Brasil de Fato

Uma Visão Popular do Brasil e do Mundo

Meu intercâmbio: os diretos humanos aqui e no mundo

As políticas internacionais dos Estados Unidos na América Latina estenderam e alimentaram uma guerra civil brutal em El Salvador. Suas políticas domesticas para imigrantes, refugiados e comunidades de ingresso baixo criaram as condições onde nasceram maras que cometeram crimes e foram deportadas para uma economia e uma sociedade centro-americana que não tinha a capacidade para reintegrá-los numa maneira saudável.








Por Daniel Ramirez

Eu sou salvadorenho, no lado de meu pai. Creio que isso significa que compartilho, pelo menos, uma historia comum e memórias de uma vida num bairro salvadorenho com o povo salvadorenho. No bairro, me criei junto com outras crianças morando em circunstancias sociais muito difíceis, igualmente às crianças que hoje procuram fugir de seu país hoje em dia.

Nossas vidas, porém, têm seguido trajetórias bem diferentes. Eu tenho o privilégio de ser um estudante na Universidade de Chicago e de estar trabalhando como estagiário para o Brasil de Fato graças à uma bolsa que me foi dada pelo programa de direitos humanos da minha faculdade. Para mim, isto mostra quanto a vida de uma pessoa é determinada pelo país e pela família às quais nasceram. É quase como se fosse a força do destino, mas um destino criado pela própria humanidade.

Por toda parte do século XX - especialmente depois de 1932 quando o governo salvadorenho suprimiu uma atentada insurreição camponesa liderada pelo Partido Socialista Centro-Americano, matando até 40 mil indígenas num massacre conhecido como “A Matança” - a tenção econômica entre a oligarquia salvadorenha e o povo trabalhador aumentou continuamente.

Este conflito teve um ponto alto durante a crise econômica global dos anos 1970, e em 1979 um atentado coup d’etat deflagrou a Guerra Civil Salvadorenha. Os Estados Unidos viu isto como uma oportunidade para assegurar que o comunismo não teria raiz em El Salvador - como já tinha acontecido na Nicaragua - e financiou a campanha do governo salvadorenho contra a resistência popular. Na esquerda, uma milícia guerrilheira chamada a Frente Farabundo Martí para a Liberação Nacional (em honor de Farabundo Marí, o líder da insurreição de 1932) foi organizada pelo povo salvadorenho.

Foi uma guerra brutal que demorou até o 1992. Milhares de pessoas foram mortas e direitos humanos foram abusados em grande escala. Para escapar, muitos salvadorenhos migraram aos Estados Unidos, incluindo o meu pai quem escapou para os Estados Unidos no início dos 1980. Logo meu pai foi deportado, e minha mãe foi com ele.

Morei em El Salvador até os nove anos, mas depois mudei para os Estados Unidos com a minha mãe e a minha irmã.

Desde que fui embora tenho voltado para visitar El Salvador a cada dois anos. Agora, meus velhos amigos são adultos, trabalham, têm famílias, e nos temos crescido separados. Ainda há crianças na rua, mas são mais velhos e me parece que o caráter das suas atividades se tem tornado mais sério.

O bairro se transformou. Agora “pertence” à mara (gangue) Rua 18. Há mais violência, algumas entre maras rivais, e o meu pai me diz que devo cuidar com quem falo. O moço que morava na casa em frente outro dia foi assassinado diretamente em frente à minha velha casa, junto com a sua mãe. Se eu tivesse nascido dez anos mais tarde, minha infância não teria sido nada como foi.

Violência, esperança e realidade

O ambiente violento ao qual são submetidas é uma das principais causas de tantas crianças desejarem ir embora para os Estados Unidos. E se seguimos a cadeia (se não completamente causal, então pelo menos indicativo) desde financiamento militar dos Estados Unidos, a uma guerra civil intensificada, a migração de refugiados, as maras de Los Angeles, à deportação e finalmente ao poder das maras em El Salvador, Guatemala e Honduras, vemos quanto a migração atual da Centro-América aos Estados Unidos foi impulsada pela influência dos Estados Unidos.

Agora mesmo, no lado estadunidense da fronteira entre os Estados Unidos e Mexico milhares de crianças estão chegando a centros de denteação para imigrantes, a maior parte deles procurando uma maneira para escapar das condições violentas dos seus países de origem. Entretanto, o presidente Obama está procurando o poder para deportá-los o mais rápido possível com a intenção de mandar para os centro-americanos o mensagem de que os Estados Unidos não ajudarão imigrantes a chegar em massa, sendo crianças ou não.

Os Estados Unidos é a grande causa histórica do influxo de imigrantes crianças. Seria justo que a sociedade estadunidense tomasse responsabilidade coletiva para o dano que causou no passado e que faça o que puder para ajudar a remediar a crise na América Central. Mas, como se pode ver só olhando a como a sociedade estadunidense trata a sua comunidade Africano-Américana, os Estados Unidos como um pais não é muito bom em tomar responsabilidade pelos seus crimes passados.

A que vim

Agora, trago este meu olhar crítico para as terras brasileiras a fim de entender a interlocução entre a minha periferia salvadorenha, minha experiência nos Estados Unidos, e a periferia e os movimentos sociais do Brasil, especificamente em São Paulo, onde me instalei.

Espero ver como vários grupos de pessoas se organizam para lutar por eles mesmos. Meu objetivo é de articular as minhas percepções a marcar o progresso dos meus pensamentos sob o tema dos direitos humanos. Não sei por certo onde meu projeto irá, mas estou emocionado para segui-lo onde quer que vá.