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Ativista que abriu bandeira gay durante final da Copa diz que coragem veio das ruas

Alex Tietre diz ter se espelhado na "mesma coragem que todos os trabalhadores têm quando saem para trabalhar para ganhar um salário ridículo, com um transporte precário"











Foto: Reprodução



Camila Marins

do Rio de Janeiro (RJ)


“Figurantes exibem faixa de protesto durante cerimônia de encerramento” foi a manchete de diferentes veículos de comunicação na noite deste domingo, dia 30 de junho, após homens e mulheres que participavam da final da Copa das Confederações terem conseguido burlar a censura da organização. Uma delas dizia: “Pela imediata anulação da privatização do Maracanã”. A outra: “Ser gay é… Mara… Aberração é o preconceito”.

Alex Tietre, 35 anos, ator, diretor e autor de peças teatrais foi o responsável por essa última.

Ele trabalhou por quase 18 anos na Cia de Tatro Arte & Manha de Guarapuava, uma das mais reconhecidas do Paraná, e, hoje, trabalha há dois anos em uma agência de atores em Niterói.

Confira a entrevista

Você participou de outras manifestações artísticas para a Copa das Confederações? Como foi sua seleção?

Participei com meu nariz de palhaço em manifestações no Rio e em Niterói, não necessariamente para a Copa, meus protestos eram como os da maioria. A seleção para a Copa das Confederações foi na Escola Naval. Me inscrevi, porque minha companhia de teatro sempre trabalhou com grandes eventos e seria uma boa experiência, mas não foi como esperava. Comecei a questionar o porquê de ser voluntário num evento que rolam milhões em dinheiro, enquanto eu estava ali ganhando um lanchinho e um cartão de transporte, que não pagava nem metade do que eu gastava.

De onde veio a coragem para fazer essa manifestação?
A coragem para me manifestar é a mesma dos brasileiros, que saem às ruas para se manifestar. É a mesma coragem que todos os trabalhadores têm quando saem para trabalhar, para ganhar um salário ridículo, com um transporte precário e ainda para correr riscos nas ruas.

O que aconteceu com você depois de abrir a bandeira? Foi expulso do campo?
Eu tive mais sorte, abri a bandeira no palco principal, no meio de cinco cantores famosos. Não poderiam me agredir. Depois, deixei a bandeira no palco e entrei no meio dos outros participantes sem que conseguissem me identificar. Então, não fui retirado.

Tem recebido mensagens de apoio ou ameaças?
Felizmente, estou tendo mais apoio, mas tem muita gente contra, e tive ameaças, sim. Lá mesmo, já discutiram comigo, disseram que eu estraguei tudo e que, se pelo menos, eu tivesse feito um protesto pela fome eu seria apoiado… Entendo isso, mas se eu tivesse que protestar sobre tudo que o Brasil precisa, a bandeira teria que ser do tamanho do Maracanã.

Como você vê as manifestações homofóbicas de setores fundamentalistas da sociedade?
Fico indignado com qualquer manifestação homofóbica. Precisamos viver de forma que os valores sejam revistos. Ser gay não prejudica ninguém. Ninguém tem o direito de querer “mudar ou curar” alguém. Devemos começar a avaliar o que realmente precisa ser mudado. Precisamos fazer essa mudança agora, mudar o Brasil, os políticos e também mudarmos pra melhor, cuidar do nosso planeta e cuidar do próximo com todo respeito, sem ver cor, credo ou sexualidade.