração do trabalho, que ajudaram o povo pobre e esquecido do Brasil a se levantar. O menino que passou fome tirou o país do mapa da fome. O operário que perdeu um dedo sendo explorado para ganhar um salário maior, é o presidente que mais aumentou o salário mínimo brasileiro neste século. As mãos de Lula traduzem o sofrimento e a perseverança de um povo que não desiste de sonhar.
O seu adversário representa o Brasil que não aceita seu próprio povo. O país que se vê como colônia de grandes potências para manter, com ajuda estrangeira, seu povo sob chicote, enquanto elites degradadas moral e politicamente engordam às custas do sofrimento popular. Elites que agridem também moralmente, espiritualmente o povo, destilando ódio e preconceito contra pobres, negros, nordestinos, mulheres, contra a classe trabalhadora. Essa elite só sobrevive sendo a devoradora do próprio povo, cuja liberdade é para ela um obstáculo para o lucro e a dominação.
Ao ofender Lula no debate, seu adversário desrespeitou todos os trabalhadores brasileiros e mostrou mais uma vez que é pequeno demais para o cargo que busca ocupar.
Lula segue sendo a nossa esperança por mais direitos, mais democracia, mais liberdade, por mais Brasil. A esperança de um país que se olhe no espelho e sinta orgulho de suas marcas, de suas cicatrizes, de sua luta, de seu povo.
Suas mãos traduzem a história de um povo que vivia esquecido e com ele voltou a existir, se colocou de pé. As mãos que mudaram o Brasil podem agora salvá-lo da barbárie e da face mais cruel e desumana da elite brasileira.
Lula é a tradução do povo brasileiro, com suas belezas e contradições, com sua força e esperança. Lula é a nossa chance de seguirmos o caminho de um país que ama a si mesmo e escolhe enterrar seus fantasmas.
Que as mãos do operário Luiz Inácio Lula da Silva nos liderem para um futuro onde ainda haja Brasil. Lutemos até o fim.


