Rubens Goyata Campante

Doutor em Sociologia pela UFMG e pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (CERBRAS/UFMG)

Direita se recompõe e eleição segue indefinida

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Flávio
Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidência da República | Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Eleição do filho de Jair traria o fascismo de volta com sede de vingança

Não está descartada a possibilidade trágica de retorno do bolsonarismo à presidência da república no Brasil. As pesquisas mais recentes indicam uma diminuição da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Sem contestar levantamentos específicos, vale salientar que pesquisas, em geral, devem ser vistas com cautela, envolvem interesses de quem as contrata e de quem as realiza. Percebe-se, mesmo assim, que a direita está se recompondo, após o baque sofrido pelo filho de Jair desde a revelação de suas relações íntimas com o banqueiro preso Daniel Vorcaro e sua traição à pátria pedindo para Trump sobretaxar a economia brasileira.

A eleição presidencial de 2026 será decidida no detalhe, pelo movimento da minoria de indecisos, e pela rejeição – fundamental, portanto, desconstruir o filho de Jair junto ao eleitorado não lulista nem bolsonarista.

A grande mídia tradicional, de forma claramente coordenada, voltou suas baterias contra o filho de Lula. Não quer o presidente reeleito em 1º turno, seria uma vitória expressiva que lhe daria muita força política para avançar em questões que desagradam os donos do poder. Se tiverem de aceitar Lula reeleito, que seja por margem apertada, no 2º turno. 

No Judiciário, Nunes Marques, à frente do Tribunal Superior Eleitoral, concentrou em si as reclamações eleitorais, e outro ministro do STF ligado ao bolsonarismo, André Mendonça, protege o filho de Jair, boicota a Polícia Federal e municia a grande mídia e o bolsonarismo digital com investigações absurdas sobre Lulinha. 

Tudo isso enquanto Trump intervém de maneira cada vez mais agressiva numa eleição que lhe interessa muito – Brasil e México são as últimas resistências ao domínio imperialista da América Latina pelos EUA. E alinhadas ao projeto trumpista, as big techs que controlam o universo digital colocam seus algoritmos a privilegiar a extrema direita.

Comunicação é fundamental

Lula, de seu lado, aposta em palanques estaduais e articulações políticas – é importante e é o que faz de melhor, mas não basta. A comunicação é fundamental!

E na comunicação, quem define a pauta e põe o outro lado “se explicando” quase sempre ganha, mesmo que a pauta seja absurda e as explicações absolutamente justas e verdadeiras. Num mundo em que reina o imediatismo e a superficialidade, ficar “se explicando” demais é desvantajoso.

As forças progressistas, que apoiam Lula,  não podem cair nas armadilhas e pautas bolsonaristas. Têm de buscar, de todas as formas, definir suas próprias pautas e colocar os adversários  na defensiva. Eles é que têm de se explicar. Explicar as ligações da família Bolsonaro com o crime organizado no Rio, com   Daniel Vorcaro, que sumiu do noticiário. Lembrar que o filho de Jair é capacho de Donald Trump e, a mando dele, quer acabar com o pix, unanimidade nacional cujo fim prejudicaria milhões de brasileiros. Acusar a extrema direita  de ser contra o fim da jornada 6X1  – outra pauta apoiada pela maioria do eleitorado e que desapareceu das discussões públicas. Combater as bets, o que também é de grande apelo popular.

A eleição do filho de Jair seria uma tragédia. Como nos EUA, o fascismo retornaria com sede de vingança, e com apoio do fascismo internacional. A destruição e a repressão seriam imensas, maiores que no (des)governo Bolsonaro. Quem não quer isso, faça alguma coisa!

Rubens Goyatá Campante é doutor em sociologia pela UFMG e pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (CERBRAS)

Leia outros artigos do autor em sua coluna no Brasil de Fato MG.

Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Editado por: Elis Almeida

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