Vicente Rauber

Engenheiro especializado em Planejamento Energético e Ambiental.

É hora de parcerias estratégicas com a China

No audio source provided.

Agência Xinhua (foto pública) – Praça da Paz Celestial – Dia Nacional da China
Praça da Paz Celestial – Dia Nacional da China | Crédito: Agência Xinhua

A China é também o país que mais se expande mundo afora

As maiores e mais impressionantes infraestruturas do mundo estão na China. O país possui a maior rede de trens de alta velocidade do mundo, a maior usina hidrelétrica do mundo construída no maior rio da Ásia (Yangtze), usado para múltiplas finalidades, incluindo uma transposição que atravessa o país e o maior porto totalmente automatizado de contêiners do mundo, situado a 32 km mar adentro.

O país é extremamente montanhoso, o que naturalmente dificultaria muito a sua circulação e integração. Lá estão as 10 maiores e mais elevadas pontes do mundo, túneis em espirais dentro das montanhas para vencer as alturas e longas estradas elevadas.

Quais são estas infraestruturas e com que tecnologias foram viabilizadas. Isto merece um artigo especial que faremos em edição a seguir.  

A China é o país que mais se expande no mundo

A China é também o país que mais se expande mundo afora.

Neste artigo complementaremos “A China é grande e forte”, de 28/8/26 e “China: que país é este?”, de 24/9/26.

Precisamos conhecer mais este país e como se relaciona com o mundo, tendo ocupado espaços cada vez maiores, graças às suas políticas econômica, industrial, tecnológica e também contando com a ajuda de Donald Trump. O presidente estadunidense consegue incompatibilizar-se com o mundo e assim abre espaços para a China ocupar.

Deng Xiaoping manteve o comunismo maoista e abriu a China para o mundo

A partir da década de 1970, especialmente com o governo de Deng Xiaoping, a China abriu-se para o mundo, e desde então mantém um governo centralizado, um “comunismo maoista” com uma forte e dinâmica economia de mercado. 

Houve grande aumento das produções agrícola e industrial. A pobreza e a fome passaram a reduzir mais aceleradamente.

Aumentou a escala de produção industrial, ainda bastante mecanizada e com intensa mão-de-obra com baixa remuneração, exportando grande volume de produtos baratos e nem sempre de boa qualidade. Dizia-se estar contribuindo para manter a inflação baixa no mundo.

A China, porém, tem história com invenções e tecnologia. Ainda no século 3 aC (antes de Cristo) já dominava conhecimentos magnéticos e criou a bússola; em 105 dC (depois de Cristo) criou o papel, substituindo tiras de bambu e madeira, em registros usuais e seda em documentos. Em 600 dC criou a impressão. No século 9 dC inventou a pólvora e no ano 1000 dC os fogos de artifício.

Com o passar do tempo foi crescendo tecnologicamente e, principalmente a partir dos anos 1990, muitas empresas estrangeiras, inclusive dos EUA e do Brasil, instalaram-se no país. O crescimento do país durante vários anos chegou a alcançar dois dígitos.

A imensa mão-obra-obra passou a ser mais qualificada e mais bem remunerada. A partir de 2010, o crescimento passou a ser não tão elevado e ser priorizado para a qualidade de vida interna. Em 2020 verificou-se o fim da pobreza extrema, embora significativa parte da população ainda tenha ganhos pequenos, sendo auxiliada por programas governamentais.

Veículo elétrico chines com placa verde – Crédito: Vicente Rauber

A China é o maior produtor industrial, líder da Quarta Revolução Industrial

Atualmente o país é o líder da manufatura global, produzindo um terço do total, possuindo a indústria mais sólida do mundo, quase todos os países dependem dos seus insumos. Lidera a Quarta Revolução Industrial, sendo líder mundial de tecnologia. Lidera a produção de baterias de lítio, veículos elétricos, painéis solares, robótica, redes 5G e inteligência artificial.

China possui grande produção agrícola – Crédito: Vicente Rauber

Possui uma gigante produção agrícola, mas ainda adquire muitas commodities para alimentar o seu povo. No caso brasileiro, compra principalmente soja e carnes.

Igualmente compra muitas commodities industriais, no caso, somos fornecedores de minérios de ferro e petróleo cru. É nosso principal parceiro comercial, com superávit favorável ao Brasil.

Pagode chines em roteiro histórico – Crédito: Vicente Rauber

Oferece roteiros turísticos históricos muito frequentados por chineses e turistas, sem nenhuma restrição em expor o passado anterior a Revolução Comunista, em especial templos e grutas budistas e outros, a cidade proibida e o palácio de verão dos imperadores, os pagodes, estátuas de animais com cabeças de dragão, bem como as cidades modernas e suas belezas naturais.

O indiano Buda – forte presença nos roteiros históricos da China – Crédito: Vicente Rauber

Seus principais parceiros comerciais são os EUA, os países asiáticos e o Brasil. Compramos veículos elétricos, acessórios automotivos, painéis solares, chips, semicondutores, equipamentos de telecomunicações, adubos e fertilizantes e medicamentos.

A China trabalha com visão e planejamento estratégicos

A China trabalha com visão estratégica, fazendo planejamentos de curto, médio e longo prazos. 

Já na década de 60 reconheceu o valor essencial das terras raras e metais estratégicos, mantendo o seu desenvolvimento em empresas estatais, inclusive comprando tecnologia e patentes para a sua industrialização.

Hoje detém 70% das reservas conhecidas de terras raras e as beneficia e converte em produtos mais de 90%. Por isto, todos os países, inclusive os EUA, são dependentes das baterias de lítio na fabricação de veículos elétricos e de inúmeros equipamentos eletrônicos.

É hora de parcerias estratégicas com a China

O Brasil é a segunda maior reserva de terras raras, aproximadamente 30%. Pela recente legislação aprovada pelo Governo Lula, devem ser mineradas e beneficiadas no Brasil.

Já somos o maior parceiro econômico da China, onde ela mais investe recursos, especialmente em infraestrutura e indústrias.

É o caso de evoluirmos em nossas relações com a China, além da condição de vendedores de commodities e compradores de produtos industrializados, estabelecendo parcerias para beneficiar e industrializar terras raras e metais estratégicos na produção de veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e tudo mais o que for possível no campo da tecnologia avançada.

Igualmente devemos estabelecer parcerias em pesquisas e bolsas universitárias na China.

Sejamos realistas: isto é necessário e somente será possível com um governo comprometido com uma soberania sustentável e justa, e que será eleito agora em outubro.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

|

Newsletter