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Mulheres atingidas denunciam violação de direitos através do tecido

Para trabalhar com a arte da Arpillera com as mulheres atingidas por barragens, o MAB, em parceria com outras entidades, lançou um programa para diminuir o risco de violações dos Direitos Humanos e de empobrecimento das comunidades atingidas pelas barragens no Brasil











Divulgação/ MAB



Por MAB

Retratar a violação dos direitos humanos das atingidas por barragens através de recortes de tecidos é a técnica adotada pelas mulheres organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Dos dias 25 a 28 de agosto um grupo de mulheres ameaçadas e atingidas por barragens de todo Brasil participaram da oficina nacional das “Arpilleras”. O encontro foi realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, estado de São Paulo.

A atividade faz parte do projeto realizado em parceria com a União Europeia de resgate da técnica de costura e arte, utilizada por mulheres chilenas para denunciar as atrocidades da ditadura militar. O objetivo da oficina foi capacitar as militantes para reproduzir as experiências com as demais mulheres atingidas por barragens, para que as mesmas possam contar suas histórias, retratando o processo de violações dos direitos na construção de projetos hidrelétricos no Brasil.

A facilitadora da oficina, Esther Vital, salientou que o projeto irá beneficiar diretamente 10 mil atingidas das regiões norte, nordeste, sudeste e sul, intensificando as denúncias de violações dos direitos humanos. “O projeto estudará áreas específicas atingidas por barragens em quatro regiões do país, com o objetivo de denunciar as violações cometidas e construir uma formação com atingidos e atingidas para que eles possam se tornar defensores e formadores em direitos humanos”, explicou.

O projeto prevê que além da pesquisa participante, na qual todas as mulheres terão grande participação, não só na elaboração das Arpilleras, mas principalmente, na elaboração do diagnóstico de violação que vem sofrendo com o advento deste modelo energético e contribuir para o trabalho de organização das mulheres do MAB.

De acordo com Louise Lobler, coordenadora do MAB em São Paulo, este trabalho servirá para instigar as demais mulheres atingidas para o trabalho pela igualdade de gênero. “Vamos fortalecer, em todas as regiões, o protagonismo das mulheres na construção do movimento, desde as coordenações dos Grupos de Base, bem como avançar no debate sobre emancipação na busca de construir uma nova sociedade sem exploração”, afirmou.

Para trabalhar com a arte da Arpillera com as mulheres atingidas por barragens, o MAB, em parceria com a União Europeia, DKA Austria, Horizont 3000 e SEI SO FREI, lançou um programa para diminuir o risco de violações dos Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Políticos, Culturais e Ambientais (DHESCA) e de empobrecimento das comunidades atingidas pelas barragens no Brasil.