A vontade muitas vezes é de abandonar um hábito de uma vida inteira: levantar bem cedo de manhã, preparar o chimarrão diário da gaúcha e do gaúcho, ligar o rádio e a televisão e, costume das últimas décadas, entrar na internet e nas redes sociais para inteirar-se do noticiário e saber o que está acontecendo no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo.
Está cada vez mais difícil ver e ouvir que a paz está acabando, ou já acabou, no mundo, que as guerras e suas consequências de mortes e destruição estão cada vez mais presentes, ver os números da violência no cotidiano, os assassinatos de todos os tipos, os feminicídios aumentando assustadoramente, acompanhar as tragédias da crise climática, no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo, os acidentes mil nas estradas, e tantas outras notícias difíceis de entender, explicar e aceitar.
A pergunta que está no ar e na cabeça todo tempo: onde o mundo vai parar, até o final de 2026 e nos próximos anos, com as tragédias em curso?
Vários acontecimentos estão especialmente presentes e angustiam: o terremoto na Venezuela com milhares de mortos, dezenas de milhares de desaparecidos e destruição alarmante. Como entender o verão e calor escaldantes na Europa e nos EUA, com milhares de mortos, e agora os incêndios que deixaram centenas de milhares de pessoas fora de casa? Estamos falando da supostamente desenvolvida Europa! E o El Niño está chegando e prometendo ser o mais trágico dos últimos tempos. E agora, nos últimos dias, há terremotos no Japão, com queda de edifícios e mortes. Sem falar, esta semana, e de novo, as chuvas no Rio Grande do Sul e as tempestades inesperadas em São Paulo e Rio de Janeiro, com mil estragos!
E poderia ainda fazer referência à corrupção em crescimento quase generalizado, à concentração absurda da renda e da riqueza na mão de alguns poucos, o narcotráfico se espalhando, etc., etc. Sem esquecer a IA, Inteligência Artificial, cada dia mais presente, e cada vez mais incontrolável.
Em diferentes espaços de encontros, com reflexões e troca de ideias na presença de jovens, sempre cabe a pergunta: “O que será do Brasil e do mundo daqui a 30, 40 anos ou mais anos, quando vocês chegarem, por exemplo, aos 75 bem vividos? No ritmo em que vão indo as coisas, haverá sobreviventes até lá? Haverá água para todo mundo beber? Haverá árvores e florestas? Haverá futuro e esperança? Haverá vida para os jovens, os negros, os indígenas, o povo das periferias, as mulheres? Ainda haverá humanidade?” E a conclusão e palavra final: “As respostas serão dadas não por quem já está nos 75 de idade ou mais, mas por vocês jovens.”
É preciso, mais que nunca, falar de soberania popular e da democracia, quando, nos tempos atuais, o Império do Norte e seu ditador tentam interferir em todos os países através de tarifaços absurdos, com guerras mil em diferentes países, com ameaças de ação militar até no Brasil. E mandam, coisa que nunca se viu antes, a FIFA deixar de punir jogadores norte-americanos na Copa do Mundo, entre outras mil iniciativas absurdas e inaceitáveis da direita ultraneoliberal e neofascista.
Os tempos estão difíceis e é preciso preparar-se. A começar pelas eleições brasileiras, decisivas, não só para o Brasil, mas para a América Latina e mesmo para o mundo, neste contexto e conjuntura mais do que complexos. É fundamental ampliar as políticas públicas com participação popular, realizar Conferências, como as da Saúde, que estão em andamento, ter políticas e programas de cuidado com a natureza e o meio ambiente, e com a Casa Comum. É preciso, mais que nunca, preservar e ampliar a democracia, a soberania popular, rumo a uma Sociedade do Bem Viver.
2026 é tudo isso e muito mais, mesmo já tendo, e felizmente, a recomposição, ainda em curso, de políticas públicas com participação popular, como a PNEPS-SUS, Política nacional de Educação Popular em Saúde, os programas de Economia Solidária, o fim da escala 6×1, entre outras muitas ações e iniciativas em andamento, com as juventudes, as mulheres, de agroecologia e produção orgânica, com o povo quilombola, os indígenas.
O povo, especialmente os mais pobres entre os pobres, as trabalhadoras e os trabalhadores, está voltando a ter vez e voz. É decisivo que tudo isso não só continue, mas se aprofunde no próximo período, para que haja vida, e vida em abundância. Resistência, muita resistência, resistência sempre, na boa luta.
Os próximos meses serão decisivos no Brasil, com as eleições de outubro, com um projeto estratégico de Nação, democrático e popular, construído de baixo para cima. Com a vitória eleitoral em outubro, será possível vislumbrar “um outro mundo possível”, cada vez mais urgente e necessário. E saber onde o mundo vai parar nos próximos anos e décadas. E para que se possa manter o hábito de uma vida e de sempre: levantar cedo, tomar um bom chimarrão e inteirar-se, antes de começar as lidas e responsabilidades do dia, sem maiores sobressaltos e tristeza, dos acontecimentos no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

