No domingo, 4 de outubro, brasileiras e brasileiros vão às urnas decidir quem ocupará, nos próximos quatro anos, a presidência do país, o governo dos estados e do Distrito Federal, e as cadeiras das Assembleias Legislativas, Câmara Legislativa, Câmara dos Deputados e parte do Senado Federal. No voto estão em jogo convicções pessoais, valores morais, alinhamentos ideológicos e, sobretudo, perspectivas de futuro.
E há algo incontestável sobre o futuro de todos nós: a agenda climática e socioambiental precisa ter peso central nessa tomada de decisão.
Proteger os biomas em pé é fundamental para a garantia de direitos territoriais, segurança hídrica e equilíbrio climático. E nesse sentido, conservar e restaurar o Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil e um dos mais afetados pelo desmatamento, é fundamental para a proteção das águas, da biodiversidade e do equilíbrio climático.
O bioma é conhecido como o coração das águas do Brasil. Ele abastece 8 das 12 grandes regiões hidrográficas do país, contribuindo com 94% da vazão do Rio São Francisco, 100% das águas do Pantanal e 62% da bacia Tocantins-Araguaia — essenciais até para a geração de energia elétrica.
Só que, sem vegetação nativa, a água entra em colapso. A capacidade do solo de infiltrar e armazenar água fica comprometida, o que provoca a seca de nascentes e reduz o volume dos principais rios do Brasil. O Cerrado perdeu 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025, segundo dados do MapBiomas, impulsionado principalmente pelo avanço da agropecuária.
Estima-se que mais da metade da vegetação nativa do bioma já foi destruída, comprometendo os aquíferos Guarani, Urucuia e Bambuí e reduzindo a vazão dos rios que irrigam a agricultura e abastecem as cidades.
Além disso, vivemos o agravamento da crise climática, com ondas de calor intenso cada vez mais frequentes, além de secas prolongadas, chuvas que causam inundações, entre outros efeitos. O Cerrado também é fundamental na regulação do clima. Áreas úmidas e veredas podem estocar até 1.200 toneladas de carbono por hectare — cerca de seis vezes mais que florestas típicas da Amazônia.
O nosso futuro depende do Cerrado. O futuro do Cerrado depende de ações concretas de conservação e restauração realizadas hoje. E tudo isso depende do nosso voto.

Essa é a motivação para a campanha “Vote pelo Cerrado”, construída por um grupo de organizações que trabalham pela proteção do bioma, entre as quais a Rede Cerrado. A Rede de Sementes do Cerrado (RSC) se une à campanha. Nesta eleição, propomos que cada uma e cada um escolha representantes que se comprometam a definir leis, políticas públicas, orçamentos e prioridades em prol do Cerrado, seus povos e da vida de todos nós.
A Carta Compromisso da campanha Vote pelo Cerrado tem oito pontos principais:
- Proteger o Cerrado e garantir seu reconhecimento como patrimônio nacional.
- Proteger as águas como direito fundamental.
- Garantir terra, território e autodeterminação dos povos.
- Combater a grilagem e a violência no campo.
- Enfrentar os impactos dos grandes empreendimentos e garantir a Consulta Livre, Prévia e Informada.
- Promover a agroecologia e fortalecer a agricultura familiar.
- Valorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar.
- Garantir saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.
Ao avaliar o histórico e propostas das candidaturas e partidos, olhe para elas. E olhe para o futuro. Votar pelo Cerrado é reconhecer que seu modo de vida e o futuro que você quer ter dependem dele. É não escolher candidaturas que não apoiam demarcação de terras de povos e comunidades tradicionais. É não escolher candidaturas que favorecem o desmatamento do Cerrado e a flexibilização de leis ambientais. É votar por um Congresso radicalmente renovado, capaz de combater a bancada ruralista e negacionista que quer implodir a política ambiental brasileira. É votar pela água que sustenta a vida, pela economia e pelas pessoas.
No site da campanha, é possível conferir quais candidaturas já aderiram o compromisso com o Cerrado protegido. Veja em votepelocerrado.org.br. O futuro não pode esperar até a próxima eleição. O Cerrado precisa do seu voto agora, no próximo domingo.
*Taíssa Dias é jornalista e mestra em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Atualmente, atua como gestora de comunicação da Rede de Sementes do Cerrado (RSC).
**Anabele Gomes é bióloga, mestre e doutora em botânica, servidora do Departamento de Botânica da Universidade de Brasília, Presidente da Rede de Sementes do Cerrado e coordenadora da Rede Araticum.
***Camila Araujo é jornalista, coordenadora de Comunicação da Rede Cerrado e colaboradora do Brasil de Fato DF.
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