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Sem-teto lançam abaixo-assinado contra despejo

O imóvel, localizado no centro de São Paulo, estava abandonado há 20 anos. 85 famílias podem ficar na rua, já que a prefeitura alega não ter espaço para alojá-las











Foto: Raquel Marques



José Francisco Neto,
da Redação


Mais de 80 famílias, incluindo 67 crianças, podem ficar desalojadas.

Foto: Raquel Marques

Moradores da ocupação São João - prédio localizado na avenida São João, 588, no centro de São Paulo - lançaram um abaixo-assinado contra a reintegração de posse anunciada nesta quinta-feira (23) pelo juiz Olavo de Oliveira Neto, da 39º Vara Cível da Capital. Para assinar, clique aqui (o abaixo-assinado deverá ser impresso e entregue até o dia 02 de setembro na ocupação), ou se preferir assine a petição pelo Avaaz.


O imóvel está abandonado há 20 anos, mas mesmo assim, o juiz optou pelo despejo das 85 famílias que tem até o dia 11 de setembro para sair do prédio, no qual residem há quase dois anos. A prefeitura alega que não há alojamento para abrigar as pessoas, segundo afirmou a coordenadora da ocupação Antônia Nascimento, em entrevista ao site Spresso SP.



Moradores e poetas participam do Sarau da Ocupa

realizado às quartas-feiras quinzenais - Foto: Raquel Marques

É lá também que acontece o Sarau da Ocupa, movimento cultural que ocorre às quartas-feiras quinzenais, em que dezenas de pessoas, inclusive os próprios moradores, participam com suas poesias e músicas. O sarau chegou a ser transmitido no jornal SPTV, da rede Globo, no quadro SP Cultura, apresentado pelo escritor Alessandro Buzo. (para assistir, clique aqui).


Desde o dia 3 de outubro de 2010, o prédio está ocupado pelas famílias que exercem a função social que determina a constituição. Em entrevista ao Brasil de Fato no mês de junho, Carmem da Silva, uma das representantes do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), disse que o imóvel tem uma destinação ilegal perante a lei, pois ali, funcionava um bingo.

“Eu não entendo que justiça é essa, que dá uma conotação criminal para uma ação de jogo, dizendo que é ilegal. E quando nós, moradores e trabalhadores que pagamos impostos, que estamos cansados de pagar aluguel, queremos pagar uma moradia digna dentro da nossa possibilidade, querem nos tirar numa reintegração de posse, sem avaliar que esse imóvel não exercia nenhuma função social”, disse Carmen, se referindo à ordem de despejo anunciada desde aquela época.

Uma nova reunião está marcada para o dia 5 de setembro com o objetivo de se chegar a um acordo que não prejudique as famílias, as crianças matriculadas nas escolas e quem hoje trabalha na região. Segundo nota dos moradores do prédio, o abaixo-assinado será entregue à Justiça paulista solicitando que a liminar de despejo das 85 famílias seja revogada e que “o direito a moradia digna possa prevalecer sobre o endividamento e o abandono do imóvel”
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