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No Rio de Janeiro, rosto coberto é crime inafiançável

Determinação da Justiça é para que a polícia faça a identificação criminal de pessoas que participarem de manifestações com o rosto encapuzado; sete já foram presas





Foto: Victor Dragonetti/Mídia Ninja



José Francisco Neto,

da Redação

Adeptos da tática anarquista Black Bloc foram presos nesta quarta-feira (4) no Rio de Janeiro. Seis administradores e um criador de conteúdos da página do Facebook dos ativistas foram encaminhados à 6ª DP pelos crimes de formação de quadrilha armada e incitação à violência. Os dois crimes são inafiançáveis.

A determinação da Justiça do Rio é para que a polícia faça a identificação criminal de pessoas que participarem de manifestações com o rosto encapuzado.

A decisão é da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do estado, que atendeu ao pedido da Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismos em Manifestações Públicas (CEIV). A Comissão é formada por representantes do Ministério Público e das polícias Civil e Militar.

Com isso, quem for flagrado usando máscaras, capuzes ou lenços na cabeça pode ser abordado pela polícia, que está autorizada a pedir a retirada do material usado para cobrir o rosto.

Além de encarcerar, a polícia também está confiscando computadores e notebooks para levantar mais provas que possam ratificar a prisão das pessoas.

A chefe da Polícia Civil, Marta Rocha, disse que o material apreendido será encaminhado ao Poder Judiciário, e que a polícia vai analisar o conteúdo. “Essa investigação, que hoje chegou aos administradores da página do Black Bloc no Facebook, sofrerá ramificações e continuaremos a investigar essas pessoas”, explicou.

Os ativistas contestam as prisões ‘arbitrárias’ realizadas pela polícia a mando da Justiça carioca, que obriga os manifestantes a entregarem suas senhas pessoais. “Mais uma inconstitucionalidade do governo carioca. Ninguém é obrigado a fornecer senha e, inclusive, pode permanecer em silêncio absoluto até a chegada do advogado”, contesta o Black Bloc em sua página oficial.

Na casa de um dos presos foi recolhida uma máscara de gás para ‘provar a detenção do suposto criminoso’. No entanto, o equipamento é comumente usado por manifestantes para evitar a inalação de gases ácidos atirados pela PM. “Os vândalos do Choque, com suas roupas sem identificação e usando as máscaras de gás, vão apresentar os documentos de identidade também?”, questionaram os ativistas referindo-se aos policiais que usam máscaras.

“Estão querendo transformar táticas e ideologias em movimentos. Estão querendo transformar cidadãos em líderes. E assim, um a um, vão fazendo exatamente o que se fazia na ditadura”, completam.

Setembro Negro

Ativistas da tática Black Bloc e da Frente Independente Popular (FIP) convocam um ato para o dia 7 de setembro no Rio de Janeiro. O ponto de encontro será na esquina da avenida Passos com a Presidente Vargas.

O Setembro Negro, como está sendo chamada a manifestação, será em apoio aos ativistas que foram presos nesta quarta-feira (4). Muitos seguidores da página do Black Bloc do Rio se articulam para irem com os rostos cobertos, em protesto contra as detenções.

Quem são os Black Blocs?

Em contraste com meios de comunicação que procuram deturpar a configuração dos Black Blocs, o Brasil de Fato apurou, durante uma manifestação contra a revista Veja em São Paulo, que os jovens que praticam ações diretas contra a opressão capitalista são oriundos de bairros pobres e periféricos.

Em sua maioria, trabalhadores e estudantes que convivem diariamente com a violência do Estado.

“Destruímos bancos porque eles servem ao capitalismo. Eles geram miséria, ódio, tristeza e desavença na população”, explicou um manifestante.

Durante os protestos, eles andam sempre juntos e, usualmente, atacam bancos, grandes corporações ou qualquer outro símbolo de instituições. “Essa é a defesa do oprimido contra o opressor. Ninguém é invisível. Essa invisibilidade é imposta pelo capitalismo”, finalizou.