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Ameaçada de despejo, moradora do Crusp recebe apoio

Amanda Freire deve deixar o apartamento da Universidade após ter sido eliminada por suposta participação em ocupação política



da Redação


Foto: Jornal do Campus

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) preparam para este domingo (30) e segunda-feira (1º) uma vigília visando impedir a reintegração de posse do apartamento da estudante de filosofia, Amanda Freire. A moradora do apartamento 102, do Bloco A, foi eliminada no dia 17 de dezembro de 2011 pela Reitoria pela suposta participação na ocupação de um espaço do bloco G do Crusp (Conjunto Residencial da USP) para reivindicar mais vagas para alunos de baixa renda. O espaço ocupado foi usado posteriormente como moradia estudantil.

Segundo a estudante, a Universidade não permite que ela more na USP por ter sido eliminada. Para impedir o seu despejo, alunos preparam uma vigília que deve começar às 20h do domingo e durar por toda a segunda-feira. No evento criado no Facebook (clique aqui), eles dizem que farão atividades como festa, debate, intervenções artísticas e políticas e pedem aos participantes que tragam “cervejas, livros, verbos, princípios e coragem (o mais importante)”.

Amanda tem um filho de 10 meses, que mora com ela. No último dia 20, durante ato em apoio aos alunos processados por suposta participação em ocupações no campus, o senador Eduardo Suplicy (PT) e o jurista Fábio Konder Comparato tomaram conhecimento do caso de Amanda e se colocaram à disposição para impedir a reintegração de posse.
Essa é a segunda vez que a moradora sofre com um processo de despejo. O primeiro estava previsto para o dia 19 de março, mas não aconteceu. Na época, em entrevista ao Brasil de Fato, Amanda afirmou que não participou da ocupação que resultou na sua eliminação e apontou ilegalidades na condução do seu processo. “Não tive oportunidade de me defender plenamente, apesar da Universidade dizer que eu tive. Eles queriam que a gente depusesse antes mesmo de conhecer quais eram as nossas acusações, coisa que não assegurava a nossa ampla defesa”, disse.

Além disso, contou que não teve a presunção de inocência garantida. “Normalmente na Justiça você é inocente até que se prove o contrário. No nosso caso somos culpados até que provemos o contrário”, diz. Além dela, outros cinco estudantes foram expulsos por causa da ocupação do bloco estudantil. Desses, dois tiveram a pena revertida pela Justiça que a considerou “excessiva” ou “ao menos não bem justificada”.


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