“Adeus, mano velho. Não podia ter acontecido. Mais um, e logo tu. Por que, me pergunto, perder Adão Pretto, deputado federal, lutador das causas populares, dos sem-terras, dos pequenos agricultores, um de nossos melhores, por que? ´Que merda´, falamos ambos, eu e João Pedro Stédile, quando nos abraçamos. Terminado 2008, pensei que a série de notícias tristes e perdas sem explicação tinha terminado. Vejo que não. Continuam e aumentam a dor, a tristeza, o infinito sofrimento, tudo que me invade agora, os nervos à flor da pele, agora quando estou esperando o avião alçar vôo de Brasília para Porto Alegre” (Selvino Heck, ´Adeus, Mano velho´, em Relendo Vereda, Grupo Vereda – Prosa, org. José Eduardo Degrazia, Ed. Bestiário, CLASS, 2017, p. 169.)
Segue o texto-homenagem, escrito em fevereiro de 2009: “Lembro tantas coisas. Por exemplo, de quando nos conhecemos, em 1985: conversa em sala apertada no Seminário dos franciscanos em Três Passos (RS), reunidos ao redor de uma mesa pequena, eu, Frei Sérgio Görgen, Antônio Marangon. Acertar tua entrada e do Marangon no Partido dos Trabalhadores. Foste eleito deputado estadual constituinte gaúcho comigo, José Fortunati e Raul Pont. Teu lema e teus símbolos: a enxada e UM PÉ NA LUTA, OUTRO PÉ NO PARLAMENTO.”
Escrevi, na homenagem de despedida: “Mano velho, plantaste muitas sementes, como falaram Olívio Dutra e o presidente Lula na homenagem final. Sementes que se traduzem em filhos biológicos, mas principalmente em filhos da luta e do teu/nosso sonho de justiça, de liberdade, de democracia, de igualdade, de partilha. As sementes estão germinando, irão crescer e já começam a dar frutos aqui e acolá na América Latina, e ainda darão muitos frutos no futuro” (P. 171).
Adão Pretto politicamente era trabalhista, seguidor de Leonel Brizola, sempre presente nas lutas pela terra, nas Romarias da Terra, e presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Miraguaí. Hoje, um dos seus filhos, Edegar Pretto, é candidato a vice-governador, pelo PT, aliado ao trabalhismo histórico, com a neta de Leonel Brizola, Juliana Brizola. A História acontece e continua presente!
Há, pois, um reencontro histórico. O filho do trabalhista e brizolista Adão Pretto, Edegar, é candidato a vice-governador pelo PT, Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, com Juliana Brizola, neta do ex-governador Leonel Brizola, candidata a governadora pelo PDT, Partido Democrático Trabalhista. É hora de juntar os legados de Adão Pretto e Leonel Brizola no programa e nas ações do futuro governo gaúcho, especialmente na educação, na luta pela Reforma Agrária e na defesa da democracia, relembrando sempre a histórica Campanha da Legalidade dos anos 1960, quando Leonel Brizola era governador do Rio Grande do Sul.
Terminei assim meu artigo de homenagem a Adão Pretto, de memória e saudade, Adeus, mano velho, em fevereiro de 2009 (p. 171 e 172): “Nada e ninguém te segurava, na tua coragem, na tua determinação, no teu compromisso com os pobres e os trabalhadores. Vai, mano velho, camperear em outros campos, mas, por favor, como bom pastor não esquece de olhar por nós e para nós, de nos acompanhar com tua alegria, teu riso sempre presente, teus causos, tua música, tuas trovas inesquecíveis com o Severiano, teus discursos inflamados que levantavam a multidão, tua defesa permanente das-dos sem-terras, das pequenas agricultoras e dos pequenos agricultores, das trabalhadoras e dos trabalhadores do campo e da cidade.
Não te esqueceremos jamais, mano velho. Serás um facho de luz, um brilho permanente, uma estrela. Sim, uma estrela a iluminar os pampas onde tem terra para distribuir e onde as lutadoras e os lutadores, as sonhadoras e os sonhadores acamparão para resistir, plantar e produzir”.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

