Foi impressionante o ato e caminhada da campanha Lula em 19 de outubro, segunda-feira, pelo centro de Porto Alegre. Com certeza, mais de 100 mil caminhantes. Alguns participantes chegaram a falar em 200 mil. Em 50 anos de militância politica, partidária e eleitoral, nunca vi nada igual. Nem nos grandes comícios das Diretas Já, no início dos anos 1980, ou no segundo turno das eleições presidenciais de 1989, Lula e Brizola juntos, nem na vitoriosa campanha presidencial de Lula em 2002.
Um verdadeiro marco histórico. Era povo, povo e mais povo. Muitas e muitos jovens, muitas mulheres, muitas e muitos 60+, gente de todos os lugares, caravanas e mais caravanas do Rio Grande do Sul inteiro, na esperança de ver e participar de uma virada e vitória em 25 de outubro, com Lula eleito presidente pela quarta vez.
Mas ainda não é possível cravar o resultado final em plena semana do final da campanha. Há muitos fatores imponderáveis em jogo. Há os poderes imperiais de sempre, jogando por baixo dos panos. Há a IA, Inteligência Artificial, agindo e participando, sem se poder medir exatamente como e com quais consequências. Há pesquisas e mais pesquisas eleitorais sobre as quais não se tem controle ou não se sabe se estão retratando a verdade. Há milhões de eleitoras e eleitoras que, ou não foram votar no primeiro turno, ou anularam o voto, e que é preciso conquistar para votarem em Lula no segundo turno.
O desafio principal é este. Dificilmente os votos já dados no primeiro turno vão mudar de lado e de candidato. Vale, sim, levar mais gente para votar, especialmente as-os idosas-os, as-os que não acreditam mais em governos e em eleições, as-os que, por diferentes dificuldades, se abstiveram no primeiro turno. É um trabalho boca a boca, casa a casa, na conversa amiga, no convencimento companheiro.
O futuro do Brasil, mais que nunca, está em jogo no domingo, 25 de outubro de 2026. Haverá mais democracia, ou ela será mais uma vez sufocada? Haverá programas de governo beneficiando trabalhadoras e trabalhadores, e especialmente os mais pobres entre os pobres, ou o Brasil, como aconteceu no governo anterior, voltará ao Mapa da Fome da ONU? A soberania popular será respeitada? Os direitos de quem mais precisa serão ampliados ou não? A participação popular com a PNEPS-SUS, Política nacional de Educação Popular em Saúde, a Economia Popular e Solidária, a Política nacional de agroecologia e Produção orgânica, entre outros tantos Programas, continuarão e serão ampliados, as Conferências e Conselhos continuarão vivos e atuantes, ou serão sufocados, como foram há pouco tempo, no governo anterior?
A vida de brasileiras e brasileiros, seu acesso à saúde, à educação, à alimentação estão em jogo. Haverá segurança pública, os feminicídios serão diminuídos, a violência, especialmente nas periferias das grandes cidades, será enfrentada?
A cidadania de brasileiras e brasileiras está em jogo. A paz e a boa convivência no cotidiano precisam ser assegurados.
Mas, apesar das muitas dúvidas e incertezas, é possível acreditar na lucidez de eleitoras e eleitores, e que haverão de votar na vida e na esperança.
Que assim seja em 25 de outubro de 2026. Até lá, nos poucos dias e horas que faltam, cada gesto, cada palavra, cada aperto de mão, cada olhar de ternura poderão ser decisivos. E haverão de traduzir-se num voto pela justiça, pela paz, pela soberania popular e pela democracia.
Na boa luta, com fé e coragem, ESPERANÇAR.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.


