Brasil de Fato

Uma Visão Popular do Brasil e do Mundo

Sem atendimento habitacional, moradores da Vila Itororó recebem ordem de despejo

Ao procurarem a Secretaria de Habitação de São Paulo, famílias foram aconselhadas a procurarem a Secretaria de Cultura, responsável pelo restauro do local











Foto: Marcel Maia_CC



Patrícia Benvenuti

Da redação

Vila Itororó, na Bela Vista: uma das vilas urbanas mais antigas da

cidade de São Paulo - Foto: Marcel Maia_CC

As famílias remanescentes da Vila Itororó, no centro de São Paulo, podem ficar sem um lar nos próximos dias. Sem oferecer atendimento habitacional, a Prefeitura ordenou o despejo dos moradores para dar início às obras de restauração do local, situado no bairro da Bela Vista.

A retirada dos moradores da Vila começou em dezembro do ano passado, quando 64 famílias foram reassentadas em conjuntos habitacionais na região.

Sete famílias, porém, ainda aguardam atendimento. Segundo Antonia Souza Candido, que reside na Vila há 32 anos, esses moradores deveriam ser realocados para o empreendimento habitacional “Bom Retiro C”, localizado na Rua Guilherme Mawl, na região da Luz, também no centro. O prazo para a entrega dos imóveis era a primeira quinzena de dezembro deste ano. No entanto, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) prorrogou o prazo para abril de 2013.

Em novembro deste ano, os moradores receberam um ofício comunicando a imissão na posse do imóvel que, do governo do Estado, passará para responsabilidade da Prefeitura. Em dezembro, os moradores foram surpreendidos com uma notificação, entregue por um oficial de Justiça, de que deveriam deixar a Vila até esta sexta-feira, 14 dezembro.

Sem bolsa-aluguel e sem alternativas, os moradores procuraram a Secretaria de Habitação (Sehab). De acordo com Antonia, o órgão informou que não poderia fazer mais nada pelas famílias. “A [Secretaria de] Habitação disse que não era mais responsabilidade dela, e sim da [Secretaria de] Cultura”, relata. Dentre os moradores, segundo Antonia, estão idosos com problemas de saúde e crianças de até três anos.

Durante toda a semana a reportagem do Brasil de Fato tentou entrar em contato com Sehab. Até o fechamento desta matéria, porém, não houve retorno da assessoria de imprensa do órgão.

Responsável pelo projeto de restauração, a Secretaria Municipal de Cultura informou que “aguarda a transferência formal da Vila Itororó, que foi desapropriada pelo Governo do Estado, à Prefeitura de SP. Uma vez concluída a transferência, que está na iminência de ocorrer, as obras poderão ser iniciadas imediatamente, já que a licitação da obra já foi concluída”.

A licitação para as obras foi vencida pela Concrejato Serviços Técnicos de Engenharia S/A pelo valor de R$ 43 milhões. O plano da Prefeitura é transformar o local em polo cultural e gastronômico.


Leia mais:

A história do palacete “surrealista” que virou a casa de gente simples