Nestas eleições de 2026, o Brasil se vê, mais uma vez, na encruzilhada entre a civilização e a barbárie. A disputa presidencial será apertada, o candidato que representa a civilização tem toda possibilidade de vencer, mas a probabilidade de um retorno vingativo da extrema direita também não está descartada, e a tragédia, nesse caso, será imensa. Para o país, que se tornará uma espécie de colônia dos EUA, e para o povo.
Os trabalhadores serão massacrados, e uma categoria deles que será duramente atingida serão os funcionários públicos.
O objetivo da aliança nacional e internacional entre neoliberalismo e neofascismo que se aglutina em torno do candidato à Presidência pelo PL é capturar completamente o Estado brasileiro e usá-lo para concentrar ainda mais a renda e o poder nas mãos da elite.
Um funcionalismo público profissional, concursado, dignamente remunerado e independente é um tremendo obstáculo a esse projeto patrimonialista de instrumentalização do Estado. Além do mais, o orçamento público, para o projeto neoliberal e neofascista, deve ser comprometido quase todo com dinâmicas patrimonialistas como isenções fiscais e pagamento de juros para o mercado financeiro, não com um funcionalismo profissional e cioso do interesse público.
Paulo Guedes, ex-ministro da Fazenda do presidente anterior, declarava seu objetivo: “colocar uma granada no bolso do inimigo”, no caso, o funcionalismo público.
O atual governo, constrangido por heranças neoliberais nocivas do período anterior, como o teto fiscal de gastos públicos e o pagamento de juros da dívida pública, deixou de atender pleitos do funcionalismo federal.
Esses problemas, entretanto, serão pequenos em comparação às várias granadas que serão jogadas contra os servidores públicos em geral caso o atual presidente não seja reeleito: fim da estabilidade, do concurso público, contratação massiva de terceirizados e temporários, critérios subjetivos de desempenho profissional, perseguições político-ideológicas, programas de demissão “voluntária” (com aspas bem merecidas), reformas prejudiciais na aposentadoria, congelamento ou até redução de vencimentos.
Sem falar na privatização, certamente a preços vis, de inúmeras empresas estatais, com prejuízo para seus servidores e comprometimento dos serviços que essas empresas prestam à população. Não se trata de catastrofismo, mas do programa neoliberal para o funcionalismo e a administração pública, basta ver o que foi posto em prática nos EUA de Trump, na Argentina de Milei, dentre outros exemplos.
Diante disso, espanta a quase absoluta inércia dos inúmeros sindicatos de servidores públicos do país. Sim, essas associações profissionais, enquanto instituições, não podem se manifestar eleitoralmente a favor deste ou daquele candidato. Podem e devem, entretanto, conscientizar seus filiados de quais são seus interesses e quais os riscos que correm, podem cobrar dos inúmeros candidatos, não só à Presidência da República ou aos governos estaduais, mas aos legislativos federal e estaduais, quais são suas propostas para a administração pública e o funcionalismo, podem, enfim, funcionar como instâncias de debate público sobre os rumos do país, do Estado e de seus funcionários.
É hora de os servidores públicos e suas associações prestarem atenção nos perigos que eles e seu país correm e tomarem uma posição mais ativa.
Rubens Goyatá Campante é servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região.
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