A eleição de 1986 entrou para a história por diferentes razões. É a primeira eleição para governador depois da ditadura militar. Aconteceu depois das grandes mobilizações pelas Diretas Já e por uma Constituinte livre e exclusiva, reunindo milhões em grandes comícios em todo Brasil, preparando, finalmente, o Brasil de novo para a democracia, depois de uma ditadura militar que durou 21 anos.
Dois fatos da campanha merecem registro especial. O primeiro. O saudoso e sempre presente Frei Sérgio Görgen sempre contava em público que na primeira metade de 1986 eu fiz mais campanha para Adão Pretto candidato a deputado estadual e para Antônio Marangon, candidato a deputado federal, viajando com eles por todo Estado. Afinal, eu e Frei Sérgio fomos a Três Passos, em conversa com Adão Pretto no Seminário São Pascoal, convencer o Adão, que era filiado no PDT e presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Miraguaí, a filiar-se no PT, o que aconteceu.
Segundo. Eu e o hoje ainda senador Paulo Renato Paim, a quem, tempos antes, a seu pedido, damos ‘aulas’ no Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP), sobre história do movimento operário e das lutas dos trabalhadores viajamos por todo Estado no meu fusquinha amarelo, eu dirigindo, ele na carona, chegando em todos os sindicatos de trabalhadores metalúrgicos.
O PT elegeu 4 deputados estaduais em 1986, pela primeira vez na sua história: Adão Pretto, Raul Pont, José Fortunati e eu, Selvino Heck. E 2 deputados federais, Paim e Olívio Dutra, sendo os suplentes Tarso Genro e Antônio Marangon.
Foi uma vitória e tanto, o que garantiu uma participação expressiva no processo constituinte federal e estadual, com ampla participação popular e uma Constituição a mais avançada e democrática no contexto dos anos 1980, que orienta o Brasil e o Rio Grande do Sul até hoje, com democracia e soberania popular.
Seguiram-se, no contexto do processo constituinte e da democratização, as importantes eleições municipais de 1988. E com vitória do PT em 4 municípios gaúchos, a começar pela capital Porto Alegre, mais Ronda Alta, Aratiba e Rio Grande, e eleição de vereadores em diferentes municípios gaúchos, entre os quais o saudoso Claiton Chaves, de Esteio. O PT, como sempre, foi vitorioso na Lomba do Pinheiro, elegendo Décio Schauren vereador por Porto Alegre, reeleito várias vezes, e o professor Bonatto por Viamão, que migrou, infelizmente, para a direita.
A vitória em Porto Alegre em 1988 foi um marco, porque inaugurou, com Olívio Dutra prefeito e Tarso Genro vice, a participação da participação popular nas políticas públicas, em especial com a proposta do OP, Orçamento Participativo, exemplo até hoje para o Brasil e o mundo.
Vieram as primeiras eleições diretas para presidente em 1989, com Lula candidato pela primeira vez. E muitos fatos marcantes. Lula e Brizola eram ambos candidatos. Lula foi ao segundo turno contra Collor de Melo, este apoiado pela grande mídia, especialmente a Rede Globo. Lula teve uma votação pouco expressiva no Rio Grande do Sul no primeiro turno. No segundo turno, Brizola apoiou Lula. Ao passarmos por Canoas, Brizola me perguntou, eu Coordenador geral da campanha Lula no Rio Grande do Sul, indo para o primeiro comício de Lula e Brizola juntos, em Novo Hamburgo: “O prefeito de Canos, Hugo Lagranha, do PDT, está apoiando Lula?” Respondi: “Não.” Resposta imediata de Brizola: “Amanhã ele estará fora do PDT”. E assim aconteceu. Foi expulso do partido. Lula teve vitória arrasadora no Rio Grande do Sul, com quase 60% dos votos no segundo turno. Mas perdeu a eleição em nível nacional.
As eleições de 1990 foram muito difíceis. Eu, presidente do PT/RS, privilegiei a coordenação da campanha estadual, e não me reelegi deputado estadual.
Vale registrar a eleição de 1998, com a vitória de Olívio Dutra e Miguel Rossetto no Rio Grande do Sul, o PT pela primeira vez no governo estadual. Começou o Orçamento Participativo (OP), em nível estadual e abriu-se o caminho para o Fórum Social Mundial em Porto Alegre (FSM), em 2001, com a frase ‘um outro mundo possível’, que, hoje, 2026, é mais do que urgente e necessário.
A eleição de 2002, no início do século 21, foi marcante e histórica. Lula foi eleito pela primeira vez presidente da República, o PT governando o Brasil, o que se seguiu com nova vitória em 2006 e depois a eleição da primeira mulher presidente, Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014, com o Programa Fome Zero e tantas outras políticas públicas com participação popular.
Depois de todas as turbulências dos últimos anos, com o governo da ultra direita e do neoliberalismo, finalmente houve de novo a vitória de Lula em 2022. Agora, a eleição presidencial de 2026 e de governadores, com renovação do Congresso nacional, é mais do que importante para o futuro do Rio Grande do Sul e do Brasil. Quase dá para dizer que é decisiva, não só em nível nacional, mas também internacional. É a eleição das nossas vidas.
O PT, sempre vitorioso na Lomba do Pinheiro, vai ganhar de novo nas vilas populares em 2026. E vai ganhar no Rio Grande do Sul. E vai ganhar no Brasil, para garantir os direitos de trabalhadoras e trabalhadores, fortalecer a democracia com soberania e ampliar programas e políticas com ampla participação popular.
É o desafio do momento e a urgência dos próximos dias, até 4 de outubro: vitória lá e cá.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.


