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A falta de água e a imprensa

Pesquisa Datafolha realizada em agosto, mas que teve pouco destaque nos jornalões e nas emissoras de rádio e tevê, evidenciou que a crise no setor não tem nada de “pontual”: 46% dos entrevistados relata­ram ao menos um corte de água nos 30 dias anteriores; em maio, 35% dos paulistas já tinham denunciado problemas.








Altamiro Borges

A falta de água em São Paulo já atinge graus extre­mos, colocando em risco a própria saúde pública. Mes­mo assim, a midiazona paulista não faz alarde sobre es­ta tragédia. A omissão é um verdadeiro estelionato elei­toral, mais um crime da velha imprensa. Ela visa livrar a cara do governador reeleito Geraldo Alckmin, do PSDB e, em especial, do cambaleante Aécio Neves. A Folha tucana publicou dia 12 uma notinha, bem minúscula, informan­do que as torneiras já secaram até nos restaurantes de Pi­nheiros, bairro nobre da capital paulista.

Se a midiazona fosse menos partidarizada e seletiva, os relatos da falta de água já teriam resultado em man­chetes nos jornalões e em críticas nos telejornais. Na se­mana passada, a própria presidenta da Companhia de Saneamento Básico (Sabesp), Dilma Pena, admitiu pe­la primeira fez que “existe, sim, falta de água”. Em de­poimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal, ele confessou que o problema de­corre da queda dos reservatórios do Sistema Cantarei­ra, que abastece 8,8 milhões de pessoas na região me­tropolitana de São Paulo. Ela só fez essa confissão três dias após a votação do primeiro turno, em mais uma pro­va do estelionato eleitoral que enganou tantos paulistas.

Numa afronta à inteligência dos paulistas, a presidenta da Sabesp ainda tentou justificar a tragédia. Ela disse que “não existe racionamento, mas administração da disponi­bilidade da água”. Ela “tucanou” a falta de água e garantiu que o problema é pontual. Pesquisa Datafolha realizada em agosto, mas que teve pouco destaque nos jornalões e nas emissoras de rádio e tevê, evidenciou que a crise no setor não tem nada de “pontual”: 46% dos entrevistados relata­ram ao menos um corte de água nos 30 dias anteriores; em maio, 35% dos paulistas já tinham denunciado problemas.

A presidenta da Sabesp havia sido convocada para depor na CPI em setembro. Mas fugiu para evitar respingos –sem água – nas eleições. A mídia tucana, que adora pro­mover a escandalização da política – mas sempre de for­ma seletiva –, não fez qualquer pressão sobre o governo Alckmin. Da mesma forma, ela segue evitando dar desta­que ao assunto. Possivelmente, só vai tratar do tema com mais responsabilidade, tentando se apresentar com neu­tra, após o segundo turno das eleições presidenciais. E ainda tem gente que acredita na midiazona. É preciso ser muito tapado!