Brasil de Fato

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O Irã observado sob o chador

Jornalistas brasileiras relatam experiências com os persas


Eduardo Sales de Lima

da Redação

“Eles querem menos ingerência do governo em suas vidas privadas, mas não querem se ocidentalizar”. A frase é de Márcia Camargos, jornalista que escreveu, ao lado de Adriana Carranca, o livro “O Irã sob o vhador”.

Chador é um tipo de manto iraniano, usado para cobrir o corpo feminino da cabeça aos pés. Só o rosto fica à mostra. O traje é obrigatório em mesquitas e outros lugares sagrados, e conta com a preferência das iranianas islâmicas do segmento mais conservador da sociedade. “É utilizado principalmente no momento de se paramentar para falar com Deus, para entrar na casa do sagrado. É algo até lírico”, explica Márcia Camargos, que também é doutora em História pela USP e biógrafa de Monteiro Lobato.

A partir das experiências em viagens em momentos distintos de cada uma no país persa, as autoras atestam que o aperto no código de conduta é, em grande medida, apenas aparente, e sua violação, nos espaços privados, é até aceita. Além disso, elas trazem a idéia de que a cordialidade do povo resiste “como valor num cotidiano de escassas liberdades individuais”.

O livro destaca as contradições do país, onde ao mesmo tempo mulheres e homens têm de se sentar em partes diferentes do ônibus, circulam táxis nos quais ambos os sexos compartilham o aperto do banco e o contingente universitário conta com mais de 60% de mulheres estudantes. Sobre esse universo feminino no Irã, Márcia Camargos explica que o título do livro pode se referir ao desejo da maioria das iranianas de “levantar seu chador”, de querer avançar em seus direitos coletivos e individuais.

No plano da sociedade iraniana, Márcia revela que utiliza a metáfora “O Irã sob o chador” para remeter ao leitor um país que vive debaixo de uma vestimenta tecida de informação manipulada principalmente pelo ocidente. “Fomos viajando, conversando com as pessoas e levantando esses véus”, conta.

O lançamento do livro ocorre no dia 30 de agosto, no CineSesc (Rua Augusta, 2075), em São Paulo (SP).