Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); Participante da Ciranda pelo CEAAL Brasil, CAMP e Articula PNEPS-SUS.

Na boa luta, com fé e coragem: esperançar

Manifestação em Porto Alegre (RS) na última terça-feira (13)
Manifestação em Porto Alegre (RS) na última terça-feira (13) | Crédito: Leonardo Melgarejo

Ninguém solta a mão de ninguém

Foi uma multidão impressionante dia 13, exatamente 13, na Esquina Democrática em Porto Alegre. Sim, a Esquina Democrática, assim denominada porque nela o povo, trabalhadoras e trabalhadoras, se encontra e grita por liberdade e democracia. Assim como houve uma multidão nas ruas de Santa Maria no mesmo dia 13, e em muitos outros lugares Brasil afora. E Lula não estava presente em nenhuma das duas mobilizações de massa no Rio Grande do Sul. 

Falta uma semana para o segundo turno e o povo está nas ruas. São multidões em todo Brasil. O debate sobre o futuro está presente todos os dias em todos os lugares. Será Lula presidente de novo.

A presença e participação das juventudes e das mulheres merece um registro mais do que especial nesta hora e conjuntura. As juventudes estão se mobilizando nas Universidades, nas escolas e em todos os espaços, assim como as mulheres, como sinal de futuro. Não há nada mais bonito e simbólico do que ver os jovens com bandeiras nas mãos, mulheres exigindo o fim dos feminicídios e da violência.

A mobilização de massa é fundamental nesta hora e nesta altura do campeonato. Significa não só a possiblidade da vitória de Lula, assim como a garantia de que o amanhã e o futuro governo terão ampla participação social e popular, com políticas e programas que vão afirmar a melhoria de vida da população brasileira e ser exemplo para o mundo.

A fé na democracia e na soberania são decisivas neste momento histórico por que passa o Brasil. É acreditar que, mesmo em tempos de uma crise civilizatória que o mundo atravessa, é possível apostar num povo e país soberanos, assim como esperar que a democracia aconteça e se consolide todos os dias.

A vez e a voz do povo, tantas vezes caladas no Brasil por golpes e ditaduras militares, agora mais uma vez estão se levantando, dizendo o que querem, o que defendem, em especial os direitos dos mais pobres entre os pobres.

O Brasil não pode cair nas mãos e poder do crime organizado. As ameaças estão nas periferias todos os dias, quando o povo pobre não pode sair à rua, circular livremente, dizer o que pensam, organizar-se na base popular. A saúde, a educação, o meio ambiente, a segurança de cidadãs e cidadãos não podem esperar.

O povo está nas ruas como nunca. É preciso acelerar esse processo. Muito. A boa luta acontece e precisa estar acompanhada de movimentos de formação na base popular. Um povo consciente e organizado é certeza de vida.

Com fé e coragem, a vida marca presença em todas as esquinas, em todas as casas, em todas as ruas. A mais ampla unidade política e popular é decisiva nesta hora. 

ESPERANÇAR é preciso. Não ficar parado, não esperar apenas, paralisados e silenciosos. Esperançar é fazer a esperança acontecer diariamente, nas palavras de Paulo Freire. O tempo urge. E ruge. 

Ninguém solta a mão de ninguém.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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