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Herança econômica da ditadura é a dívida externa

Muitos ainda acreditam que durante o regime militar ocorreu um "milagre econômico". Porém, para economista, decisões do período deixaram um legado negativo.





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Arquivo/O Globo



Rafael Tatemoto

De São Paulo (SP)

Parte da população recorda da Ditadura como bem-sucedida na gestão da economia. O principal exemplo seria o “milagre econômico”, que teria ocorrido entre 1969 e 1973. Entretanto, a média de crescimento do Brasil em um período mais amplo, entre 1945 e 1980, foi de 7% ao ano, uma das maiores do mundo na época.

Os índices apontam que o desempenho econômico foi forte tanto no período democrático como no regime autoritário. O milagre econômico foi apenas o ponto alto desse longo processo.

“O sucesso econômico desse período se baseou em alguns fatores: a infraestrutura ociosa herdada do Juscelino Kubitschek (1956-1961) e o cenário internacional favorável”, diz Odilon Guedes, economista e professor universitário. Além disso, ele afirma que outro elemento de crescimento econômico durante a ditadura foi o “controle da inflação através do arrocho salarial”.

Apesar de ter aumentado o mercado de trabalho, a Ditadura foi responsável por ter aumentado a concentração de renda e as desigualdades sociais. Para Guedes, o essencial do legado econômico da Ditadura foi a dívida contraída no exterior.

“As pessoas esquecem que os militares governaram até meados dos anos de 1980”, afirma ele. A crise da dívida externa, no início da década de 80, quando os credores passaram a cobrar o Brasil, foi a “responsável pela completa desorganização da economia do país”. Nesse momento é que o desemprego dispara, o número de favelas aumenta e os serviços básicos, como educação, são sucateados.

Para o economista, no fundo, o Golpe de 64 foi dado para impedir a concretização de um modelo mais favorável ao povo. “Se o João Goulart [presidente deposto] tivesse conseguido implementar as reformas que queria, com certeza teríamos hoje um país com melhor distribuição de renda.”