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Cerca de 20 mil marcham contra a Copa em São Paulo e prometem "junho vermelho"

Liderado pelo MTST, o protesto teve o intuito de recolocar a necessidade da garantia dos direitos humanos ante ao atendimento dos negócios milionários da FIFA e de empresários











Divulgação MTST




Por Bruno Pavan
De São Paulo (SP)


O vermelho era a cor predominante no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, na tarde de última quinta-feira (22). Liderados pelo Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), inúmeros movimentos como a Frente de Resistência Urbana, Movimento Passe Livre (MPL), Comitê Popular da Copa, entre outros, foram às ruas no protesto “Copa sem povo, tô na rua de novo ”.

Em nota, essas organizações populares e de juventude alertaram que “a Copa do Mundo nem começou e já tem seus derrotados. Para atender aos negócios milionários da FIFA e suas empresas parceiras, os governos instauraram um verdadeiro estado de exceção onde os direitos básicos da população são violados. São milhares as famílias vítimas da Copa em todo Brasil”.

De acordo com o movimento e com quem presenciou o ato pacífico, mais de 20 mil pessoas estiveram presentes. Foram quase seis quilômetros até a ponta Octávio Frias de Oliveira para protestar contra o dinheiro gasto na realização da Copa do Mundo e a especulação imobiliária na região de Itaquera. “O legado da Copa é o aumento do meu aluguel”, dizia uma das faixas.

Eram cerca de 18 horas quando a marcha começou, já com escolta da PM, que não foi esquecida nos gritos dos manifestantes. “Ei, Alckmin, pode mandar a tropa, se não tiver o povo, não vai ter Copa”. O prefeito Fernando Haddad também não foi poupado: “Ei, Haddad, paramos a cidade”.

Ao longo da avenida Faria Lima, inúmeros olhares curiosos se lançavam à massa. Muitos comércios abaixaram as portas esperando que a marcha passar. Um princípio de confusão entre um sem teto e um segurança se deu em frente ao Shopping Iguatemi, mas foi logo abafada por outros manifestantes.

Já no final da marcha, os Sem teto tomaram a Ponte Estaiada e, aos gritos de “a Estaiada é nossa”, o líder Guilherme Boulos prometeu que o mês da Copa será um “junho vermelho”.