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Fazendeiro envolvido na morte do cacique Nísio é preso

No total, a Polícia Federal já prendeu 18 pessoas suspeitas de envolvimento no assassinato do cacique, ocorrido em novembro de 2011


da Redação

A Polícia Federal (PF) realizou nessa quarta-feira (4) mais uma operação para cumprir oito mandados de prisão emitidos pela Justiça Federal de Ponta Porã (MS) contra suspeitos de envolvimento no ataque contra a comunidade Guarani Kaiowá do acampamento Tekoha Guaiviry, que resultou na morte do cacique Nísio Gomes, em novembro de 2011. Entre os detidos pela Polícia Federal está o fazendeiro e presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira, Osvin Mittanck.

O advogado do fazendeiro, Fabrício Franco Marques, admitiu que o cliente participou, em novembro de 2011, de diversas reuniões com fazendeiros dos municípios de Amambaí e Ponta Porã, onde fica o acampamento indígena, mas negou seu envolvimento no crime sob o argumento de que o fazendeiro não tem interesse algum na região. Na época, Mittanck jogou suspeitas sobre a veracidade dos relatos dos indígenas sobre o ataque em diversas declarações.

Os mandados foram expedidos contra seis fazendeiros, um advogado e um servidor público que, de acordo com as investigações da PF, tiveram participação e responsabilidade no planejamento e fornecimento das armas que culminaram no crime. Esta é a segunda operação realizada pelo órgão federal em busca de envolvidos na morte do cacique. Na primeira, ocorrida no dia 18 de junho, nove suspeitos acabaram detidos.

No total, 18 pessoas já foram presas, entre eles, o empresário Aureliano Arce, dono da Gaspem Segurança de Dourados. De acordo com a Polícia Federal, novas provas apontam que efetivamente o cacique Nísio Gomes foi morto por pessoas vinculadas à empresa de segurança de Dourados e seu corpo foi ocultado pelos mandantes do ataque.

As investigações sobre a morte seguem e, conforme informado pela PF, outras pessoas ainda podem ser presas. Além disso, continuam as buscas pelo corpo de Nísio, levado pelos pistoleiros após o ataque.

Ataque

No dia 18 de novembro de 2011, cerca de 40 pistoleiros encapuzados e armados invadiram o acampamento indígena e executaram o cacique com tiros de calibre 12. De acordo com relato dos indígenas, Nísio foi assassinado por pistoleiros contratados por fazendeiros, e, após os disparos, seu corpo foi levado.