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Dia de Ação pela Guatemala denuncia assassinato de sindicalistas

"É hora de ampliar a solidariedade em defesa da vida e dos direitos humanos”, afirmou o dirigente cutista João Felício, no ato convocado pela CSA











Foto: Reprodução/CUT



Leonardo Severo,

de São Paulo (SP)

Convocado pela Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), o Dia de Ação pela Guatemala contra o assassinato de sindicalistas e a impunidade reuniu na sexta-feira (17) dezenas de militantes em frente ao consulado do país em São Paulo (SP) para cobrar o fim da barbárie contra os trabalhadores.

São 15 dirigentes sindicais assassinados anualmente no país, cuja população é de cerca de 15 milhões, instaurando uma cultura do terror que fez a taxa de sindicalização despencar para 1,6%, em meio às perseguições e ameaças, particularmente nas plantações de café e banana, que reproduzem um esquema feudal em prol das transnacionais.

Na oportunidade, o secretário geral da Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), Víctor Báez Mosqueira; o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, e o representante da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Josemar Andrade de Assis, entregaram ao cônsul honorário da Guatemala, Arthur Wolkovier, um manifesto cobrando ações imediatas para que se faça justiça, pondo fim à onda de assassinatos.

“Para pôr um ponto final nesses crimes e perseguições, é hora de ampliar a solidariedade do movimento sindical brasileiro e internacional em defesa da vida e dos direitos humanos dos trabalhadores guatemaltecos. Não podemos compactuar com a impunidade, que é uma prática de governos autoritários que atentam contra a liberdade”, afirmou João Felício.

Justiça

Conforme o dirigente cutista, “o exemplo guatemalteco de não coibir e não julgar os criminosos é extremamente nefasto e nocivo não só para a prática sindical, mas para a própria democracia, que se vê amordaçada”. “É uma quantidade enorme de assassinatos que tem o objetivo claro de calar a luta por direitos elementares dos trabalhadores como a negociação sindical e a convenção coletiva”, enfatizou.

Representando a Internacional dos Serviços Públicos (ISP), Monica Valente alertou para o “clima de medo” que reina no país, “onde além do grande número de assassinatos de dirigentes sindicais e trabalhadores que lutam por seus direitos estão as ameaças de morte e de sequestro aos seus familiares”. “O sindicalista na Guatemala coloca a sua vida em risco. Recentemente foi assassinado o companheiro Carlos Hernandez, trabalhador da cultura ligado à ISP. E várias outras lideranças que lutam contra a privatização e a entrega dos serviços públicos continuam sendo mortas. Isso precisa acabar!”, condenou.

Com o objetivo de virar esta triste página, ressaltou Monica, o governo da Guatemala, “país que é atualmente o número um em assassinato de sindicalistas no mundo”, será denunciado na Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no dia 5 de junho, em Genebra, na Suíça. “Também vamos denunciar e pressionar para que o país não tenha assento nas organizações internacionais, como a OMC. Como disse o companheiro João Felício, precisamos cobrar respeito a direitos básicos dos trabalhadores”, frisou.

Para Josemar Andrade de Assis, da UGT, “providências são necessárias e inadiáveis, pois as lideranças sindicais da Guatemala estão sofrendo à bala, pagando com a própria vida a decisão de lutar pelos direitos da classe trabalhadora”.

Greve de fome

Diante de “tantos e tão graves atropelos”, o secretário geral da CSA, Víctor Báez Mosqueira, disse que se colocava à disposição do movimento “para realizar uma greve de fome com o intuito de sensibilizar a opinião pública internacional e ampliar a denúncia, a fim de que os responsáveis pelos crimes sejam punidos”.

Para Víctor, “a mais absoluta impunidade” que reina na Guatemala é o caldo de cultura para que os assassinatos de lideranças dos movimentos de trabalhadores se multipliquem, jogando ao piso as taxas de sindicalização, “devido ao clima de terror”.

Infelizmente, lembrou, apesar das ações da CSI (Confederação Sindical Internacional) e da CSA, que já realizaram várias manifestações de solidariedade e, inclusive, duas conferências internacionais contra a impunidade na Guatemala, “que trouxeram à luz a violência antissindical no país, a situação de desrespeito aos direitos humanos e a criminalização dos protestos se agravaram”.

Foto: Reprodução/CUT