Brasil de Fato

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Quem ganha com a ação dos Black Blocks?

A democracia exige o respeito ao direito de manifestação, de realizar passeatas, greves e outras forma de luta por melhores condições de vida, trabalho e salário








João Carlos Gonçalves

A ação dos Black Blocks (ou vândalos, como alguns os chamam) nas manifestações não ajuda os trabalhadores, nem a ação sindical, nem a democracia. Ao contrário, atrapalha.

Por exemplo: a manifestação das centrais sindicais na Jornada Mundial pelo Trabalho Decente e a grande mobilização social em apoio aos professores no Rio de Janeiro e em São Paulo, no dia 07 de outubro, acabaram ofuscadas pelo quebra-quebra por eles provocado.

Quem ganha com isso? Parece que a história se repete: quem não se lembra da infiltração de agentes disfarçados de agitadores, nas mobilizações dos marinheiros, no Rio de Janeiro, antes do golpe militar de 1964? O próprio líder do movimento, o cabo Anselmo, era agente policial!

Aqueles que causam depredações de patrimônios públicos e privados nas manifestações são, de um modo geral, manifestantes equivocados que se pretendem “anarquistas” mas assimilam de forma distorcida e rasa velhos métodos da “ação direta” do anarquismo, sobretudo no início do século 20.

Escondidos por trás da máscara desta visão distorcida do anarquismo estes manifestantes vândalos fazem o papel, quando não são, na verdade, meros e desprezíveis, agentes provocadores da direita.

Sejam eles equivocados ou provocadores com uma ação intencional, o efeito de suas ações é sempre o mesmo: deixar em segundo plano, através da depredação e a violência, as bandeiras e reivindicações legítimas do movimento social e justificar medidas oficiais para restringir o direito constitucional à livre manifestação.

Basta ver as manchetes dos jornais e noticiários que, devido à gravidade da ação dos Black Blocs, acabaram sendo totalmente tomadas por elas.

Os trabalhadores não aceitam isso! Não aceitamos a violência como forma de manifestação. Repudiamos a violência daqueles que, interessadamente ou não, criam os pretextos para os ataques da polícia contra suas manifestações de reivindicação, que são firmes, mas pacíficas.

Os trabalhadores querem mobilizar o povo e não afastá-lo com o fomento do medo e da violência.

Os trabalhadores não podem ser reféns daqueles que agem para desfigurar manifestações legítimas e democráticas.

A democracia exige o respeito ao direito de manifestação, de realizar passeatas, greves e outras forma de luta por melhores condições de vida, trabalho e salário. Cabe ao governo e ao Estado, garantir o pleno exercício desse direito, sem violência.

Este é o caminho para conquistar os avanços sociais e democráticos que o país precisa e o povo exige.

João Carlos Gonçalves, Juruna, é secretário-geral da Força Sindical.