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“A mudança não vem do Planalto, mas da planície”, diz dirigente da CPT sobre nomeação de Kátia Abreu

Flavio Lazarin explica que nomeação é consequência da pressão do capital e políticos não passam de balconistas do mercado mundial; dirigente do MST cobra mais ação de Dilma no segundo mandato











Moreira Mariz/ Agência Senado




Por Bruno Pavan,
Da Redação


De acordo com informações, que não foram desmentidas pelo governo, a senadora ruralista e presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), será a escolhida para comandar o Ministério da Agricultura no novo mandato da presidenta reeleita Dilma Rousseff. Entre os movimentos sociais, caso se confirme, a indicação é um recuo, uma vez que a senadora sempre foi ferrenha inimiga dos camponeses e dos indígenas. Ela foi também uma das principais opositoras do governo Lula.

Para o padre Flavio Lazzarin, da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a possibilidade mostra uma continuidade da política de aproximação do governo com o setor do agronegócio e da pressão da burguesia nacional. “É inaceitável! Isso mostra que os políticos não passam de balconistas do mercado mundial, como bem reforçava o subcomandante Marcos (líder dos Zapatistas). O mercado está nervoso desde a campanha e isso impõe essas decisões antipopulares”, criticou.

O significado de uma suposta nomeação da ruralista terá efeitos catastróficos para a saúde pública, o meio ambiente e para os agricultores que produzem alimentos no Brasil, acredita Alexandre Conceição, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Ele lembra também que a senadora é uma das protagonistas no processo de criminalização dos movimentos sociais.

“Ela é símbolo do latifúndio atrasado, que usa a terra como instrumento de poder político, por meio da força das cercas e das armas. O governo carregará o peso simbólico do que existe de pior no meio rural. Kátia Abreu representa o latifúndio mais submisso ao capital internacional. Se fosse pra ter ela como ministra, o povo teria votado em outro candidato”, explicou.

No primeiro mandato da presidenta Dilma pautas cruciais aos movimentos não foram priorizadas, como a reforma agrária e a demarcação de novas terras indígenas. Por conta disso, o Ministério da Justiça, sob comando de José Eduardo Cardozo, foi um dos mais criticados.

Lazzarin afirma que os movimentos sociais precisam se colocar como alternativa a esse avanço da pauta burguesa no governo. Para ele, o povo articulado vai construir novas possibilidades ao Brasil.

“O que está acontecendo de bom não vem do Planalto, vem da planície. Se o mercado está nervoso, nós vamos ficar muito mais. Há uma ascensão interessante dos movimentos estruturados, o protagonismo dos indígenas na luta, por exemplo, é muito bom”, comentou.

Conceição diz que é cedo para avaliar se haverá um recuo ainda maior da presidenta no diálogo com os movimentos, mas diz que é a hora de cobrar resultados práticos.

“Já basta de tanta reunião com água e cafezinho. Queremos um governo que se comprometa e realiza o atendimento da pauta dos movimentos sociais. Nestes últimos 4 anos foram muitos diálogos sem nenhuma ação concreta nas desapropriações das terras e demarcações das terras indígenas”, finalizou.